" A VIDA HUMANA E O ESPÍRITO IMORTAL" - Problemas dos Governos - RAMATIS


Pergunta: - Por que os sistemas de governo, do nosso mundo, não correspondem integralmente às ansiedades dos povos governados?
Ramatís: - Conforme conceitua a Lei Espiritual, "a cada um será dado segundo as suas obras", assim, também justifica-se perfeitamente o velho refrão popular, de que "o povo tem o governo que merece"! A humanidade terrícola ainda é insatisfeita e turbulenta, dividida em agrupamentos nacionalistas adversos, doutrinas religiosas e credos separativistas, a defender interesses exclusivos em conflitos recíprocos.
Os povos da Terra são belicosos, egotistas, indisciplinados, ciumentos, avaros, racistas e orgulhosos, quando se trata de nações poderosas e dominantes; mas choramingam, lastimam-se quais vítimas injustiçadas, depois que se enfraquecem ou são humilhados nas guerras pelos adversários vitoriosos. As nações lembram as criaturas descontroladas em suas emoções, capazes de atingirem os piores extremos de ambição e violência, quando fortes e independentes, mas que se acovardam, servilmente, ao tombarem dos seus pedestais de vento!
Os povos gritam e protestam contra os seus dirigentes, tachando-os de políticos ambiciosos, corruptos ou venais, porque eles não lhes satisfazem integralmente as pretensões pessoais! Mas esquecem-se de que são governados por homens da mesma fonte humana, ou gerados no meio-ambiente, os quais apenas refletem as idiossincrasias do todo que é governado. Os eleitores elegem os seus dirigentes por sua livre e espontânea vontade; no entanto, grande parte desse quadro eleitoral avilta-se nos conchavos, perfídias e estratagemas censuráveis a fim de eleger o seu candidato simpático, ou que fez as melhores promessas! Evidentemente, num clima de desonestidade, ambições e interesses de grupos, jamais surgirá um candidato isento de qualquer falha ou defeito, porque ele representa a síntese dos, seus próprios eleitores!
Os mandatários são produtos do próprio meio que governam, proporcionando os frutos segundo o tipo de adubo do terreno onde se nutrem!


Pergunta: - Mas alguns povos têm sido governados por homens inteligentes, hábeis e honestos, que superam o próprio meio defeituoso onde se geraram! Que dizeis?
Ramatís: - Na distribuição da carga espiritual que há de constituir a humanidade terrícola, a "Administração Sideral" do orbe também escolhe certas épocas para a encarnação de espíritos benfeitores e sadios destinados a regerem ou governarem determinada nação ou povo. São verdadeiras intercessões de melhor quilate espiritual, a fim de que a humanidade não se atrofie num baixo nível intelectivo, artístico e moral. Esses magníficos condutores de povos traçam rumos sadios para o futuro e desalojam do meio os mandantes corruptos, egotistas e mercenários! Da mesma forma, outros, de menor graduação sideral, porém, corretos, dinâmicos e filantropos, são conduzidos à direção de indústrias, instituições culturais e científicas do mundo, apurando o sentido e os objetivos financeiros e econômicos de modo a servir às massas menos favorecidas!
Eis por que a humanidade terrena, em certas épocas, apresenta índices espirituais para melhor ou pior, comprovando quando predomina em seu seio uma carga de espíritos benfeitores ou defeituosos. A qualidade espiritual do orbe terráqueo, malgrado a sua natureza primária de escola roceira, em certo tempo o seu gráfico também comum acusa predominância de ascensão. Em determinadas fases, o planeta convulsiona-se pelos conflitos guerreiros e pela safra de tiranos e conquistadores dominados por instintos e paixões, enquanto desconhecem os sentimentos mais comuns. O terreno lavra-se e reponta a erva daninha sufocando os brotos tenros das boas sementes! No entanto, também ocorrem, por vezes, hiatos de paz entre as nações humanas, períodos pacíficos, laboriosos e até gentis, compensando as violências e destruições do passado. Cidades antigas, anti-higiênicas e impróprias para a natureza evoluída do cidadão terreno, depois de destruídas pelo "inimigo" ressurgem das ruínas sob traçados amplos e arejados, compatíveis com uma população carente de oxigênio, luz e jardins!
Na Idade Média dominaram na Terra espíritos trevosos, cruéis e verdadeiros primatas da espiritualidade, que, no comando político e religioso do mundo, amordaçaram consciências, tolheram a liberdade, revolveram o lamaçal das paixões animais, vulgarizaram a arte, reduziram o direito de crença e obscureceram os mais singelos ideais humanos! Após essa experiência tenebrosa em afinidade com a carga espiritual encarnada, o Alto então frenou a descida em massa de espíritos de quilate diabólico, e, programando a encarnação de linhagem espiritual superior, renovou a face da Terra sublimando a arte, liberando a devoção religiosa e consagrando a bela vivência da Renascença! 50

50 - "E Deus tomou o dragão, a serpente antiga que é o Diabo, e Satanás e o amarrou por mil anos." "Apocalipse de João; capítulo 20:2". Sob o exame de pesquisadores do gênero, considera-se que tal acontecimento identifica perfeitamente o fim da Idade Média.

Assim, quando predomina um tipo espiritual mais bem credenciado entre determinado povo ou certa nação, ali também se elegem governantes inteligentes e dignos, que são produtos do melhor tipo de cidadãos e administram corretamente.


Pergunta: - Mas os sistemas políticos, organizados pelas principais classes de um povo, sempre objetivam de eleger um bom governo, não é assim?
Ramatís: - Os terrícolas, ingenuamente, criam sistemas de "ismos" e doutrinas onde pontificam grupos de interesses particulares para dirigir um "todo", quando o sistema diretor há de ser sempre um produto eleito por credencial superior de toda a comunidade. Considerando-se que num jardim a flor mais bela e odorante deve ser a rainha, obviamente, o governo ou comando de um povo deve ser entregue ao cidadão mais bem credenciado na razão e no sentimento; o melhor homem do conjunto! Ele é o ápice de melhor qualidade do seu povo e deve ter comprovado na sua própria vida as credenciais que todos esperam vê-lo mobilizar em favor da coletividade.
Nenhum povo consegue a solução política satisfatória, deixando-se governar por qualquer "molde" doutrinário ou político, produto de um grupo de pessoas associadas por simpatias e gostos particulares e constituindo-se num comando à parte. É absurdo um conjunto de criaturas de preferências pessoais políticas pretender dirigir um outro todo variadíssimo em sua gama psíquica, mental e emotiva, como é um povo ou nação, enfim a própria humanidade! Não se pode fazer com a massa humana o que se faz com a "massa de confeitos", onde a matriz escolhida pelo confeiteiro é que determina a forma do doce. Não é a figura dada ao confeito o que lhe determina a qualidade, mas isso é inerente à natureza do conteúdo que preenche o molde. Um sistema, doutrina ou partido político é um molde a ser preenchido por determinado tipo de homens afins em suas idéias, gostos e intenções! São os ingredientes particulares que nem sempre satisfazem o todo coletivo, que é do mais variado conteúdo!
Daí a incoerência de indivíduos criarem um sistema ou partido político para dirigir um todo humano, cujo sistema deveria ser uma síntese do conjunto a ser governado! É algo como a disciplina e o equilíbrio que existe na função dos diversos órgãos do corpo humano, que para sobreviverem mutuamente submetem-se à regência do cérebro, isto é, a síntese comandante do próprio conjunto orgânico! Ele não particulariza, mas comanda cada órgão de acordo, com a sua função e necessidade, atendendo especificamente o equilíbrio e a harmonia do conjunto. Tornar-se-ia ilógico, que o fígado, por exemplo, resolvesse criar um sistema baseado na sua própria função hepática, pretendendo com esse "hepatismo" governar as necessidades de todo o corpo humano! Um povo ou uma nação, indiscutivelmente, é um todo orgânico que materializa a síntese de uma só vontade psíquica e que deve submeter-se a uma direção espiritual superior. A eleição do mandatário de um povo devia mesmo seguir as normas de rigoroso "concurso" tão comum nas funções públicas subalternas, em vez de produto de vontades aliadas sob a flâmula de um partido ou sistema, ou mesmo da nomeação do grupo dominante. É preciso que esse homem selecionado para o elevado cargo público apresente, tanto quanto possível, o mais alto índice de sabedoria, razão e sentimento investigados no seio do conjunto a ser governado. Em caso contrário, o todo passa a obedecer a um comando confeccionado em separado e que não lhe pode proporcionar o equilíbrio e a harmonia somente possível através de um conhecimento global!


Pergunta: - Poderíeis explicar-nos melhor esse assunto?
Ramatís: - O governo de uma nação ou de um povo terrícola comumente ignora a sua imensa responsabilidade assumida perante a "Administração Sideral", a qual realmente governa o planeta! Então se julga autorizado e independente, detentor de um "poder máximo" sobre certa coletividade, sem necessidade de prestar quaisquer obrigações para o Governo Oculto atuante do mundo espiritual! No entanto, o imperador, o rei, o governador ou mesmo o ditador não passam de mordomos agraciados com a confiança divina, por cujo motivo ser-lhes-á exigido depois da morte corporal as mais severas contas dos encargos na matéria. Jamais serão tolerados, quando distorcem o sentido de sua governança em favor dos seus interesses particulares e do enriquecimento do "clã" familiar, pois a Lei Espiritual não lhes perdoa a mínima subversão no comando do patrimônio público!
A governança, na Terra, deriva de severos compromissos esquematizados e assumidos no Espaço pelos seus responsáveis, uma vez que na movimentação de um povo ou nação também se inclui a recuperação cármica dos indivíduos que constituem o conjunto governado. Cada espírito encarnado está vinculado a um organograma sideral, onde se avaliam todas as possibilidades de êxito e fracasso eventuais na rota cármica. Após a desencarnação, cada homem presta conta dos seus feitos realizados no mundo material e responsável pelas defecções espirituais! Infeliz do governante terreno que, devido à sua ambição política ou inescrupulosidade, altera, perturba ou modifica a vivência dos seus governados, impedindo-lhes de cumprirem certas tarefas cármicas ou afastando-os de objetivos de responsabilidade espiritual! Daí o conceito sideral, que é tão popular no Além-Túmulo e assim expressa: "Mil vezes, ser um apóstolo do Cristo, do que um ministro de Estado!"...

Pergunta: - Mas cremos que os políticos do mundo não encaram seriamente as vossas advertências, quanto à responsabilidade que lhes é inerente perante a "Administração Sideral" da Terra!
Ramatís: - Sem dúvida, é de índole humana subestimar e descrer do que não pode ser comprovado concretamente sob as leis do mundo físico! Malgrado os políticos desconfiarem de nossas advertências, a vivência aí no mundo material não é produto do "acaso", nem mesmo tudo se sucede à matroca, sem qualquer esquema sensato! A Terra, na sua função de escola de alfabetização espiritual, obedece a um planejamento vinculado às demais humanidades da constelação solar, por cujo motivo é de perfeita autenticidade o conceito popular que assim diz: "Não cai um fio de cabelo da cabeça do homem, sem que Deus saiba!" Por isso, o homem que ambiciona as gloríolas transitórias dos cargos políticos e públicos do mundo, que o faça de modo sensato, digno e benfeitor, pois a Lei do Carma o julgará na medida de suas realizações boas ou más! Mil vezes o ladrão que furta, na Terra, do que o administrador que trai a confiança do Alto e responderá por todas infelicidades, desmandos, injustiças e perturbações decorrentes do seu comando desviado do objetivo espiritual. Segundo a Justiça Divina, "a sementeira é livre, mas a colheita é obrigatória"!...


Pergunta: - Em verdade, há políticos que alçam-se ao poder, mas já são de índole delinqüente e assim o seriam mesmo na vida comum!
Ramatís: - Não opomos dúvida; muitos políticos falazes e corruptos não passariam de reles vigaristas ou ladrões vulgares, caso não lhes houvesse ocorrido o acidente de se guindarem à administração ou poder público! Aliás, é mais perdoável perante Deus o ladrão que arrisca a sua vida para roubar um rádio, relógio ou galináceo, do que o governante ou político, que furta detrás da escrivaninha munido de caneta-tinteiro em vez de gazua, e ainda protegido pelas imunidades do cargo! É preferível o vigarista que engana o otário ambicioso, do que o homem público a zombar de milhares de eleitores aliciados para o elegerem vereador, deputado, prefeito ou governador! Infelizmente, na esfera política do mundo alimentada por partidos, doutrinas e sistemas específicos a grupos afins, indivíduos que seriam problemas de polícia, na pobreza, encontram o clima favorável na administração pública para exercitar com sucesso a sua habilidade delinqüente!


Pergunta: - E que dizeis dos governantes, que após situarem-se no comando administrativo de uma nação, tornam-se tiranos e às vezes levam o seu povo à ruína e ao desespero?
Ramatís: - O déspota, o tirano, em geral, é um produto do ressentimento ou da frustração contra o mundo! Quando ele vive na mediocridade é servil, queixoso ou inseguro nos seus atos, remoendo a ira interior e evitando complicações prejudiciais! Então acumula energia por força d.e sua contenção compulsória, enquanto os mais extrovertidos dispersam forças e revelam seus atos à luz do dia! Em geral, são invejosos, ciumentos, ambiciosos e facilmente hipócritas, ante a capacidade de esconderem as suas verdadeiras intenções sob preceitos morais e sociais da vida em comum! Odeiam facilmente, e, depois de ressentidos, jamais esquecem a menor ofensa! Cada gota de água da hostilidade alheia, eles contabilizam exigindo a indenização de um tonel na hora oportuna!
Calígula, alcunhado o Botinha, bajulava os fortes, beijava os pés dos poderosos e escondia-se debaixo da cama ante o mais inofensivo trovão; guindado a imperador, praticou as mais espantosas crueldades e vingou-se impediosamente de todos os que um dia ele cortejara; Cortez era condutor de porcos em sua terra, até se tornar o famigerado assassino dos astecas, em cujo ato ele vingou-se de todas as humilhações da infância; Hitler era cozinheiro do exército alemão, em 1918, homem ressentido contra os seus hierárquicos, incompreendido na sua pintura paisagista, recusado como canastrão na arte dramática e a fugir dos judeus, que lhe viviam no encalço para a cobrança de prestações atrasadas! Alcançando o máximo poder na Alemanha, Hitler apenas centuplicou e deu vazão a todas as frustrações, desforras, inimizades e despeitos, que havia acumulado na humilhação de sua mocidade medíocre! Vingou-se dos antigos hierárquicos aposentando compulsoriamente ou demitindo militares de boas credenciais; mandou queimar em praça pública obras culturais preciosas, impediu exposições artísticas de pintores modernos tentando mensagem mais sutil e fechou os teatros, que lhe haviam negado a consagração dramática! Sem dúvida, quando ordenou a matança de milhões de judeus nos campos de concentrações, provavelmente, o fez atendendo à desforra freudiana contra o antigo credor, que insistia nos pagamentos das prestações atrasadas! Humilhado desde a infância pela descendência medíocre, olvidado nas suas tentativas de liderança na juventude e ressentindo-se de sua vivência apagada, sublimou a sua natureza psíquica incapaz e enfermiça, no culto do "super-homem" de Nietzsche!...
Mas como "o povo tem o governo que merece", o próprio povo alemão foi o caldo de cultura de Hitler na sua megalomania e rapinagem, nutrindo-lhe as paixões belicosas e o orgulho racista. E fortalecendo os objetivos anômalos e enfermiços do "Führer", os alemães ainda apoiaram outros tipos de semelhança psicopata e delírio sadista, como Goering, Himmler, Goebbels, Bormann, Jodl, Kaltenbrunner, Ribbentrop, Heydrich e outros, cuja ação sinistra derramou rios de sangue dos infelizes vencidos! Mas sob a inflexível Lei do Carma, a mesma mocidade que aplaudiu delirantemente os massacres, as pilhagens sobre os povos mais fracos praticados por Hitler, atualmente, envelhecida e desiludida, então sofre, atrás do "muro da vergonha" dos russos, a colheita infeliz da sementeira imprudente!


Pergunta: - Mas teria sido um simples acidente imprevisível pela Administração Sideral, quanto à interferência de um Hitler, Aníbal, Gengis-Can ou Napoleão, cujos resultados foram tão maléficos para a humanidade?
Ramatís: - Sem dúvida, tais acontecimentos enquadram-se perfeitamente nos planos de aperfeiçoamento dos espíritos encarnados e componentes das nações belicosas. Embora indesejáveis, lembram certas enfermidades que requerem uma terapêutica violenta e cáustica. É lastimável, entretanto, que a humanidade terrena ainda necessite de tais recursos belicosos para o seu reajuste cármico, massacrando-se nas guerras fratricidas, a destruir cidades, jardins, pomares, campinas e matas preciosas, que depois grassam a fome, miséria, neurose e mutilação dos homens! Não opomos dúvida de que o Bem também pode vir pelo Mal, mas o sensato é que o Bem se faça pelo próprio Bem! 51

51 - Vide a obra "Do País da Luz", capítulo 4, 1º volume, psicografia de Fernando de Lacerda, na qual o espírito de Napoleão diz o seguinte: "O eleito é sempre escolhido; mas o escolhido não é eleito. O eleito foi escolhido por Deus para fazer o Bem pelo Bem; o escolhido pode ser para fazer o Bem pelo Mal. O eleito foi Jesus. Eu fui escolhido."
Nesta comunicação mediúnica, Napoleão compara sua existência turbulenta e ambiciosa com a missão terna e pacífica de Jesus.


Pergunta: - Porventura, as campanhas libertadoras de Napoleão não trouxeram algum benefício ao mundo?
Ramatís: - Quando a "Administração Sideral" da Terra escolheu o espírito de Napoleão para demolir os feudos e reinados escravocratas do mundo, libertando muitas criaturas injustiçadas por senhores poderosos, vinganças políticas pessoais, jamais endossou-lhe a vaidade de sobrepor as suas ambições e desmandos acima da natureza de sua tarefa, além de presentear a parentela humana com tronos principescos.
Indubitavelmente, em face do tipo primário espiritual que é a humanidade terrícola, o fenômeno Napoleão Bonaparte ajusta-se perfeitamente à moldura dos acontecimentos belicosos, como uma necessidade para romper os grilhões que ela mesma forja na sua caminhada tola e ambiciosa! A sua atividade guerreira teve por fim abrir fronteiras e masmorras, ajustar direitos e proporcionar ensejos para o reajuste de costumes, retificações de leis e amplitude de cultura e educação. Napoleão Bonaparte, como quase todos os guerreiros terrícolas, endeusou-se pelo poder transitório de destronar reis, ignorando que, através da reencarnação, tais reis e príncipes poderiam ter nascido filhos dos mordomos e guardas do palácio real! Houve reis, imperadores, e príncipes tarados, imbecis, enfermiços e genocidas, como Nero, Calígula, Ivan o Terrível, Cômodo, Heliogábalo e outros, que em vez de serem recolhidos a um manicômio, dispunham da vida do seu povo como o magarefe do seu gado!
Entusiasmado pelo fascínio do poder humano, Napoleão julgou-se um raro espécime na face do mundo, e assim tentou ultrapassar o próprio esquema cármico que o Alto traçara como seu destino! Em conseqüência, após a fugaz gloríola do poder imperial transitório oficializado por Pio VII, ele terminou seus dias tristes e melancólicos na ilha de Santa Helena, ali refletindo quanto à fragilidade da vida humana e a impossibilidade do homem em superar "as diretrizes do Governo Oculto! Conseguiu destronar reis, vencer batalhas memoráveis, eleger-se imperador e dominar a Europa; mas, lastimavelmente, não pôde extinguir o cabotinismo, orgulho a vaidade, presunção, atrabiliariedade, crueldade e a própria morte! Ignorava, portanto, que o verdadeiro gênio é criador e governa-se a si mesmo, pois o supremo guerreiro é aquele que vence as suas próprias paixões!


Pergunta: - E que dizeis das revoluções feitas pelos povos, quando pretendem eleger um novo governo, honesto e criterioso, para coibir a corrupção?
Ramatís: - É óbvio que o vocábulo revolução já induz uma iniciativa violenta de mudança do regime dominante, a fim de atender às insatisfações políticas de um povo, nação, ou mesmo grupo de homens. Comprova-se, assim, o primarismo do homem terrícola na sua graduação espiritual, pois ele ainda não sabe resolver os seus problemas sociais, políticos, pátrios e morais, sem a violência que gera o clima de ódio, ciúme, competições e falsas glórias! As questões políticas, religiosas e sociais dividem o mesmo povo em diversas facções adversas, nutrindo uma guerra permanente, ante a preocupação de cada conjunto pretender impor a sua preferência e simpatia.
Embora as revoluções glorifiquem os seus autores e os consagram no altar dos heróis, patriotas e "salvadores" do povo, em verdade, há sempre um jogo de interesses, em que os grupos dominados reagem contra os grupos dominantes. A revolução já é um estado de espírito em cada homem sempre insatisfeito, pensando em "mudar" de qualquer forma, onde quase sempre procura exclusivamente o seu próprio bem. Quando esse estado de espírito oculto se exterioriza na configuração de movimentos belicosos ou lutas sangrentas, apenas materializa a insatisfação de muitos homens afinizados à mesma freqüência de desejos. Só em casos raríssimos, um ideal isento de interesses pessoais move uma revolução em favor do povo, pois, em geral, a cobiça e a ambição são próprias dos revolucionários de todos os tempos. A prova é que, incessantemente, novas revoluções substituem as velhas revoluções, porque os salvadores do povo passam a cuidar de sua própria salvação!
Por isso, apesar do benefício que às vezes certas revoluções proporcionam sob uma intenção superior, jamais elas podem promover a felicidade de um povo, porque não atendem especificamente os interesses totais dá coletividade, mas são geradas por grupos de homens associados pela mesma simpatia grupal. Deste modo, mormente a proclamação de "salvadores", trata-se de um grupo afim e que passa a prestigiar exclusivamente os seus membros, desvinculando da "salvação" os depostos e os que não vibraram com o movimento revolucionário. Evidentemente, se a fidelidade, tolerância, renúncia, honestidade e o verdadeiro patriotismo de raça existissem unificados por um esquema evangélico do bem alheio, jamais haveria necessidade de revoluções, as quais apenas significam o corolário de uma insatisfação coletiva!
Ademais, os homens terrenos ainda ignoram quais são os tipos de suas reações mentais e emotivas diante de acontecimentos incomuns, aos quais são lançados intempestivamente. Assim, eles podem variar e exceder-se profundamente ao contrário dos hábitos comuns, mudando o seu procedimento conhecido e revelando-se, às vezes, em completo antagonismo com as suas características conhecidas na vida cotidiana. Quem for uma incógnita para si mesmo, quando elevado ao cargo supremo de um povo, tanto pode ser benéfico como maléfico, dependendo das paixões, interesses ou ambições que o dominam. Sabe-se que muitos imperadores romanos iniciaram o seu reinado imbuído das melhores intenções, talo caso de Nero; no entanto, a volúpia do poder, a bajulação dos cabotinos e a perspectiva do luxo e do prazer, nutrem a vaidade, o orgulho, a desforra e outras paixões indesejáveis. Hitler parecia um homem inofensivo, servil e atencioso, quando era simples cabo do exército alemão, na guerra de 1914. No entanto, fascinado pelo comando e poder governamental, foi um verdadeiro flagelo para o mesmo povo que o aqueceu nas suas intenções e pretensos ideais de felicidade humana! Sem dúvida, isso ocorre também com os líderes revolucionários, pois são raros os que conseguem lançar-se do anonimato às credenciais do poder, mas sem tumultuar-se escravo das paixões e vaidades, que dormitavam sub-repticiamente no âmago de sua alma imatura!


Pergunta: - Mas, evidentemente, há sempre uma boa intenção quanto à iniciativa de homens, os quais se congregam para mudar um regime ou governo indesejável e até corrupto, não é assim?
Ramatís: - Na qualidade de espíritos desencarnados, e interessados no comando superior do Cristo, não pretendemos analisar quanto à "psicologia das revoluções", nem quanto às motivações políticas ou sociais que as promovem. Enquanto o homem não mudar visceral e interiormente, ele viverá em guerra com as suas próprias paixões e seus vícios escravizantes. Então não haverá paz e ventura na Terra, seja qual for o tipo de doutrina ou sistema adotado para se governar o povo. A revolução é tão permanente na alma do homem terrícola que ele à tarde arrepende-se do que fez pela manhã, numa perfeita guerra consigo mesmo! Assim permanece a luta silenciosa ou ruidosa no seio da família, da vizinhança, nas ruas e nos estabelecimentos de trabalho, na diversão e até devoção! Os jornais comentam em "manchetes" berrantes, roubos, crimes, estupros, violências, assaltos, loucuras alcoólicas, viciações de entorpecentes, adultérios, prostituição, latrocínios e corrupção pública! Porventura, alguma revolução liderada por grupos de políticos ou patriotas aquecidos por paixões algo semelhantes poderá harmonizar e solucionar esse estado crítico e revolucionário inato no homem terreno?
O advento do Cristo também foi uma revolução, pois de sua atuação sublime no mundo "mudaram-se" todas as formas de ação humana, onde o amor deve substituir o ódio, a humildade o orgulho, a renúncia à pilhagem, o bem ao mal, a paz à guerra!... O Mestre Jesus não se endeusou sob a vaidade infantil dos distintivos e penduricalhos no peito perecível, nem liderou homens na gloríola do poder transitório; mas ele revolucionou o mundo lavando os pés dos apóstolos e sacrificando a sua vida pela felicidade da humanidade! Foi um revolucionário jamais igualado, porque ensinou o governo do espírito sobre as paixões e os vícios, em verdade, os piores inimigos do homem! Nas guerras ou revoluções do mundo, os militares ou civis marcham eufóricos pelas ruas em passeatas crivadas de símbolos, bandeiras, fanfarras, e fuzis, quais "salvadores" liderados pelos seus cabeças, êmulos de "Duces" e "Führers", que depois transformam as suas pátrias em ruínas! 52 Jesus, no entanto, era apenas o "Grande Amigo", cujo séquito revolucionário era composto de viúvas, pescadores e homens pacíficos, que manuseavam as armas do Amor para estabelecer a paz e a Compaixão na alma!

52 - Nota de Ramatís: - Louvamos o vosso povo, cujas revoluções tendem cada vez mais para soluções tranqüilas e sem derramamento de sangue. Só as nações "superdesenvolvidas" em espírito sabem resolver os seus problemas vitais e complexos políticos a distância da violência, trucidamento e desforras fratricidas! Daí o Alto confiar que o Brasil será o povo mais fraterno e espiritualista do mundo, a distância das guerras e revoltas homicidas, terra esperançosa, onde os próprios militares trocam o "manual de guerra" pelo Evangelho do Cristo, na sua participação às cruzadas militares espíritas e movimentos pacíficos de Umbanda.

Através do silencioso comando da alma, Jesus instituiu a revolução do Amor, do Bem e da paz para toda a humanidade, independente de raças, credos, sistemas políticos ou entendimentos intelectivos. Enquanto isso, no mundo profano, o "chefe revolucionário" exige que sejam cumpridas as suas próprias preferências, simpatias e modo de julgar o mundo, isto é, o seu comportamento particular deve ser modelo de todos os seus comandados! Quando ele é visceralmente católico, como Franco e Salazar, o Clero amordaça e domina quaisquer movimentos espiritualistas liberais; sendo ateu, há relativa liberdade de agirem os ateus, mas amordaça as doutrinas religiosas desprotegidas no regime inconstitucional, predispondo os quadros melodramáticos dos martírios! Se for um governo espírita, e possível que mande fechar as Igrejas e os terreiros de Umbanda; se for um governo fanatizado pela Umbanda, talvez feche todos os centros espíritas kardecistas! Catarina de Médicis matava os católicos na França, mas Calvino, protestante, mata Servet na Basiléia, enquanto os huguenotes "modernistas", que fugiam para a Nova Inglaterra, eram assassinados pelos fanáticos "conservadores" da mesma crença! Os cruzados matavam os fiéis sarracenos, e os muçulmanos e budistas hoje ainda se matam impelidos pela mesma ferocidade do tempo das cavernas! No entanto, qual é o fundamento específico da revolução trazida pelo inesquecível Jesus, senão o mandamento "salvacionista" do "Ama o próximo como a ti mesmo"? E para os revolucionários nutridos pelo ódio, pela vingança e pelos assomos exagerados de salvação pátria, em geral, o Divino Mestre recomenda: "Aquele que perder a vida em meu nome, ganhá-la-á por toda a eternidade!"
Deste modo, embora se justifique o instituto das revoluções no mundo material terreno, na tentativa de corrigir a degeneração costumeira da administração pública ainda regida por homens imperfeitos, elas apenas fazem vibrar o coração dos novos patriotas, como a panacéia salvacionista do povo, ante a esperança única pela "mudança" das coisas vigentes! O povo sente-se feliz no advento revolucionário, crente de que o novo regime há de ser melhor que o governo exonerado. No entanto, em face da proverbial imperfeição humana, não somente os "salvadores" esfriam os seus ímpetos de euforia pátria, no decorrer da administração, como ainda penetram no movimento libertador homens oportunistas, medíocres, ambiciosos e hipócritas, cujo mimetismo de patriotismo retardado chega a impressionar os autênticos! Daí o aforismo tão comum, de que "a vassoura varre bem no primeiro dia"!
E, inexoravelmente, como é tão comum na face do orbe terráqueo, vão se deteriorando os fundamentos sadios traçados pelos revolucionários sinceros e impolutos, que logo se surpreendem enfrentando as mesmas enfermidades legislativas, sociais, morais e administrativas dos seus antecessores julgados incompetentes e inescrupulosos! Sem dúvida, isso tudo acontece, porque o melhor governo revolucionário do mundo poderá modificar o conteúdo político de um povo, jamais o seu conteúdo espiritual, que requer outra espécie de revolução endógena, no seio da alma enferma!


Pergunta: - Mas um governo inteligente, operoso e honesto não proporciona um ambiente favorável para melhor índice educativo, social e assistencial do seu povo?
Ramatís: - Não basta apenas proporcionar o ambiente favorável pelo advento tecnológico ou científico, para que o povo adquira a compreensão de si mesmo, pois até sábios, cientistas, técnicos e grandes cerebrações políticas e filosóficas do mundo têm-se tornado assassinos ou corruptos! Evidentemente, eles tiveram todos os recursos para atingir o grau incomum que puderam manifestar sobre a maioria da humanidade; mas a sua mediocridade espiritual os levou a cometer crimes e atos tão condenáveis quanto as ações culposas de um carroceiro ou campônio iletrado! Deste modo, concluímos que o mais requintado ambiente técnico-científico-intelectual do mundo jamais proporcionará a educação espiritual que só é possível através de um Código como o Evangelho do Cristo!
Na era pré-histórica os homens matavam-se com tacapes de pau; depois destruíam-se a distância com torpedos de pedras lançadas por catapultas; mais tarde duelavam-se à espada e facões; em seguida, passaram a torrar hereges nas fogueiras da Inquisição, ou matando com arcabuzes nas sangrentas empreitadas das Cruzadas, na Ama, ou na "Noite de São Bartolomeu", na França. Finalmente, o mundo então foi agraciado por um notável surto de descobertas científicas e invenções técnicas, que desenvolveram o conhecimento humano na caudalosa produção de livros, revistas e panfletos acessíveis a todas as criaturas. O primata hirsuto das cavernas transformou-se no cidadão barbeado e vestido de casimira, num gênio criador de computadores, submarinos atômicos, foguetes teleguiados, satélites artificiais e espaçonaves a pousar na Lua, além de dispor de fabulosa força extraída da intimidade atômica! É o poderoso mago moderno, cujas façanhas pelo controle remoto e a capacidade de fender o seu próprio planeta, põe num chinelo o lendário gênio da lâmpada de Aladim!
Sem dúvida, isso seria bastante para melhorar o índice educativo, moral, social, assistencial e o amparo do povo; no entanto, o terrícola apenas refinou a sua arte de matar, provando, mais uma vez, que toda realização sem a égide do Evangelho do Cristo é infrutífera, criticável! É de senso comum que são os governos inteligentes e dinâmicos que favorecem o clima para a Ciência e a Técnica proporcionarem o máximo de conforto e requinte à humanidade terrena. Enquanto o rádio coloca o homem em contacto com todas as latitudes geográficas do orbe, a televisão fornece-lhe imagem instantânea dos povos mais distantes! A mulher moderna libera-se das injunções humilhantes do trabalho forçado no lar, pois hoje dispõe do liquidificador que substitui a anacrônica batedeira muscular, o fogão elétrico ou a gás extinguiu a função de foguista doméstica, a enceradeira opera servilmente aliviando o pesado trabalho da limpeza do assoalho. A lâmpada mercurial substitui o lampião fumarento, a cinematografia panorâmica aposentou a velha lanterna mágica expondo as imagens animadas e coloridas sob o som estereofônico!
Em face dessas realizações técnicas, científicas e culturais modernas, os ricos de ontem seriam atualmente bem pobres, malgrado sua fortuna estagnada na frialdade de uma vida despida da vivacidade atual. A divulgação fácil de livros, os recursos modernos de alfabetização, a cultura através de cursos básicos, intensivos e técnica eletrônica, ainda a leveza do traje de tecido adequado à profissão ou situação, as soluções vitamínicas, o controle especifico sobre o recém-nascido, o exame "pré-nupcial", a hibernação, o transplante de coração, rim, pâncreas ou olhos e as pílulas anticoncepcionais, proporcionam ao homem do século XX uma vivência venturosa. A era do plástico, a modernização dos estabelecimentos de ensinos, a alimentação sintética e enlatada, a assistência social dos' institutos e a previdência do seguro, a intelectualização dos militares, a piscina da associação desportiva, a prodigalidade de creches, asilos de velhos, nosocômios, institutos de recuperação mental, aparelhamentos modernos para cegos, surdos-mudos e mutilados, porventura foram capazes de solucionar os ingentes problemas milenários do espírito?


Pergunta: - Poderíeis estender-vos mais um pouco sobre esse assunto de um modo ainda mais objetivo?
Ramatís: - Que faz o homem moderno, cientifizado, psicoanalisado, checado física, intelectual e psiquicamente? Que se submete a todas as descobertas científicas, conhece todas as nuances da psicologia moderna, queima fosfatos na emperrada pesquisa parapsicológica, comanda pequenos feudos de computadores, controla "robots" subservientes, capaz de pulverizar milhares de criaturas ao simples toque de um botão eletrônico, como o fez em Hiroshima? Enfim, qual é a notável diferença que existe, hoje, no homem, e o seu passado de troglodita? Antigamente, quando vivia nas cavernas matava o próximo a pauladas; hoje assassina o semelhante a pistola eletrônica com silenciador; arrastava a mulher do vizinho troglodita para satisfazer os seus instintos campos afora; hoje, faz o mesmo com a mulher do amigo, carregando-a de "galaxie" ou "impala" Morava em grutas de pedras, atualmente copia a vida dos insetos morando em canudos de cimento; torrava os hereges de modo anti-higiênicos, presentemente pulveriza-os sob a explosão da bomba atômica! Há milênios movimentava carroças ferradas sobre tapetes de corpos vivos de crianças, velhos e mulheres nas tropelias bíblicas; hoje os esmaga sob as lagartas dos tanques homicidas!... 53

53 - Vide em "Reis", Livro 2°, capítulo XII versículo 31 da Bíblia, os bárbaros massacres de David e seus exércitos sobre os amonitas e moabitas, quando mandava passar carroças com pontas de ferros sobre os infelizes prisioneiros estendidos ao longo das estradas. Quando os Judeus eram conduzidos para o campo de concentração de Treblinka, na última guerra nazista, houve casos em que os tanques alemães os esmagavam, espremidos entre as margens da estrada, cujas lagartas ao girarem ensangüentadas, mostravam pedaços de fígado, rim, corações, braços e pernas dos massacrado. Vide a obra sobre Treblinka.

A técnica e a ciência vinculadas para os mesmos objetivos atualmente oferecem os mais brilhantes e eficientes ensejos para o terrícola exercer a sua incúria espiritual. Aqui, desentoca infelizes homens subnutridos e acovardados e os liquefaz pelo fogo líquido do "napalm"; ali, trucida pela bomba atômica os inimigos de raça diferente; acolá, estraçalha corpos de jovens sob a metralha eletrônica em defesa de tolos sistemas políticos. Em tempos idos, o ser humano viajava algumas semanas, a cavalo, para enterrar o punhal na barriga do adversário; hoje, graças ao avião a jato supersônico, ele pode fazer o seu desjejum em Nova Iorque, almoçar em Lisboa e matar o desafeto em Paris, à hora da ceia! Inegavelmente, houve significativa evolução da humanidade, com seus métodos modernos e aperfeiçoados para matar, quando se pode liquidar em poucos minutos milhares de criaturas, que antes exigiriam fatigantes meses e anos de batalhas ininterruptas. É por isso que certo escritor jovial, brasileiro, num feliz momento de humorismo, descreveu o homem moderno como "um macaco que freqüenta o barbeiro"! 54

54 - Berilo Neves.

Apesar de tantas realizações louváveis e surpreendentes, a humanidade terrícola ainda é incapaz de ser feliz, pois enfrenta os mesmos problemas de ordem espiritual de antanho. Os partidos políticos, os sistemas doutrinários, as castas sociais e as segregações raciais constituem tremendas limitações verrugosas no corpo sadio da vida feita por Deus! Malgrado as reuniões amistosas de classes profissionais, confraternizações artísticas, os congressos eucarísticos, simpósios de espíritas e outros empreendimentos de espiritualistas modernos, apenas se verifica uma verbosidade avassalante sem resultados práticos, porque os homens, no âmago da alma, ainda são dependentes das superficialidades e dos interesses do mundo transitório da carne!
Raras criaturas importam-se, realmente, em investigar a autenticidade do espírito imortal em sua manifestação educativa na face do orbe, a fim de nortear a sua vivência sob o imperativo da vida superior. Por isso, também não sabem governar e governar-se, até o dia em que coloquem acima das circunstâncias provisórias da existência física a norma da vida verdadeira do espírito!


Pergunta: - Que dizeis das doutrinas socialista, fascista, democrática ou nazista?
Ramatís: - É evidente que na condição de espíritos desencarnados não nos preocupam rótulos, fórmulas, preconceitos políticos, racistas ou "ismos" que identificam movimentos socialistas, nazistas, democráticos, capitalistas ou fascistas de pouca importância para o revestimento exterior, quando o conteúdo continua deteriorado!
São empreendimentos que se constituem na cúpula de proteção a certos grupos de homens congregados pela mesma simpatia pessoal e devotados à mesma concepção política, e que eles consideram a panacéia preferida para solucionar os problemas humanos. Daí o fanatismo e o devotamento servil desses grupos ao "seu" sistema político, e que o consideram o melhor do mundo, o mais adequado e certo, embora isso não agrade aos adeptos de outras doutrinas algo semelhantes. Indubitavelmente, tais sistemas por mais sensatos ou lógicos que os julguem, serão superados com o tempo e em face da modificação e evolução dos costumes e temperamento dos homens. A história é pródiga em comprovar inúmeros sistemas e doutrinas econômicas, políticas, filosóficas e até educacionais, que de maneira alguma poderiam ajustar-se hoje ao pensamento e à emotividade do homem-atômico! Tais sistemas podem atender as necessidades de um povo, em determinada época e nos limites idiossincrásicos desse povo; jamais servirá para a cobertura de toda a humanidade, sequer de outra nação! Ademais, tratando-se de conjuntos de homens de espírito primário, como são os terrícolas, os seus sistemas e doutrinas estão eivados dos mesmos defeitos que tais homens ainda não puderam extinguir em si próprios! Não importa ser nazista, democrata, capitalista, fascista ou socialista, e a ardente preocupação de "salvar" a humanidade pelo seu sistema político mais simpático, caso o homem não consiga "salvar-se" a si mesmo, libertando-se do vício de fumar, beber, comer as vísceras sangrentas dos irmãos inferiores, inclusive do domínio das paixões funestas! Isso tanto avilta o indivíduo que o comete, como o povo, sistema ou doutrina, que tenta a salvação política de outra nação, mas sobrecarregada das mesmas infâmias, avarezas, inescrupulosidades, ódios, vícios e vinganças partidárias!


Pergunta: - Porventura, entre tais sistemas, um deles não poderia solucionar de modo mais sensato e eficiente os problemas do mundo?
Ramatís: - Doutrina por doutrina, sistema por sistema ou "ismo" por "ismo", ideados e compilados por homens defeituosos, é preferível o "Evangelismo", ou doutrina de Jesus, que além de ser o homem mais santo e mais sábio, é também o melhor amigo do homem! Trata-se de doutrina sadia, universalista e incriticável, que praticada por todos os homens elimina definitivamente todas as dificuldades, carências e desventuras da humanidade! Não é de estrutura capitalista, fascista, democrática, nazista ou socialista, mas simplesmente regida por uma regra áurea e irredutível, que é o sublime sentimento do Amor! Os homens hão se salvam substituindo sistemas políticos, mas exclusivamente pelo exercício incondicional do Amor!... No deserto da vida humana, só a doutrina de Jesus é o "oásis" capaz de dessedentar a sede do viandante mais desesperado e infeliz. É a fórmula inalterável em qualquer latitude geográfica do mundo, clima social, político ou religioso, como a mais avançada solução moral e espiritual das relações entre os homens! "Ama o próximo como a ti mesmo" e "Faze aos outros o que queres que te façam", não se refere especificamente a grupos de homens socialistas, fascistas, democratas, nazistas, capitalistas, comunistas ou socialistas, porém, ao gênero humano!
Os homens podem alegar que é difícil viver o Evangelho, tal qual o Mestre Jesus o viveu; mas nenhum homem do mundo poderá negar que, se tal Código Moral for praticado pela humanidade, extinguem-se todos os problemas econômicos, financeiros, políticos, morais, racistas, religiosos, e até recupera-se a saúde humana pela libertação dos vícios e das paixões mórbidas! Em conseqüência, não somos por nenhum partido, doutrina ou sistema político, filosófico ou religioso do mundo, mas apenas pelo "amor" pregado e vivido pelo Cristo-Jesus, o qual é independente de quaisquer diferenciações de raça, cultura, fortuna, política ou religião!


Pergunta: - Tratando-se de assunto de suma importância para a nossa observação e aprendizado, gostaríamos de receber outras considerações, de vossa parte, e relativas ao "Evangelho de Jesus", num confronto com as doutrinas do mundo!
Ramatís: - É de senso-comum que a saúde de um conjunto depende da saúde das partes; em conseqüência, o equilíbrio, a harmonia e a eficiência de um sistema político, social, cultural, religioso ou filosófico, terá de depender, fundamentalmente, das condições sadias das partes! A beleza panorâmica de um jardim depende da harmonia e coerência estética entre as espécies de flores que o compõem.
Assim, os governados não podem criticar os seus governos, pois eles constituem-se na cobertura ou superestrutura dos valores positivos e negativos do próprio povo a que estão vinculados. Muitas vezes, os indivíduos de certo sistema político exigem um governo perfeito dentro de um ambiente em que praticam e consentem as mais censuráveis relações ilícitas de ordem comercial, política ou moral. Agiotas, proxenetas, ladravazes, homossexuais, mistificadores, hipócritas, prostitutas, avarentos, falsários, sonegadores, imorais, fanáticos, subversivos, homicidas, alcoólatras e outros viciados não se pejam de censurar e arrasar o governo a que deram o seu voto, exigindo um homem iluminado no seio da própria abominação!
Há quem critica a administração pública junto à mesa regada a álcool dos ambientes prostituídos; aqui, o negociante acusa severamente a inescrupulosidade do governo, enquanto rouba furtivamente no peso da mercadoria comprada pelo freguês; ali, o cidadão se enfurece exigindo mais assistência pública, enquanto sonega o fisco e o imposto de renda; acolá, comenta-se a negociata dos representantes do governo, ouvindo-se o rádio adquirido de contrabando! Então exige-se dos responsáveis administrativos o máximo de perfeição, enquanto, sub-repticiamente, praticam-se atividades ilícitas e censuráveis pela moral comum!
Evidentemente, pouco importa a natureza dos sistemas políticos e doutrinários do mundo que eles governam, sejam fascistas, democratas, capitalistas, nazistas, comunistas ou socialistas, caso os homens que os compõem ainda são ineptos, imorais, desonestos, agiotas, fanáticos, racistas. viciados e maldosos! Assim como o vinho azedo não se modifica para melhor qualidade pela simples troca de rótulo, o mundo jamais logrará o seu equilíbrio mudando de sistemas políticos, ou etiquetas "salvacionistas" que não melhoram o conteúdo humano! Daí a ascendência do sistema "Evangelho", fruto de uma vivência da maior fidelidade ao gênero humano, o qual é o denominador comum de um estado de espírito superior, como é o Amor, acima de qualquer interesse político ou doutrinário!


Pergunta: - Mas um governo de homens honestos e criteriosos também proporciona um clima estimulante para a dignidade humana, não é assim?
Ramatís: - A humanidade é um todo que se move lentamente em ciclos, caminhando em direção a um objetivo superior a felicidade espiritual! Esses ciclos se renovam e retornam à proximidade da fase inferior já ultrapassada anteriormente, decorrendo os períodos de "exaltação" e períodos de "humilhação" espiritual. Lembra a onda do mar: quanto mais alta se ergue, mais fundo depois ela cava! É uma espécie de "maré" espiritual, cujo ritmo exige as fases positivas das atividades no trato da matéria e as fases negativas da reflexão sobre o que foi sucedido!
Examinando-se a história da humanidade terrícola, verifica-se que ela tem vivido períodos "sombrios", quando naufraga na crista das ondas do vício, do deboche, da paixão desregrada, do amordaçamento de consciências, e os períodos felizes do renascimento tranqüilo e criador do oceano calmo, onde se exalta o amor, a arte, a poesia e a beleza entre os homens! A Idade Média foi um período sombrio, enquanto a Renascença deixou um rastro de luz!
Todos os povos e nações são agraciados, periodicamente, por ensejos de renovação moral e de reajuste econômico, num aproveitamento letivo que lhes apressa a marcha espiritual. Daí comprovarmos que os piores males do mundo também são entremeados de bens salutares. Mesmo em Roma, na série de imperadores orgíacos, debochados, cruéis e cretinos, como Nero, Calígula, Tibério, Caracala, Heliogábalo ou Cômodo, houve entreatos louváveis sob o comando de homens sóbrios, frugais, probos e inteligentes, como Vespasiano, Marco Aurélio e outros.
Mas a dignidade pública não é fruto da substituição de homens, porém da renovação de cidadãos acima das paixões violentas, das ambições desmedidas, criaturas que se elegem pela sua vivência de longo tempo numa conduta espiritual superior. No mesmo caldo de cultura, onde se alimentam os homens que constituem o todo de uma nação, também se geram os seus governantes com atributos favoráveis ou desfavoráveis inerentes ao ambiente.


Pergunta: - Porventura já estaria prevista pelos mentores da Terra a ação nefasta de um Hitler, que, após galgar o poder absoluto, levou a Alemanha e o mundo a uma hecatombe guerreira?
Ramatís: - Em verdade, nada sucede na face do planeta sem que o Governo Oculto do mundo saiba ou já não tenha previsto, dentro do velho provérbio de que "não cai um fio de cabelo da cabeça do homem sem que Deus não saiba"!... Ademais, os povos elegem para seu governo ou patrono o homem capaz de materializar-lhes os caprichos, ideais, as ambições e a própria moral! Adolfo Hitler, por exemplo, não foi um flagelo acidental e injusto, mas ele corporificou, na época, o "desejo coletivo" ou o "estado de espírito" manifesto e latente nos próprios alemães. Ele apenas materializou numa ação coletiva belicosa as próprias tendências do povo que o havia eleito para o cargo supremo; interesses recíprocos e empreitadas particulares aqueceram-lhe o crescimento ditatorial, numa espécie de acomodação silenciosa e tácita e por voluntária omissão. Caso o povo alemão não tivesse manifestado essa índole, vibrado psiquicamente com as idéias perigosas e megalomaníacas de Hitler, evidentemente o teria afastado do poder no início de sua campanha, como um indivíduo insensato e perigoso! Então ele foi o catalisador psicológico e temperamental dos súditos alemães, progredindo no terreno fértil dos desejos beligerantes e ambiciosos da própria nação!
Em qualquer outro planeta, um grau espiritual acima da Terra, Adolfo Hitler e seus asseclas seriam recolhidos imediatamente a um hospital para tratamento mental. Jamais encontrariam qualquer estimulo ou eletividade para a sua empreitada de assaltos, pilhagens e massacres de criaturas de outros países mais débeis! Para conseguir isso, ele recebeu o apoio do seu povo, abriu-lhes as comportas das paixões belicosas e insensatas, encontrou colaboradores e até servos entusiastas que lhe concretizaram as idéias perigosas, vinganças insensatas e iniciativas tão negras como a morte de milhões de judeus nos campos de concentração!... A sua entrada na Áustria foi festejada sob o dossel de flores e vivas; a sua primeira vitória sobre a Polônia enfraquecida arrancou os mais retumbantes aplausos da juventude alemã, comprovando-se perfeita simbiose de governo e governados! É certo que os aliados também trouxeram o seu feixe de lenha à fogueira que Adolfo Hitler, mais ousado, imprudente ou louco, ateou fogo, e por isso foi responsabilizado como o principal culpado!
Entretanto, quando a humanidade vive períodos tranqüilos e que faz jus a melhor roteiro espiritual, o Senhor envia um Crishna, Buda, Rama, Gandhi e o magnífico Jesus, que deixam um sopro de ternura, compaixão e paz no mundo! Mas quando o mundo ferve, em alta tensão, e os povos se excitam nas suas paixões ambiciosas, perturbando a marcha normal do conhecimento do espírito, então encarna-se um Alexandre, Aníbal, Gengis-Kan, Atila, Júlio César, Napoleão ou Hitler, que, na figura de verdadeiros cirurgiões da humanidade, semeiam a dor e o sofrimento coletivo, trazendo o bem pelo mal. Os homens terminam por expurgar o veneno que se acumulava no âmago da alma por excitação de sua origem animal; concretizam em atos maldosos, à luz do dia, o que lhes vibrava no silêncio de sua própria covardia!


Pergunta: - Qual seria um sistema de governo mais compatível com a nossa atual graduação psicológica ou espiritual?
Ramatís: - Repetimos, novamente, que há de falhar qualquer governo enquanto os vossos legisladores e sociólogos tentarem harmonizar social e politicamente o mundo através de sistemas ou doutrinas elaboradas por grupos de homens, quais verrugas no organismo coletivo da nação! Quer se trate de uma doutrina fascista, democrata, capitalista, comunista ou nazista, sempre há de atender às ambições, à capacidade, aos costumes, à vaidade e ao interesse de um grupo simpatizante, porém improfícuo e até nocivo para os outros conjuntos de homens ou doutrinas políticas. Embora milhares ou milhões de indivíduos se afinizem a uma doutrina ou sistema político que julgam o "melhor" do mundo, eles estão vivamente preocupados com a sua própria segurança pessoal, jamais com a humanidade! Só em casos raríssimos surge o herói capaz do holocausto para o bem do povo e da raça humana! E a explicação é muito simples, pois todo indivíduo que deseja, realmente, servir ao próximo, jamais se filia ou se coloca sob qualquer sistema político, doutrina religiosa ou agrupamento social para exercer o seu sentimento sublime! Ele sabe que os homens vinculados pelos sistemas políticos do mundo ainda não oferecem condições para viver a plenitude de um sacrifício pelo bem alheio!
Em conseqüência, rebuscando o passado histórico até os últimos dias da vida moderna, a fim de ser encontrado um gigante, sábio, cientista ou psicólogo autor de algum sistema ou Código Moral miraculoso para "salvar" a humanidade, eis que esse homem é o Cristo-Jesus! Sob o seu comando cessam conflitos, fanatismos, ambições, desonestidades, vícios, vaidades, orgulho, avareza, racismos e crueldades, porquanto o seu estatuto exige, incondicionalmente, que o candidato tem de "Amar o próximo como a si mesmo"!


Pergunta: - Que deveríamos compreender por esse "amor incondicional" a todos os demais indivíduos?
Ramatís: - O amor, pacifismo, perdão e a bondade, filantropia, humildade, tolerância, honestidade e ternura são estados superiores de espírito idênticos em qualquer latitude geográfica do orbe, quando expressos por qualquer raça e por indivíduos pertencentes a qualquer partido ou doutrina política. Se o comunista, nazista, democrata, fascista, capitalista ou socialista é bom, nobre, gentil, amoroso, fraterno e piedoso, pouco importa o rótulo que ele sustenta ou o sistema político a que se filial Na verdade, ele se integra ao Código Moral do Cristo, que é o Amor Universal, malgrado a cor do seu uniforme, a insígnia que ostenta no braço, o líder político que admira ou a doutrina que defende! O judeu, africano, esquimó, alemão, americano, turco, hindu ou árabe, quando humilde, honesto, fraterno, pacífico e amoroso, não se diferencia pela sua raça, mas identifica-se pelo mesmo estado de espírito elogiável. Assim, não existe uma humildade "propriamente alemã", um amor "propriamente russo", ou uma renúncia "propriamente hindu"! Tais virtudes existem latentes em todos os homens, porque descendem do mesmo Deus, e isso sempre lhes tem sido ensinado por todos os legisladores interessados na saúde espiritual da humanidade!


Pergunta: - Temos observado que os governantes, na Terra, dificilmente crêem ou admitem na existência de um outro governo oculto, que do mundo espiritual vigia-lhes as atividades públicas! Que dizeis?
Ramatís: - Sem dúvida, esses homens ignoram que são apenas mordomos da Administração Sideral, cujos atos públicos desonestos ou imprudentes depois serão julgados com maior severidade do que a legislação falha e subornável do mundo material! Jamais abusarão impunemente do patrimônio coletivo que recebem em confiança do seu povo, pois, se não há tribunais divinos exarando pessoalmente sentenças punitivas, a Lei do Carma é inflexível e severa, obrigando qualquer delinqüente a pagar ou indenizar os prejudicados até o último ceitil!
Os políticos e administradores públicos corruptos traem a confiança do Senhor; como os filhos degenerados abusam do patrimônio Pertencente a todos os membros da família. Embora tais homens consigam tangenciar as leis do mundo físico, eles terão de indenizar completamente os prejuízos ocasionados pelas suas, ambições e atitudes inescrupulosas. Os políticos do mundo podem iludir e mistificar as criaturas que confiam em suas promessas e sofismas, mas não se livrarão das severas sanções espirituais por muitas existências posteriores.
Quem aceita ou busca a responsabilidade de gerir e administrar bens e valores da coletividade humana, que o faça de modo digno e criterioso, senão há de consumir alguns séculos na infeliz condição de calceta espiritual, cuja pena só termina com a devolução integral de todos os bens surripiados.


Pergunta: - Qual seria a forma ideal de governo para a nossa humanidade?
Ramatís: - Considerando-se que o cérebro humano é um conjunto diretor, composto de centros coordenadores de diversas atividades, funções e necessidades do corpo carnal, sob uma só vontade uníssona no controle de todas as funções orgânicas, o governo mais proveitoso e sadio para o "organismo" da humanidade seria algo assim semelhante. Poderia ser eleito um conselho governamental, escolhido exclusivamente entre os homens selecionados pela sua moral superior, vontade firme, renúncia absoluta, disciplina, talento, honestidade, formação científica e incondicionalmente universalistas!
Seriam criaturas eleitas pelo seu amadurecimento biológico e espiritual, e não por efeito de contagem de votos do partido político majoritário sob estrondosas campanhas eleitorais. Um conjunto governativo, eleito de "cima para baixo", composto de almas de maturidade espiritual, leais, desprendidas, estóicas, reconhecidas pelo povo como as mais capacitadas para governarem sem locupletar-se dos bens da comunidade. Antes de simples produtos de advento político, da simpatia de grupos populares ou de propaganda política partidária, seriam apenas "cérebros" e "corações" comprovados sadiamente nas atividades comuns da vida cotidiana.
Assim como há conventos de labores veneráveis e dignos, destinados a redimir ou disciplinar homens perturbados no mundo profano, que mais tarde podem voltar para sua antiga atividade a fim de orientar os companheiros em dificuldade espiritual, também deveriam existir na Terra instituições especializadas para treinar homens destinados à função correta de governar. A renúncia de si mesmos a qualquer espécie de glória política ou interesses pessoais deve ser-lhes a premissa fundamental para governar o patrimônio de um povo e jamais traí-lo, como ainda é tão comum no mundo! Isso nos comprova o próprio cérebro humano, que não demonstra nenhuma simpatia ou interesse por determinado órgão do corpo humano, mas atende a todos conforme a sua necessidade "organo-funcional"!
Todo homem que movimenta campanhas políticas visando ao seu interesse pessoal, de início frauda os ideais e os sonhos do seu povo, em favor exclusivo de si mesmo. O governante há de ser homem humilde, sábio, gentil, ativo, desprendido, justo, severo, porém amoroso! Um coração de criança aliado ao cérebro de um gênio; há de ser, enfim, um anjo-sabido. E só poderá governar sem censuras quem se decida a servir exclusivamente a seu povo, colocando a sua própria felicidade em sentido secundário!


Pergunta: - Evidentemente, é quase impossível conseguir-se, na Terra, um tipo de homem com tais credenciais superiores. Ademais, observamos que os verdadeiros espiritualistas parecem :fugir de qualquer governança no mundo. Que dizeis?
Ramatís: - Realmente, os homens conscientes de suas verdadeiras necessidades espirituais, em geral, são humildes e avessos às gloríolas do mundo material, às atividades ostensivas que evidenciam a personalidade humana transitória. Eles preferem comandar as suas próprias paixões e governar o seu instinto inferior, ajudando e passando sem preocupações de louvores ou gratidões. Não se fascinam pelos brinquedos dos encarnados, nem buscam os bens ilusórios da matéria, mas se interessam pelos valores definitivos do espírito eterno! Importa-lhes, antes de tudo, a condição de um apóstolo do Cristo do que as vantagens de um ministro de Estado!


Pergunta: - Em conseqüência, como constituir um Conselho Governamental, nobre e sadio, composto de homens forjados nas realizações espirituais superiores, quando eles não se consagram pela política do mundo, a única doutrina responsável por tal evento?
Ramatís: - Inegavelmente, isso é dificílimo porque o caldo de cultura onde se forjam os políticos ainda é de péssima qualidade, tal qual acontece com os povos e nações do mundo. Os povos ainda se separam por retalhos de fazendas coloridas, simbolizando as pátrias isoladas no seio da humanidade, e que alimentam a matança sistemática nos matadouros fratricidas das guerras!... O racismo, as diferenças de sistemas políticos e os interesses ambiciosos da especulação egotista insuflam o ódio nos dirigentes e eles se turbam movidos e estimulados por desforras, que cegam a verdadeira finalidade do espírito encarnado!
Em planetas mais avançados há um só governo administrando toda a humanidade, uma louvável "consciência coletiva" composta de homens de todos os matizes psicológicos e representativos de todas as atividades humanas, vinculados incondicionalmente ao lema de servir e produzir benefícios sob o mais alto nível de honestidade, renúncia e amor! São poetas, filósofos, médicos, engenheiros, professores, sacerdotes, militares, escritores, industriais, compositores, comerciantes, pintores e até operários, cujo grau de maturidade espiritual garante a harmonia e o perfeito entendimento governativo! De princípio, é uma consciência coletiva adversa à violência, capaz de ajustar todas as peças componentes do conjunto num só ritmo de ação progressista, assim como o cérebro é a cúpula protetora de todas as necessidades biológicas do organismo humano. Os departamentos de arte, ciência, educação, filosofia, magistratura, medicina, trabalho, religião e finanças então se constituem e funcionam sob uma vontade uníssona e equilibrada, tal qual o fígado, o estômago, o pâncreas ou rins são administrados por um cérebro sadio!
O poder que vem dos homens eleitos por suas virtudes superiores distingue-se frontalmente do comando dos homens astuciosos, egoístas e hipócritas, que saem da turba e são consagrados pelas campanhas políticas mercenárias, visando exclusivamente às ambições do partido vencedor. O governo ideal então seria formado por um conjunto de homens espiritualmente amadurecidos, em vez de religiosos ou políticos ainda ávidos dos tesouros do mundo transitório da carne!


Pergunta: - O que teríamos de fazer a fim de merecermos um governo superior no comando das instituições políticas e administrativas do nosso mundo?
Ramatís: - É evidente que os" "gangsters" são governados por outros "gangsters" mais poderosos, os negros africanos obedecem a outros chefes negros mais espertos; o povo romano orgíaco, inescrupuloso e rapinante, também era liderado por imperadores imorais do mesmo estofo, como Nero, Calígula, Cômodo, Tibério, Domiciano, Cláudio, Heliogábalo. Em conseqüência, só um povo evangelizado também há de merecer um governo superior e angélico, uma vez que os administradores públicos constituem-se no vértice da pirâmide dos próprios governados!
Porventura, Francisco de Assis, justo, humilde e puro, deveria governar uma nação belicosa, cruel e afeita à pilhagem como era Roma, na época dos imperadores degenerados? Jamais um coração terno e um cérebro angélico poderiam liderar a carnificina dos circos romanos, o vigarismo, a avareza, o mercado corrupto e o negócio da prostituição, que era financiado pelos próprios administradores de Roma! Homem piedoso, magnânimo, honesto, cândido, terno e puro. Francisco de Assis seria apenas um joguete nas mãos de indivíduos astuciosos, mercenários, hipócritas e cruéis!
Por isso, segundo o adágio comum, o "povo tem o governo que merece" e seria incoerência reclamar um governo perfeito, sadio e honesto, de um povo que ainda se compõe de homens corruptos, ambiciosos, viciados, inescrupulosos, avarentos, exploradores, aventureiros, traficantes, gozadores, Como ainda hoje acontece em certos países modernos e cientifizados! Mas, como já dissemos, há negociantes e industriais, por exemplo, que reclamam contra o poder governamental e o consideram corrupto ou explorador, enquanto misturam água no leite, batata no queijo, vaselina na manteiga, chuchu na goiabada; vendem carne e peixe podres, arriscando a vida do próximo! Alguns falsificam medicamentos, introduzem corantes nas melancias, pintam as laranjas, simulando amadurecimento, ou apuram o desenvolvimento das uvas com drogas químicas nocivas. Outros, enriquecem financiando a prostituição das moças ingênuas e desamparadas, habituam os escolares ao vício de entorpecentes, usam recursos artificiais no massacre dos cavalos velhos e enfermos para, enlatar o presunto da moda! Há profissionais que mantêm a indústria da cirurgia ou do câncer, especulando desenfreadamente com a dor alheia!
Em conseqüência, os terrícolas têm exatamente os governos que merecem, os quais refletem-lhes as próprias idiossincrasias e falsidades! No entanto, mercê da condescendência divina, quantas vezes homens de talento, progressistas, magnânimos, sensatos e probos, também têm governado no vosso mundo, numa verdadeira doação de graças prematuras?

Pergunta: - Quais as comprovações mais positivas de que os povos e as raças na Terra vivem e progridem sob as diretrizes inconfundíveis do mundo espiritual?
Ramatís: - Seria uma imprudência desastrosa para a humanidade terrícola, caso vivesse exclusivamente sob as diretrizes dos governos constituídos pelos homens encarnados! Aliás, nenhuma humanidade física vive sem a diretriz sábia e certa de uma Administração Sideral responsável pelo seu destino espiritual, que lhe provê todas as necessidades humanas e lhe disciplina todos os movimentos evolutivos do espírito imortal.
Mas, quando os homens se mostram sensíveis a ensejos espirituais redentores, o Governo Oculto do Orbe então envia os seus representantes, instrutores e legisladores, que se manifestam na Terra e se adaptam ao temperamento, à compreensão e aos costumes de cada povo ou raça! Há diversos milênios, Antúlio ensinou na Atlântida os primeiros rudimentos de espiritualidade superior, fundando o "Templo da Paz" e organizando sistemas que posteriormente os essênios reviveram na Judéia; mais tarde, os profetas brancos recolhiam os anciões desejosos de conhecerem a Verdade Imortal e refazerem o espírito fatigado da caminhada física. Hermes transmitiu aos egípcios os remanescentes dos conhecimentos atlantes e liderou movimentos iniciáticos, desenvolvendo a magia teúrgica e os ritos secretos de Osíris; na índia, Rama assenta as bases das instituições bramânicas e Crishna elabora os fundamentos esotéricos da investigação espiritual sem a prioridade religiosa; Buda, na Ásia, divulga o pensamento reto e o controle mental, ensinando o homem a dominar as paixões do corpo animal; Confúcio, gentil e cortês, prega e incentiva a honestidade pura nas relações humanas; Orfeu, na Grécia, expõe a realidade espiritual através do encanto da música e da poesia, abrindo caminho para os avançados conhecimentos de Sócrates e Platão; Moisés, malgrado a intransigência e a agressividade, disciplina o povo judeu, especulativo e belicoso, impondo as leis severas da justiça de Jeová, o deus único! Finalmente, outros instrutores de menor porte, mas também inspirados nos programas de sublime espiritualidade surgem, posteriormente deixando o seu rastro de luz em favor do terrícola, como Blavatsky, Anne Besant e Leadbeater, liderando a Teosofia; Max Handel ativando o Rosacrucianismo, Papus e Eliphas Levi tateando através dos meandros da magia prática e buscando os mistérios ocultos do "Véu de Ísis"! Finalmente, Allan Kardec codifica o Espiritismo, espécie de ocultismo popularizado e protegido sob genial filosofia de inspiração espiritual; convoca os homens a rebuscarem nos fundamentos da filosofia oriental as origens secretas da Lei do Carma e da Reencarnação, e, modernamente, Krisnamurti revive o "pensar reto" de Buda, mas sem o crivo do condicionamento místico e religioso!


Pergunta: - Se vos fosse dado eleger esse Conselho Governativo da Terra, quais os elementos que, simbolicamente, escolheríeis para isso?
Ramatís: - Sob a nossa visão espiritual, embora reconheçamos existirem milhares de homens dignos para tal encargo, escolheríamos doze membros, espécie de "tipos-padrões", que poderiam compor esse governo colegiado, uma consciência sadia e satisfatória para governar a humanidade terrena. Seria um conselho constituído pelas seguinte criaturas: Francisco de Assis, Mahatma Gandhi, Henry Ford, Buda, Edison, Cristóvão Colombo, Pitágoras, Miguel de Cervantes, Sócrates, Nostradamus, Leonardo Da Vinci e Juscelino Kubitschek. Entre outros elementos que ainda poderiam figurar nesse conselho, lembraríamos Platão, Helen Keller, João XXIII, Beethoven, Blavatsky, Paulo de Tarso, Allan Kardec, Júlio Verne, Pasteur, Lincoln, Maharichi etc., espíritos cuja diversidade de ação e capacidade mental poderiam fazer a cobertura das necessidades de um povo bem governado.

Pergunta: - Poderíeis explicar-nos o porquê dessa heterogeneidade de tipos, onde figuram criaturas apolíticas, santificadas, industriais utilitaristas, filósofos, artistas, escritores, profetas e líderes religiosos?
Ramatís: - Estamos apontando criaturas que possuem determinada qualidade, talento ou experiência incomum na vida, e que possa constituir um centro de atividade ou sensibilidade nesse Conselho Governamental, lembrando os recursos e as qualidades de um cérebro sadio no comando do organismo físico. Assim teríamos uma consciência dotada de todos os recursos e qualidades específicas, para governar com mais eficiência um povo ou nação, onde certos elementos figuram com a função ativa e criadora, outros significam a experiência, o bom senso ou a disposição analisadora.
Assim, esse governo colegiado terreno, que configuramos em face de sua existência tão comum noutros planetas superiores, apresentaria mais capacidade para governar, visualizando todas as necessidades da coletividade em qualquer setor de sua manifestação. A pureza do sistema seria alicerçado na renúncia de Francisco de Assis; a tendência belicosa neutralizada pela "não violência" de Gandhi; o utilitarismo criador e o bom senso industrial através de Henry Ford; o "pensar reto" e o poder sadio mental expresso por Buda; o talento inventivo estimulando as realizações progressistas em favor da coletividade sob o comando de Edison; a coragem e o pioneirismo por Cristóvão Colombo; a disciplina e ascese espiritual do povo sob a inspiração de Pitágoras; Cervantes, o senso crítico apurando os excessos da materialidade de um Sancho e consagrando a candidez e o idealismo de um Don Quixote; Sócrates o autoconhecimento e a visão superior da vida humana na sua filosofia incomum; Nostradamus traçando rumos proféticos para o futuro, Leonardo Da Vinci o enciclopedismo humano a serviço dessa consciência, e, finalmente, o arrojo criador de um Juscelino, prevendo a vivência sadia das metrópoles do terceiro milênio, onde a cor, o oxigênio e o bom senso das edificações e amplitude das avenidas evitam a poluição do ar e agiu ti nação de bactérias mortíferas! E na reserva dessa consciência tão salutar e governante da humanidade terráquea, através dos tipos-padrões mencionados, ainda podem figurar Platão, "o corpo são e a mente sã", Helen Keller, o tipo consagrado da vitória do espírito sobre a matéria perecível, João XXIII capaz de superar um ambiente conservador, como a Igreja Católica, abdicar do seu pedestal homérico de papado, para dialogar com o homem simples e incentivar a comunicabilidade de todas as religiões do mundo; Beethoven, o monumento musical criando sons para o espírito de todos os homens, Helena Blavatsky, a mais ousada pesquisa no campo do mundo oculto, exumando à luz do dia os segredos da humanidade esotérica; Paulo de Tarso, estoicismo, perseverança, coragem e inteligência a serviço do Cristianismo; Allan Kardec, o bom senso encarnado, espírito disciplinado e ordeiro, que escoimou o orientalismo das superstições, tabus e complicações iniciáticas, expondo ao Ocidente a mensagem espírita às inteligências incomuns e à compreensão popular; Júlio Verne, outro profeta que previu e esquematizou várias descobertas e invenções humanas; Pasteur, a persistência e o devotamento a serviço da ciência médica; Lincoln, a integridade política e Maharichi, um vínculo permanente entre o mundo espiritual e o material, canal psíquico de união entre a criatura e o Criador!


Pergunta: - Que dizeis quanto à probabilidade das mulheres governarem o mundo? Seríamos mais pacíficos e venturosos?
Ramatís: - O espírito não tem sexo, pois isso é apenas a sinalética do carnal fixando responsabilidades entre o "tipo-homem" e o que é a fase ativa, e o "tipo-mulher", a fase passiva, propriamente, o intelecto, a razão e o sentimento. Apenas a mulher vive em condição mais passiva pelo fato de gerar e criar filhos, inclusive a submissão ao lar, portanto, menos atividade na formação política e administrativa do mundo profano. Mas em face da emancipação da mulher, como ocorre atualmente, participando em todas as esferas de atividade técnica, filosófica, literária, científica e religiosa do mundo, também enfraqueceu a linha divisória entre o masculino e o feminino, em face de responsabilidades e direitos semelhantes.
Evidentemente, não seria o fato de as mulheres governarem o mundo, o que bastaria para torná-lo um paraíso, pois na configuração feminina, às vezes também vivem espíritos daninhos e brutos, que desmentem a feminilidade e ternura, quais viragos e megeras mais grosseiras e cruéis do que os próprios homens! Algumas aviltam até a função divina de "mãe", quando enxotam ou trucidam os filhos, além das mais perversas, que judiam dos seus descendentes sob os piores maus tratos! Há, também, mulheres atrabiliárias, tipos de sargentos de saias, que depreciam ou obscurecem o tradicional sentido de beleza, doçura e resignação próprias da feminilidade. A história terrícola também comprova quanto aos tipos de mulheres másculas, que foram rainhas belicosas, guerreiras, astutas e maquiavélicas, como Catarina de Médici, Isabel; a Católica, ou Catarina, a Grande, imperatriz da Rússia.
Em conseqüência, não serão tão-somente o "tipo-mulher" quem iria solucionar o problema governamental do mundo, e, também, estabelecer a paz definitiva na Terra! As mulheres vaidosas, cabotinas ou irascíveis apenas darão mais amplitude às suas virtudes negativas, caso também lhes concedam a oportunidade de comandar multidóes e usufruir do poder público! Aliás, sob a nossa visão espiritual, ainda é a mensagem do Cristo o Código Governamental mais certo do mundo, em que as criaturas através do Amor solucionam todos os problemas e facilitam qualquer administração pública!


Pergunta: - A humanidade só aproveitou reduzida parte dos ensinamentos ministrados pelos instrutores da Terra, não é assim?
Ramatís: - Embora os homens tenham comprovado, sem qualquer sofisma. que são mais proveitosos os ensinamentos de alto teor espiritual, em vez dos sistemas e doutrinas políticas, sociais ou repressivas do mundo, como no caso da "não-violência" de Gandhi, que libertou um povo, realmente, é bem reduzido o benefício resultante dos sacrifícios empreendidos pelos líderes da espiritualidade! Isso lembra o que acontece com o "radium", precioso minério que exige a trituração de uma tonelada de pechblenda para conseguir-se uma grama proveitosa. Quantas toneladas de sacrifícios e ensinamentos espirituais já foram despendidos pelos mensageiros do Senhor, para que a humanidade possa aproveitar uma grama da Verdade Imortal?
Cada instrutor espiritual representa uma conta atada ao fio interminável do ensinamento divino, compondo o indestrutível colar da autêntica vivência do espírito em liberdade. Mas os povos, ainda escravos das paixões, pouco absorvem desse "maná" divino revigorante da saúde espiritual, o qual desce do Céu na figura dos excelsos intérpretes do esquema venturoso do Universo! Dominados pelos instintos inferiores, insaciáveis na execução de todos os prazeres grosseiros e no culto da personalidade humana transitória, os homens terrenos ainda requerem a prescrição constante da medicação de urgência através do sofrimento e da desilusão!
Daí as catástrofes, tragédias e eventos de infelicidade, como a submersão da Atlântida, de Sodoma, Gomorra, Pompéia, Herculano e outras de menores proporções, que marcam os períodos derradeiros do deboche, da revolta e irresponsabilidade humana! Deus jamais teria perdido o controle das leis que regulam as atividades e relações sadias entre o Espírito e a Matéria. Por isso, os instrutores siderais deixam as suas moradias resplandecentes e baixam periodicamente ao mundo físico, a fim de socorrerem o cidadão terrícola e esclarecê-lo de que a dor e o sofrimento são apenas produtos da resistência humana, recursos utilizados para a ventura espiritual do homem. Muitas iniciativas catastróficas de última hora, empreendidas pelo Governo Espiritual Oculto, têm por finalidade benfeitora salvar a tempo certas coletividades, que submergem-se superexcitadas no vórtice das paixões animais e completamente desatinadas, na perigosa atrofia do comando espiritual sobre o instinto inferior. O erotismo, a luxúria, vaidade, perversidade, violência, o ódio e o barbarismo sob medida civilizada destroem todos os ensejos de uma desencarnação controlada. Os terrícolas desencarnam como se fossem lançados de um veículo a centenas de quilômetros horários; aportam ao Além de olhos esgazeados, enlouquecidos e completamente enceguecidos, jamais sensíveis a qualquer providência das equipes socorristas do Espaço. Então a hecatombe, a tragédia ou desgraça de última hora, ainda consegue contemporizar, suster os impactos agressivos, luxuriosos ou odientos, ante a miséria, a tragédia e o despertamento espiritual para a realidade da vida do espírito! Daí o efeito benéfico e salutar de tantas catástrofes no mundo, onde os mais sentenciosos chamam de "castigo de Deus", e nós, despertos para a realidade espiritual, apenas identificamos como providências salvadoras de última hora!


Pergunta: - Porventura, a Administração Sideral provoca propositadamente as tragédias coletivas de reparações cármicas, como terremotos, inundações, secas, vulcões, desabamentos ou tempestades destruidoras?
Ramatís: - A Terra é um planeta geologicamente primário, instável e em processo de aperfeiçoamento. Em conseqüência, terremotos, inundações, secas, catástrofes, tempestades ou vulcões são fenômenos inerentes à natureza planetária terrícola ainda em consolidação. Ademais, os homens ainda se encarregam de aumentar essa natureza catastrófica e indesejável, da Terra, pois arrasam cidades, matas, campos, jardins, silos, pomares e reservas alimentícias, durante as guerras sangrentas e destruidoras. A Administração Sideral, cujo programa demográfico terrícola e elaborado com milênios e milênios de antecedência, então distribui previamente nas zonas catastróficas os espíritos ainda carentes de corretivos ou providências retificadoras de última hora. É uma espécie de segurança antecipada do Alto, colocando espíritos instáveis, agressivos e irresponsáveis, em zonas e regiões onde também é proverbial e constante a mesma instabilidade e hostilidade do meio, espécie de válvula pronta para suster os excessos perniciosos para a entidade espiritual. Assim, tais espíritos encarnam-se sobre regiões vulcânicas, faixas de terra sujeitas a terremotos, furacões e secas periódicas, onde se formam aldeias, agrupamentos e cidades, que depois são refreadas na sua população cada vez mais desregradas ou agressivas. Não é preciso a montagem de uma carpintaria nos bastidores siderais, para que se produzam acontecimentos nefastos e corretivos atendendo a providências de urgências. A Técnica Sideral, no seu esquema "cármico", onde os espíritos se conjugam às nações e planetas de aperfeiçoamento espiritual, apenas distribui na lei de que "os semelhantes atraem os semelhantes", os povos na conformidade de suas necessidades retificadoras, jamais por castigo deliberado! 55

55 - Nota de Ramatís: - Assim como em Hiroshima foram desintegrados pela bomba atômica as mesmas criaturas que, no passado, a partir das histórias bíblicas, destruíam, matavam e Incendiavam sob o comando dos guerrilheiros homicidas, atualmente, no "Vietnã", morrem sob a metralha ou pelo fogo incinerador outros tantos soldados, guerrilheiros e saqueadores desde as conquistas romanas até os últimos dias!


Pergunta: - Qual é a espécie de governo, sob a vossa opinião, mais adequado para governar a Terra, no momento?
Ramatís: - Na atualidade, ainda não existe ambiente favorável para a eleição de um "governo mundial" perfeito, uma vez que as partes a serem governadas vivem em desarmonia sob o combustível perigoso das paixões, vícios, interesses econômicos, agressividades racistas, separatividades religiosas, doutrinas políticas e orgulho pátrio! A humanidade terrena ainda está dividida por uma verdadeira colcha de retalhos em incessante conflito espiritual, sem integração num mesmo postulado pacífico, ordeiro e benfeitor! Nenhum governo, por mais inteligente e sadio, conseguiria governar tantos grupos de homens completamente isolados pelas suas diferenças políticas, sociais, raciais, religiosas, morais e orgulhosas. Ainda resta muito tempo, para que os terrícolas aproximem-se impelidos pelas vibrações do espírito consciente de sua função na carne, a fim de comporem um conjunto governamental, que tenha por exclusivo ideal o bem de toda a humanidade!... O noticiário dos jornais informa, diariamente, das revoluções e expurgos sangrentos que ocorrem no seio do mesmo povo! 56

56 - Nota do Médium: - Para confirmar os dizeres de Ramatís, é bastante lembrarmos a perversidade e o ódio que dividiu os espanhóis na revolução franquista; as desforras e vinganças entre os povos "primos", que são os judeus e árabes provindos do mesmo tronco bíblico; e, finalmente, a miséria, a chacina e o horror de Biafra, onde tribos do mesmo sangue se massacram estupidamente.

Seria inadmissível eleger-se um governo perfeitamente equilibrado e harmonioso, para atender um conjunto tão esfarrapado e dividido pelas lutas fratricidas, interesses políticos e pilhagem, como ainda é a humanidade terrena! Os terrícolas, na sua tolice tão milenária, buscam e rebuscam líderes políticos, expertos financistas, conselheiros econômicos, socialistas tarimbados e sisudos democratas, a fim de conduzirem o mundo à felicidade humana, enquanto esquecem a maior cerebração e genial instrutor como foi o Cristo, e olvidam o mais avançado Código de vivência humana, que é o Evangelho!


 


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