" A VIDA HUMANA E
O ESPÍRITO IMORTAL" - RAMATíS
Problemas
da Família
Pergunta: - Conforme tendes
explicado, a família é o agrupamento humano de
espíritos amigos ou adversos, que, através dos
laços consangüíneos, unem-se pelo afeto ou
vinculam-se pelas dívidas cármicas do passado.
Não é assim?
Ramatís: - Realmente, a família carnal tanto é
constituída por espíritos afins, assim como se
compõe de almas adversas e de graves conflitos do passado!
No seio do lar processa-se o adestramento espiritual orientado
para a vida superior, em que o amor une os espíritos
amigos e o ódio imanta os adversário. Por isso,
a família tanto pode ser um ensejo abençoado,
que entretém as almas amorosas numa preliminar do Paraíso,
assim como gera conflitos, desafios e lutas emotivas, que podem
terminar pela separação; e às vezes, conforme
noticiam os jornais, até pelo crime de morte!
Pergunta: - Qual é a outra finalidade do lar
terreno, além da oportunidade de retificação
cármica dos seus componentes familiares?
Ramatís: - A família humana é o fundamento
ou a miniatura da família universal, pois os laços
consangüíneos apenas delimitam as vestimentas físicas
e transitórias numa existência humana, mas sem
eliminar a autenticidade espiritual de cada membro ali conjugado.
Sem dúvida, a ancestralidade biológica ou a herança
genealógica própria da constituição
carnal reúne os mais diversos temperamentos espirituais
sob uma só configuração consangüínea,
a fim de estabelecer uma contemporização amistosa.
O lar terreno significa a hospedaria da boa-vontade, em que
o homem e a mulher conjugam-se na divina tarefa de servir, amar
e orientar os espíritos amigos ou adversos que, por Lei
Sideral, se encarnam, buscando o amparo fraterno e dispostos
a acertarem as contas pregressas! Acima do sentimento ególatra
ou de "propriedade", que em geral domina os esposos
na posse sobre os filhos, deve prevalecer o conceito elevado
de irmandade universal, porquanto a realidade do espírito
imortal não deve ser sacrificada às simpatias
e posses do corpo carnal!
Pergunta: - Como compreendermos que a família
humana é uma experiência ou adestramento para compor
a futura família universal?
Ramatís: - A família humana é um conjunto
de almas oriundas da mesma fonte divina; difere, apenas, em
sua periferia, pela convenção terrena de cônjuges,
filhos, pais ou parentes, cuja vestimenta consangüínea
ancestral contemporiza a reunião de desafetos do passado,
num treino afetivo e em direção à futura
família universal!
Os corpos carnais não passam de escafandros transitórios,
que proporcionam aos espíritos encarnados o recurso de
desempenharem as suas atividades na vida humana, enquanto também
desenvolvem os sentimentos fraternos e avivam as demais virtudes
latentes no âmago da alma. Os interesses egocêntricos,
as idéias artísticas, preferências políticas,
tendências científicas, ambições
sociais ou entretenimentos religiosos, são os ensejos
que proporcionam às almas a melhoria de sua graduação
espiritual. As dissidências tão comuns no seio
das famílias terrenas resultam da diferença de
idade espiritual entre os seus componentes, em que os mais primários
produzem aflições, sofrimentos e prejuízos
aos mais evoluídos, em face do mesmo vínculo cármico
do passado.
Mas, no decorrer das sucessivas existências no mundo físico,
os espíritos diversificados pelos mais opostos temperamentos
aprimoram-Se e amenizam os seus conflitos pregressos através
do sofrimento e serviços recíprocos, até
alcançarem a compreensão espiritual definitiva.
Lentamente, velhos adversários aproximam-se atraídos
pelos laços da parentela humana e, louvavelmente, fazem
as pazes e confraternizam-se para a ventura em comum. Embora
a diferença de interesses, o choque de ambições,
e a cobiça pelo melhor, possam atiçar velhos ódios
e frustrações do pretérito, a vida em comum,
no seio da família, ameniza os desentendimentos e os
estigmas entre os espíritos fadados à mesma angelitude.
É certo que os mais embrutecidos e escravos das paixões
animais chegam a sacrificar o companheiro consangüíneo
nas competições dos valores do mundo físico,
pois no subjetivismo da alma pressentem a presença do
algoz ou desafeto de outrora.
Em conseqüência, a pilhagem, belicosidade e avareza
ainda são conseqüências dessa feroz competição
humana, em que litigam os espíritos na trajetória
da vida física, entre acertos louváveis e equívocos
censuráveis, porém jamais deserdados do amor do
Cristo e impedidos de serem felizes! Assim prossegue a safra
de vítimas e algozes, que retornam em sucessivas existências
vinculadas à mesma roupagem carnal consangüínea
para a organização das famílias humanas,
no sentido de extinguir a personalidade humana e separativista
do homem ciumento, egotista e impiedoso escravo dos instintos
animais. Através do exercício afetivo no lar,
na troca de favores e iniciativas dos membros da família,
a individualidade espiritual vai externando os seus valores
eternos de feição moral.
Pergunta: - Malgrado a diferença de graduação
espiritual entre os componentes das famílias humanas,
não deveria haver a paz e a compreensão entre
todos, por força da mesma origem ancestral biológica?
Ramatís: - As lâmpadas elétricas, embora
sejam do mesmo aspecto e tamanho, podem variar conforme a capacidade
de reter e distribuir a corrente da usina, pois uma lâmpada
de 25 velas é implicitamente inferior em iluminação
à de 200 velas! Assim, mormente os membros da família
terrícola provirem da mesma linhagem ancestral biológica
e ainda vincularem-se pelos mesmos interesses afins do conjunto,
eles se diferenciam frontalmente quanto à capacidade
espiritual no intercâmbio doméstico. São
criaturas modeladas sob a mesma plastia carnal, mas variam quanto
ao seu conteúdo espiritual, pois, além das diferenças
individuais de razão e sentimentos, ainda prevalece,
pessoalmente, a condição de amigos ou inimigos,
algozes ou vítimas, em vidas anteriores.
A família, na sua convenção carnal, reúne
espíritos adversários imantados pelo ódio
ou amigos unidos pelo amor do pretérito! Uns, vibram
pela vingança ainda latente no âmago do seu psiquismo
intolerante; outros, vivem os estímulos amorosos e fraternos
de longa amizade! No desdobramento da vivência no lar,
desde as etapas de criança, moço, homem maduro
e velho, os espíritos ali encarnados conflitam-se sob
os desejos e ambições pessoais. E a tempestade
humana só ameniza quando alguém renuncia, ou pelo
conhecimento superior exemplificado pela tolerância fraterna.
Daí, as cenas trágicas é algo comum entre
os próprios componentes carnais das famílias terrenas,
cujos acontecimentos desairosos são mais freqüentes
nos lares primários, onde o ódio e a frustração
gravados na memória perispiritual do passado estouram
com tal violência e desamor, que se transformam em acontecimentos
lastimáveis!
Por isso, a família humana significa a "trégua"
de lutas odiosas entre os espíritos adversos desde várias
vidas anteriores. O vínculo consangüíneo
é um recurso capaz de amenizar o entrechoque de espíritos
faltosos e que se atenua por força da sobrevivência
carnal sob o mesmo ascendente biológico. Evidentemente,
são raros os lares terrícolas, que apresentam
uma atmosfera agradável e proveitosa. servindo como louváveis
educandários freqüentados por almas diligentes.
corteses e de boa vontade!
Aqui, o chefe de família conserva a fisionomia amargurada
e traz para o lar os problemas aflitivos do seu trabalho profano;
ali, a esposa deblatera sob visível irritação
quanto às suas frustrações na competição
tola social da moda, ditada pelos costureiros excêntricos;
acolá, os filhos preguiçosos preocupam os progenitores
acusando os professores de parcialidade; as moças confrangem
pelas decepções amorosas na obstinação
de se unirem a criaturas delinqüentes, irresponsáveis
ou marginais. Os problemas avultam no seio da família;
é o parente que negaceia quanto ao pagamento da divida
avalizada pelo cunhado; e o moço ou a moça sofisticados
no ambiente social, que se antipatizam pela vivência caseira
e modesta do lar! A esposa lastima-se, lacrimosa, pela "toilette"
pobre e fora da moda ou pela falta de jóias! Os conflitos
e as insatisfações domesticas ainda aumentam sob
o reinado despótico dos netos, espécie de reizinhos
sem coroa, cuja ditadura ridícula no ambiente da família
ainda é apoiada pelo excessivo sentimentalismo dos avós!
Em geral, a mesa doméstica das refeições
é a arena onde se debatem os problemas nevrálgicos,
tolos ou trágicos da família! Lembra pequena praça
de guerra em que os adversários espirituais do passado
despejam toda a inconveniência do mundo na hora sagrada
de alimentação: Altera-se o metabolismo digestivo
nos choques psicossomáticos dos membros da família,
que mastigam porções de alimentos sob mútuos
desaforos ou queixas lamentosas. Em conseqüência,
proliferam as doenças enquadradas na terminologia médica
das úlceras, choques anafiláticos, perturbações
hepáticas, deficiências pancreáticas, vesículas
esclerosadas, palpitações cardíacas, colites
e espasmos intestinais. Infelizmente isso é comum, porque
o lar terreno ainda é o abrigo de algozes e vítimas,
amargos e inimigos do passado, ali convocados sob a mesma indumentária
carnal, a fim de acertarem as dívidas do pretérito!
Os membros da família terrena ignoram a sua responsabilidade
espiritual do passado, por cujo motivo sacrificam a função
educativa e contemporizadora do lar. Intolerantes, vingativos
e impiedosos, discutem pelas coisas mais fúteis e digladiam-se
esposas e esposos pela supremacia doméstica! Os jovens
convictos de sua sabedoria jamais aceitam o conselho experimentado
dos "velhos", e o conflito dinamiza-se ainda mais
em face dos arraigados pontos de vista pessoais dos membros
da mesma família!
Pergunta: - Todos os espíritos que se encarnam
na Terra devem casar e constituir família sob a implacável
recomendação bíblica de "Crescei e
multiplicai-vos"?
Ramatís: - A recomendação bíblica
do "Crescei e multiplicai-vos" é no sentido
de as criaturas gerarem o maior número de corpos carnais,
a fim de solucionar-se mais breve possível o problema
de bilhões de espíritos necessitados de urgentes
encarnações a liquidarem suas dívidas pregressas.
O renascimento físico é o ensejo da reabilitação
espiritual no trato com os fenômenos e acontecimentos
da vida material, por cujo motivo, quanto mais corpos gerados,
mais breve a redenção das almas aflitas e erráticas
do Além-Túmulo!
Considerando-se que a Terra é um planeta primário
de alfabetização espiritual, e o casamento ainda
assegura a disciplina e o controle da procriação
sob a ética sadia e responsabilidade moral humana, a
procriação então exige um compromisso mútuo
de entendimento e proteção recíprocos.
O homem e a mulher casam-se por efeito de um contrato bilateral,
em que por conveniência social e moral deve haver o respeito
mútuo, enquanto a instituição do lar significa
o ambiente protetor dos demais espíritos ali encarnados
como filhos! O casamento carnal, embora ainda sofra os imprevistos
das separações prematuras entre os cônjuges,
obedece a um programa previamente delineado no Espaço,
em que dois espíritos se comprometem de fornecer as vestimentas
carnais para amigos e inimigos do passado.
No seio da família terrícola os espíritos
encarnados aprendem a mobilizar as suas qualidades psíquicas,
quer dinamizando os sentimentos fraternos na troca dos interesses
recíprocos, assim como adquirindo novos conhecimentos
pela experiência dos mais velhos. É tão
valiosa a função do lar que os espíritos
trânsfugas do passado, na responsabilidade doméstica,
tornam-se indignos de um novo esponsalício humano. Cumpre-lhes
viver na condição de um marginal sem companheiro
ou companheira, sem filhos ou filhas sem parentes ou afetos
familiares. O aconchego caloroso do lar e o júbilo da
descendência da família, que prolonga a configuração
ancestral dos pais na face do mundo físico, são
dádivas imerecidas para os espíritos negligentes,
que estiolaram no passado os valores inestimáveis da
vida em família!
O homem que desprezou a sua companheira honrada, ou a mulher
que traiu o seu companheiro digno, só merecem existência
desconfortável e vazia de afetos, ainda agravados pela
imantação cármica a espíritos de
quilate inferior, que os ajudarão a sentir a gravidade
de sua defecção do passado! É de velho
provérbio, que quem despreza o melhor, sempre colhe o
pior! E quando a compaixão divina permite a tais espíritos
comporem o agrupamento da família, jamais eles usufruem
de paz e harmonia tão desejadas, porque esse conjunto
familiar ainda é de graduação espiritual
inferior. Assim como o ácido limpa as vidraças
e a lixa dá polimento à madeira bruta, os espíritos
primários também terminam "lixando"
as arestas dos espíritos mais astutos, a que se imantam
pela Lei do Carma!
Pergunta: - Quais são os acontecimentos que podem
interferir e até impedir a união conjugal de dois
espíritos, programada no Espaço antes da encarnação
de ambos?
Ramatís: - O espírito consciente e responsável
sabe qual é o limite a que pode exercer o seu "livre
arbítrio" sem causar prejuízos ao próximo!
Ele pode trair o seu compromisso matrimonial previamente combinado
no Espaço para convivência com outro espírito,
deixando-se fascinar por uma paixão indomável
com outra mulher que não figurava no seu programa cármico!
Mas enquadrado sob o fatalismo da Lei do Carma, alhures, ele
há de indenizar, "ceitil por ceitil", todos
os prejuízos e males ocasionados na fuga do seu compromisso
atado no céu! A sua dívida é acrescida
dos juros da correção sideral e há de indenizar
a sua vítima pelo tempo perdido que ela terá de
despender na rota de sua felicidade! Mas em face da instabilidade
própria do mundo físico, também podem surgir
imprevistos contrariando a vontade do espírito no cumprimento
de certo programa matrimonial assumido antes do renascimento
físico. As moléstias, mutilações,
os acidentes e a ausência compulsória por delitos
e até a interferência despótica dos progenitores
do outro cônjuge podem contribuir para essa responsabilidade
e impedir o enlace matrimonial previsto.
Pergunta: - No caso de
espíritos frustrarem o seu compromisso de união
conjugal no mundo físico, isso não causa prejuízos
às demais entidades comprometidas no mesmo programa coletivo
e que ficam impossibilitadas de se encarnarem?
Ramatís: - Sem dúvida, qualquer união conjugal
programada no Espaço, mas frustrada na Terra, seja por
culpa dos seus responsáveis ou por circunstâncias
imprevistas, altera o roteiro cármico de outras almas
vinculadas ao mesmo esquema de ascendentes biológicos!
O esponsalício terreno, malgrado os terrícolas
o considerarem um acontecimento comum, ainda é fruto
de prévia combinação no Espaço.
Significa o ensejo, em que dois espíritos aceitam a condição
recíproca de esposo e esposa para viverem no mesmo lar,
a fim de acertarem os débitos pregressos e gerarem corpos
para outras almas.
Pergunta: - Mas qual é a compensação
para os espíritos prejudicados, quando os responsáveis
pelo seu nascimento físico frustram o seu compromisso
conjugal aceito espontaneamente no Espaço?
Ramatís: - Mesmo nas esferas espirituais junto à
Terra e cujos moradores são desencarnados, ainda não
há perfeição, mas eles defrontam com muitas
incógnitas do Universo, Os programas combinados no Espaço
às vezes sofrem interferências inesperadas e até
inexplicáveis, que lhes altera o rumo determinado pelos
seus responsáveis, Em conseqüência, no caso
de frustração e prejuízos alheios, os faltosos
sempre terão de ressarcir ou indenizar os prejudicados,
segundo o seu grau de culpa e eliminadas as circunstâncias
imprevistas, Considerando-se as inúmeras existências
carnais que ainda aguardam os espíritos do quilate terreno,
há tempo suficiente para todos acertarem suas contas
pretéritas, sem que se perca uma só ovelha do
aprisco do Senhor! E como não há afilhadismo ou
privilégios divinos, "cada um colhe segundo a sua
obra". O espírito é o senhor de si mesmo
e goza do livre arbítrio para agir com liberdade no mecanismo
da vida e da criação divina; mas será tolhido
e corrigido, assim que dos seus atos decorrerem prejuízos
ao próximo.
Pergunta: - Qual é a compensação
proporcionada pela Justiça Divina aos prejudicados, quando
certo casal terreno deixa de cumprir na vida física o
seu compromisso conjugal assumido no Espaço?
Ramatís: - Sob o conceito cármico e evangélico
enunciado pelo Cristo Jesus, de "Quem com ferro fere, com
ferro será ferido", jamais haverá prejuízos
entre os comparsas do mesmo programa sideral em função
na Terra, Assim, os espíritos prejudicados com a fuga
do compromisso, assumido pelos culpados de sua frustração,
hão de indenizar-se, alhures, e devidamente compensados,
dos prejuízos recebidos. Ademais, na escolha dos pais
físicos, também se candidatam espíritos
da mesma índole e afinidade espiritual. Espíritos
cuja vivência pregressa tem sido da mais louvada correção
e fidelidade de programa merecem nascer de progenitores sob
a mesma graduação espiritual. No entanto, os faltosos
pregressos, que frustraram compromissos causando prejuízos
alheios, são encaminhados para o nascimento através
do recurso físico oferecido por espíritos ainda
propensos à defecção espiritual. "Não
cai um fio da cabeça do homem sem que Deus não
saiba", diz o velho adágio e o traduzimos por "Não
há um ceitil de injustiça ao homem ante a Justiça
e Sabedoria de Deus"! As entidades que se encarnam dependendo
o seu sucesso físico da união conjugal de outros
espíritos volúveis e irresponsáveis, que
podem frustrar-lhes a encarnação, também
cometeram delito semelhante no passado e causaram os mesmos
prejuízos a outrem. Os espíritos volúveis
são atraídos pelos espíritos volúveis,
e os espíritos sensatos pelos espíritos sensatos.
Na trama cármica das encarnações físicas,
os espíritos interligam-se por afinidade espiritual ou
através dos vínculos culposos de vidas anteriores.
Assim, a vivência humana agradável, ou desagradável,
frustrada ou acertada, é uma conseqüência
da natureza boa ou má do espírito encarnado! Os
espíritos só se reencarnam sob um esquema traçado
pelos instrutores e técnicos competentes, no Além,
onde intercambiam emoções, sentimentos afins ou
ostensivos, e ajustam os seus propósitos aos interesses
do conjunto! Espíritos nobres ou sórdidos, sábios
ou ignorantes, bondosos ou malignos, santos ou delinqüentes,
ligam-se na trama da existência física e se agrupam
sob diversos motivos de interesses recíprocos movimentados
no passado e trazendo resíduos corretivos. Em conseqüência,
há espíritos bondosos e de boa estirpe espiritual,
que ainda se imantam a entidades inferiores porque as exploraram
em seu exclusivo bem e interesse pessoal. Embora tenham galgado
mais alguns degraus na escadaria espiritual, terão de
liquidar quaisquer saldos de contas devedoras do pretérito,
ajudando os próprios comparsas à mais breve ascese
para a freqüência superior. Mas, como no Espaço
também não há regras sem exceção,
existem almas missionárias e benfeitoras, que não
hesitam em abandonar o seu mundo de venturas e encarnarem-se
para socorrer e auxiliar espíritos primários e
até vingativos, junto aos quais comprovam a sua piedade
e amor sob a égide do Cristo!
Pergunta: - Qual seria a composição de
um lar terreno, integrado perfeitamente nas normas educativas
da vida superior?
Ramatís: - Quando os esposos compreendem o objetivo real
das leis espirituais, que os orientam na comunhão fraterna
quando encarnados, inclusive atinente à função
do mecanismo sexual como técnica criadora e não
simples função de prazer transitório, é
evidente que eles então se libertam da apregoada necessidade
biológica sexual incessante e consideram-se apenas como
"procuradores divinos", investidos da missão
de criar outros corpos no mundo material.
Muito antes de cultivarem deliberadamente a sensação
física no intercâmbio sexual, eles não desconhecem
a sua função de "deusinhos", que sob
a procuração divina atuam no cenário da
vida humana a fim de proporcionar novos equipos carnais para
outros companheiros elevarem-se conscientemente à angelitude
Na hora do enlace sexual físico, a esposa e o esposo
são apenas dois "campos magnéticos"
de pólos opostos e atrativos, cujas forças criadoras
que emanam do mundo animal instintivo, também se fundem
às energias captadas dos planos angélicos e estimulantes
da ascese espiritual humana. Essas energias sublimes irrigam
o perispírito do homem e da mulher na hora sexual, pois
Se acasalam em misterioso esponsalício na zona c no plexo
solar e abdominal, onde o chacra umbilical controla os automatismos
genésicos criadores e desata o esquema do renascimento.
Nesse encontro criador, todos os demais "chacras"
ou centros de forças etéricos, distribuídos
à periferia do "duplo etérico", revitalizam-se
entre si 10 pelo fluxo energético que desce do mundo
psíquico e impregna qualitativamente o mundo instintivo
da carne.
10 - Vide a obra "Elucidações
do Além" de Ramatís, bastante explicativa
do duplo-etérico e centros de forças conhecidos
por chacras.
Afora de simples "objeto-sensação",
a mulher é poderosa antena viva captando o magnetismo
superior que flui do mundo oculto durante a relação
sexual. operando o milagre da união com as forças
inferiores que sobem do mundo animalizado. O desconhecimento
desse acontecimento energético durante o intercâmbio
genésico transforma o homem num incessante procurador
do gozo ou prazer exclusivamente físico, ignorando que,
acima de tudo, o ato sexual é uma atividade com a finalidade
precípua de esculturar na carne humana a configuração
de outro ser credenciado pelos mesmos direitos de vivência
e proteção. O casamento na carne é a consagração
humana de um compromisso assumido pelos espíritos antes
da nova encarnação. Além de proporcionar
a recuperação espiritual de ambos, também
atende à função de cria, mais corpos, que
servirão para outros espíritos aflitos resgatarem
as suas dívidas pretéritas. Além da diferenciação
biológica, e hereditária da vestimenta carnal,
as características diferentes de sexo, esposo e esposa
modelados na forma terrena, tão-somente encobrem a realidade
de espíritos irmãos oriundos da mesma fonte divina.
Em conseqüência, além do convênio conjugal
transitório da carne, deve predominar a qualidade e missão
da centelha espiritual, que é o endosso superior da relação
sexual.
Pergunta: - Então sempre é algo desairoso
ou criticável o impulso natural sexual, embora seja o
fundamento da vida carnal?
Ramatís: - Não existem justificativas para sancionar
os aviltamentos que contrariam ou inferiorizam o sexo, além
de sua função natural de proporcionar novas vidas
humanas. O processo e a sinalética sexual não
são intrinsecamente afrontosos. nem mesmo devem ser responsáveis
por todas as fraquezas e concepção de orgulho
de honra .medieval. O imperativo sexual não é
fenômeno limitado exclusivamente às funções
fisiológicas ou procriativas na configuração
humana, nem exclusivamente sensação erótica
e voluptuosa, que alguns abusam até à alucinação.
O sexo, malgrado distinguir na estrutura do corpo físico
a característica masculina ou feminina, é apenas
sinalética provisória em cada encarnação,
assinalando a espécie de experiência que compete
ao espírito encarnado. Sob o esquema espiritual, o sexo
masculino identifica a alma que se encontra em operação
de comando e "mais ativa", enquanto o sexo feminino
indica a entidade em submissão, e "mais passiva"
na sua atuação carnal. Em conseqüência,
a nomenclatura de sexo é de feição mais
animal, classificando operação ativa na experiência
masculina e operação passiva na atividade feminina.
Mas à medida que o espírito ascensiona do primarismo
de "homem-animal" para a diafanização
do perispírito sublimado, a própria concepção
de sexo evolui para o intercâmbio sublime do Amor puro!
Há posse e volúpia de transitório orgasmo
genésico através da atração carnal
na vida física, mas no âmago desse ato exercita-se
no ser o processo da afinidade espiritual, que também
imanta os seres na vida angélica! 11
11 - Nota do Médium: -
Ainda existem criaturas que acham impossível o espírito
encarnar homem numa existência e mulher noutra vida, crentes
de que isso é desairoso e absurdo para a tradicional
masculinidade humana. No entanto, os jornais anunciam, freqüentemente,
as mudanças de sexo, quando certas mulheres depois de
operadas convenientemente transformam-se em homens, enquanto
inúmeros rapazes depois de submetidos à intervenção
cirúrgica adequada, também mudam para o sexo feminino,
a ponto de casarem e até procriarem. Evidentemente, se
o espírito pode mudar de sexo na mesma existência
física, então lhe será bem mais fácil
fazê-la antes de se encarnar.
Pergunta: - Que dizeis sobre os diversos casos de perturbações,
desequilíbrios e neuroses extremas, os quais foram satisfatoriamente
resolvidos com o ajuste sexual?
Ramatís: - Somente a compreensão elevada de que
a função sexual é recurso divino procriador,
pode trazer tranqüilidade mental e estabilidade emocional.
É de senso comum que o "erotismo" é
um imperativo de atração entre os seres para induzi-los
à procriação, mas nada tem a ver com a
problemática da vida do espírito imortal. Se a
prática sexual dirigida fosse terapêutica positiva
para solver os desequilíbrios e as neuroses da humanidade,
então o mundo atual deveria ser excelentemente saudável,
pois nunca o erotismo e as satisfações sexuais
gozaram de tanta liberdade como ocorre atualmente! O sexo é
o assunto mais palpitante nesse "Fim de Tempos", excitado
numa comunicação provocativa pela literatura,
poesia, rádio, teatro, televisão, ilustrações
fesceninas c, até por exposições pornográficas!
Os psicólogos, completamente batidos por todas as experiências
de natureza neurológica e os psiquiatras modernos, já
concordam ou conformaram-se até com a aberração
de que a pornografia também pode ser uma arte autêntica
e sem represamento convencional. Julga-se. mesmo, que o furor
homicida, a violência do estupro e o sadismo da crueldade
voluptuosa e enfermiça são escapes da violência
"psico-emotiva" do homem recalcado pelo sexo e por
culpa dos "tabus" e puritanismos que frenam os impulsos
perigosos, mas não os abrandam nem eliminam a sua carga
perigosa!
Indubitavelmente, essa descarga sexual e erótica tão
vultosa, na atualidade, deveria trazer alívio à
tensão perigosa humana e resolvido grande parte do problema
milenário da violência. do crime e da infelicidade
humana! Extravasada a carga sexual retida por convenção
de uma sociedade mistificada em suas bases morais, o mundo terreno
entraria num saudável e tranqüilo ritmo de vida,
graças aos descondicionamentos e "tabus" abandonados
em favor do entendimento à flor da pele! No entanto,
jamais a humanidade terrícola enfrentou períodos
de tanta violência, terrorismo, subversão, homicídios,
sadismos, desajustes conjugais, racismos odiosos e crimes bestiais
sem motivos plausíveis, endeusamento a facínoras
impiedosos e linguagem de baixo calão nas expressões
artísticas mais refinadas! Sob a lastimável inversão
de valores, que anula os esforços mais heróicos
de criaturas abnegadas e perseverantes, glorifica-se a mediocridade,
o cretino, o excêntrico e o libidinoso, ajustados cinicamente
ao mesmo nível do virtuose da pintura, da música,
da escultura e do gênio literário!
Evidentemente, a súbita evasão sexual do instinto
animal, represado pelos conceitos morais das sociedades civilizadas,
jamais poderá solver os problemas complexos e milenários
do espírito imortal, o qual já se encarna com
péssimo acervo de dívidas e culpas de vidas passadas!
De modo algum poderia solucionar a sua falência pregressa
sob a terapia mecanicista da relação sexual ou
na multiplicidade de orgasmos da carência animal; porém,
"o que é do espírito só pelo espírito
poderá ser curado", já dizia Paulo de Tarso!
E a terapêutica mais indicada, nesse caso, ainda é
o medicamento fornecido pelo Divino Jesus, através do
seu infalível Evangelho!
É fácil de comprovar que os homens sábios
ou santificados, absorvidos por empreendimentos de natureza
espiritual superior, tornam-se apáticos e até
inibidos sexualmente, elevando-se acima das necessidades sexuais
animais. Eles criam uma segunda natureza incomum, em que as
próprias forças e combustíveis inferiores
passam a alimentar propósitos elevados. Enfraquecem o
instinto, reduzem a exigência animal da carne e aliviam
a insatisfação erótica. A angústia
sexual, que é responsável pela multiplicidade
de aspectos patológicos, neuróticos e emotivamente
enfermiços, também não logra soluções
mediante comprimidos, injeções ou tisanas de qualquer
espécie, da mesma forma que a efusão erótica
não acomoda o psiquismo humano! A solução
deve ser de ordem espiritual, através da sublimação
de energias animais, que depois de domesticadas são aplicadas
em atividades superiores. O mesmo fluido sexual que alimenta
as relações genésicas e o processo procriativo
no campo físico, quando represado e depois sublimado
para uma condição espiritual superior, desencadeia
poderoso energismo que então supra os gastos mais avançados
da mente! Os antigos iniciados aprendiam a controlar e distribuir
o fluido sexual de modo a vitalizar poderosamente o cérebro,
atuando habilmente através dos "chacras", ou
centros de forças etéricos da contraparte física
conhecida por "duplo etérico". Sob tal processo
oculto, mas de resultados positivos, eles alcançavam
a condição de homens incomuns e depositários
de poderes extraterrenos, cujos conhecimentos jamais transpunham
o silêncio augusto dos templos iniciáticos, pois
eram proibidos no mundo profano dominado pelo mais estúpido
dos fanatismos religiosos. 12
12 - Sabe-se que através
da "Krya Yoga", o discípulo aprende a mobilizar
o seu fluido sexual de modo a fazê-lo subir pelo imo da
medula espinhal, até atingir o cerebelo, o córtex
cerebral, a região do tálamo e hipotálamo
na circunv1z1nhança da glândula hipófise,
numa espécie de lavagem energética a todas as
células da massa cinzenta. Então, sob a ação
fulgurante do "chacra coronário", o centro
de união divina do homem e o mundo espiritual, o fluido
sexual é purificado e o residual ou escória regressa
à região inferior do "chacra kundalíneo",
através da região exterior da medula, onde é
reativado para as funções tradicionais. Sob tal
influxo, que pode ser repetido muitas vezes, o homem retempera
o seu magnífico centro de comando "psicofísico",
que é o cérebro, passando a atuar em nível
superior, graças à sublimação da
energia sexual poupada e purificada!
Pergunta: - Existe alguma correlação de
fenômenos insólitos entre o esposo e a esposa,
durante o tempo de gravidez, conforme asseguram a tradição
e as lendas de acontecimentos semelhantes entre os silvícolas?
Ramatís: - Após o espírito reduzir no mundo
espiritual o seu perispírito até atingir a forma
fetal e depois ajustar-se-ão ventre materno para o preenchimento
físico, ele também socorre-se das energias do
campo magnético perispiritual do progenitor carnal, a
fim de facilitar o processo reencarnatório.
Os clarividentes podem explicar que durante os nove meses de
gestação, tanto o espírito encarnante como
os seus progenitores carnais, mostram-se perfeitamente entrelaçados
entre os seus perispíritos. Através dessa simbiose
fluídica, ou espécie de casulo protetor, são
absorvidas rapidamente todas as emanações viciosas,
prejudiciais e tóxicas do ambiente, assim como se atenuam
os impactos de cargas mal-intencionadas, que possam ferir o
espírito indefeso no seu processo encarnatório.
O próprio espermatozóide doado pelo homem ainda
continua por certo tempo ligado a ele pelos laços ocultos
do éter físico; e à medida que o encarnante
vai desatando na matriz materna a sua configuração
peculiar, ele também absorve as energias paternas, malgrado
o sustento físico da mãe! Daí, a lenda
da "quarentena" dos silvícolas, que guardavam
o leito enquanto a esposa gestava, porque tratando-se de encarnação
excessivamente dispendiosa de energismo vital, como era o índio,
ocorria um verdadeiro vampirismo filial, chegando a produzir
forte prostração, sintomas de anemia e baixa função
esplênica!
Pergunta: - Que dizeis do casamento, conforme a legislação
do nosso País?
Ramatís: - Como as leis de um povo evoluem conforme a
modificação dos costumes, o desenvolvimento cultural
e a melhor compreensão psicológica da vida, é
evidente que o casamento, no Brasil, ainda, rege-se por uma
lei que melhor espelha o temperamento, os hábitos, os
preconceitos, a concepção social e moral dos brasileiros.
Ademais, em face do acentuado domínio clerical no Brasil,
o próprio casamento civil traz algo da pretensa infalibilidade
do casamento religioso católico, cuja religião
é fundamento da formação característica
dos preceitos da família brasileira. Assim, sub-repticiamente,
os preceitos do casamento religioso governam o metabolismo do
casamento civil, criando contrastes flagrantes, que o tornam
uma instituição algo infantil e um tanto superada
pelos países de cultura mais avançada.
Pergunta: - Apoiais o divórcio entre a humanidade terrena?
Ramatís: - Sem dúvida, a instituição
do divórcio deve variar conforme a idiossincrasia de
um povo para outro, inclusive, mesmo, quanto ao temperamento
latino, eslavo, asiático, germânico ou africano.
O divórcio, na realidade, é uma "breve corrigenda"
para atenuar ou amenizar situações, que podem
descambar para tragédias ou resultados ainda mais graves.
Quando o ódio, a competição ou o ciúme
enfermiço domina num lar entre os cônjuges, não
somente sofrem os descendentes dos pais adversos e irreconciliáveis,
assim como grassa o mal psíquico, que é alimentado
pela virulência fluídica dos bombardeios de espírito
para espírito. Tal qual o gongo na luta esportiva, o
divórcio soa na hora quase trágica do conflito
conjugal e alivia a tensão, dando liberdade a cada um
dos litigantes, para tentar outro casamento mais esperançoso
e baseado na experiência anterior. É possível,
que sob um clima de maior tranqüilidade e novo afeto, os
divorciados encontrem ensejos para desenvolver algumas virtudes
que anteriormente estavam estagnadas por força do ódio
ou da hostilidade mútua!
Pergunta: - Por que mencionastes que o divórcio é
uma "breve corrigenda", capaz de atenuar situações
tendentes a resultados trágicos, como se alhures devesse
prosseguir a mesma situação?
Ramatís: - Insistimos em dizer que ninguém suborna
ou mistifica a Lei do Carma, processo criado por Deus a fim
de reconciliar inimigos e ajustar dívidas pretéritas.
Os desentendimentos e os conflitos tão comuns entre os
esposos no mundo terreno provam perfeitamente que eles ainda
são espíritos adversos do passado e através
da escola espiritual do mundo terreno buscam acertar-se sob
o Amor do Cristo! Submissos à Lei do Carma, ambos os
espíritos adversos são atraídos pela fascinação
da vestimenta carnal exterior, cuja paixão os atira um
nos braços do outro, embora ainda ignorem a animosidade
que os separa desde vidas anteriores. No entanto, a convivência
cotidiana faz emergir os defeitos recíprocos e os ressentimentos
pregressos; e, pouco a pouco, identificam-se como velhos adversários,
surgindo os antagonismos tão peculiares na maioria das
famílias terrenas! Detrás dos trajes de carne
e ossos, que os atraiu e ligou-os pela força da carne
moça, excitante, então se pressentem como almas
adversas!
E quando a impossibilidade da vivência em comum atinge
um ponto crítico, cujas hostilidades são incontroláveis,
então só resta uma solução desesperada:
a separação, o desquite ou o divórcio!
Em conseqüência, o divórcio é um recurso
sensato e lógico entre os povos socialmente evoluídos,
porque oficializa o direito de as criaturas, frustradas na sua
primeira experiência conjugal, construírem um novo
lar e tentarem novamente o culto do amor e da paz sob nova condição
doméstica. No entanto, frisamos que o divórcio
é uma "breve corrigenda", porque embora se
desatem as algemas do casamento na Terra, os espíritos
culposos ou adversos continuam ligados carmicamente no céu!
Malgrado serem divorciados sob as leis do mundo material, eles
regressarão à Terra para novos casamentos e convivência
nos lares humanos, até que o amor e a paz substituam
o ódio e a guerra! As algemas cármicas não
podem ser rompidas por violência, através de recursos
drásticos como o divórcio carnal, mas desatadas
pela gentileza recíproca dos espíritos litigantes.
Assim, o divórcio é apenas uma "breve corrigenda",
porque as almas em conflito, antes de apagarem todo o ódio
e hostilidades recíprocas, retornarão em existências
futuras algemadas a tantos casamentos quantos forem necessários
para lograrem a anistia espiritual! O divórcio contemporiza
a belicosidade conjugal, jamais soluciona os problemas espirituais,
cuja legislação obedece a outras normas ditadas
pelo Amor incondicional!
Pergunta: - Podereis opinar quanto à conveniência
do divórcio no Brasil?
Ramatís: - Os mentores espirituais do Brasil vêm
trabalhando, há certo tempo, por intermédio de
entidades encarnadas, a fim de que, em breve, o divórcio
seja uma realidade no vosso país, ajudando a reduzir
a cota de crimes passionais e tragédias conjugais, amenizando
as explosões de ódio, ciúmes, cobiça
e esponsalícios mistificados e mercenários! Ademais,
já é tempo de a legislação brasileira
amparar as maiores vítimas das separações
e desquites conjugais, como são os filhos, criaturas
inocentes do seu desajuste e marginalismo às leis do
mundo! Felizmente, o Clero Católico, o maior empecilho
à legislação inteligente do divórcio,
no Brasil, se enfraquece cada vez mais no desespero de solucionar
os seus graves problemas internos, como padres casamenteiros.
subversivos, terroristas, ambiciosos e reformistas! Ademais,
o advento da Umbanda, previsto no Espaço desde o século
XVIII, muito concorrerá para a proclamação
do divórcio no Brasil, cada vez mais aceitável
em todas as classes sociais.
É sintomático e psicológico que a válvula
do divórcio, como uma possibilidade de libertação
conjugal sem ofensa física, é suficiente para
amenizar muitos conflitos domésticos e sustar a violência!
É senso comum corriqueiro que o divórcio apenas
oficializa uma separação de corpos que já
existe promovida pelos próprios espíritos dos
cônjuges litigiosos! Naturalmente, a legislação
do divórcio, no Brasil, não pode copiar os mesmos
ditames da instituição divorcista de outros países
americanos, eslavos ou asiáticos, mas deve amparar-se
sensatamente aos costumes e temperamento peculiares do povo
brasileiro!
Pergunta: Por que é tão precário e desajustado
o casamento terreno?
Ramatís: - Na Terra, o casamento é precedido de
uma fase de namoro ou noivado, onde predomina acentuado sentimentalismo
e falsa poesia, que quase sempre se desmente após consumada
a união conjugal. Antes do casamento, o homem e a mulher
trocam juras ardentes na esfera das paixões efêmeras
ou da poesia insincera tecendo um namoro ou noivado algo romântico;
mas depois instituem um purgatório na forma do lar doméstico,
quando o prosaísmo da vida em comum rasga todos os véus
da contemporização anterior. O noivado terrestre
ainda é a confusão entre o desejo e o interesse;
ou quando muito, um arroubo de paixão transitória.
O casamento, na Terra, para a maioria dos seres humanos, não
passa de um mútuo negócio, onde as paixões
significam a mercadoria em trânsito. Antes de amparo espiritual,
espécie de "oásis" que mitiga a sede
de afetos no deserto da vida humana, o homem ainda considera
o casamento e a constituição do lar terreno apenas
como ensejo de equilíbrio fisiológico; e a mulher
o supõe uma solução econômica e provisão
de bens pessoais. Poucas criaturas concebem o lar como oficina
doméstica de atividade espiritual, espécie de
zona de trabalho de espíritos em aprendizado, unidos
pelo amor, ou como desafetos imantados pelo ódio. Os
filhos representam a contribuição para o prolongamento
do ensino, do entendimento e do amor desenvolvido entre os pais,
contribuindo todos nesse exercício espiritual para à
eleição da família universal.
Pergunta: - Que deve fazer o cônjuge que despende
todos os seus esforços para a harmonia no lar, mas isso
é frustrado pela atitude reacionária do companheiro,
que aniquila qualquer ensejo de conciliação espiritual?
Ramatís: - Que fazem dois desafetos dominados pelos mesmos
sentimentos de ódio e violência, quando se encontram?
Sem dúvida, eles Se maltratam fisicamente, até
que um deles seja o vencedor e sinta-se satisfeito na sua inferioridade
animal. Mas, no conflito da animalidade, não há
vencido nem vencedor, pois ambos os contendores assemelham-se
pela mesma condição agressiva. Ainda são
cidadãos do mundo das cavernas, manejadores do tacape,
transvestidos modernamente em pistolas eletrônicas, esmurradores
sublimados no "box"! Distinguem-se dos primatas apenas
pela configuração exterior do terno de casimira,
barba raspada, cabelos curtos e por articularem uma linguagem
ampla e expressiva.
No entanto, desde que um dos cônjuges seja tolerante,
bondoso, compreensivo, humilde e sem pretender impor a sua personalidade
transitória, é óbvio que o conflito no
lar se extingue à míngua de combustível
inferior, assim como a fogueira se apaga por falta de lenha.
Somente é possível conseguir-se a paz tão
desejada no lar, quando o cônjuge mais espiritualizado
cede em favor do companheiro inconformado. Quem já acumulou
valores definitivos, no reino do Cristo, pouco importa em discutir
e competir na posse dos tesouros perecíveis do mundo
de César, ou impor a força das paixões
animais. Nas lutas e tricas humanas, em que o instinto animal
domina, o vencedor apenas dá alimento às "feras"
de suas próprias paixões!
Nenhum conquistador de povos do mundo jamais poderá ombrear-se
com Francisco de Assis, Buda, Gandhi ou Jesus, os quais, sem
lutar com as armas fratricidas, venceram em si mesmos o instinto.
E ensinaram aos homens as mais avançadas estratégias
para a alma lograr a vitória de si mesma! Guerreiros
da Paz, eles reconquistaram, passo a passo, o território
espiritual em que dominava o reino animal!
Então, marido e mulher, em geral, velhos desafetos reunidos
na arena do lar terreno pela natureza dos sentimentos e interesses
mútuos, mas intimamente separados pelos conflitos espirituais
do passado, buscam a solução benfeitora principiando
a desatar as algemas de sua prisão recíproca.
Malgrado as lutas e desentendimentos cotidianos, algumas vezes
conflitos mais graves e quase separação, na velhice,
ambos os cônjuges compreendem a lição triste
das cicatrizes produzidas pela ausência do amor verdadeiro
e altruístico, que é o amor espiritual! Mas é
evidente que sempre cabe ao companheiro de melhor noção
espiritual a iniciativa de renúncia, tolerância
e passividade, a fim de manter a harmonia e a paz desejadas
no lar. superando o cônjuge mais obstinado, grosseiro
e agressivo.
O espírito primário, em qualquer circunstância,
jamais se conforma de ser derrotado na competição
humana, pois luta e esperneia acusando e defendendo-se até
à calúnia, para convencer de que sempre tem razão.
Quando situado sob hierarquia superior, ele é servil
e até bajulador; mas se alcança o poder é
o mais despótico e cruel. Sô as almas evangélicas
vibram sob a bênção dos deuses em renunciar
e servir, felizes até na humilhação, quando
disso resulta algum bem ao próximo! Os espíritos
medíocres guardam ressentimentos dos atos mais inofensivos
e sentem-se feridos profundamente no seu amor-próprio!
Dominados pelo utilitarismo da vida material, ceder, para eles,
é prejuízo, por cujo motivo mobilizam todos os
recursos agressivos e defensivos da personalidade humana, a
fim de "vencer" e lucrar!
Pergunta: - É de lei espiritual que somente o homem deve
mandar no lar?
Ramatís: - É de senso comum que o comando hierárquico
do lar deveria sempre pertencer ao homem, desde que ele seja
integro, laborioso, fiel à esposa, protetor dos filhos
e respeitado. O esposo pode comandar o lar e ser um tipo franciscano,
que renuncia facilmente aos louros da vitória nas lutas
conjugais, produtos da inconformação da mulher
primária. Mas, é evidente, entre perdoar, amar,
compreender, tolerar e ao mesmo tempo comandar, há grande
distância. O chefe de família deve ser respeitado
e cultuado, quando for criatura regrada, laborioso e fiel à
companheira, pai justo e amigo imparcial dos filhos, sabendo
preservar no mundo profano o seu nome honrado. Mas o homem alcoólatra,
irresponsável e vezeiro nos encontros clandestinos, ou
cujo automóvel é um traço de união
entre o lar e o prostíbulo, então enfraquece a
sua autoridade hierárquica sobre a família, assim
como não faz jus ao comando do exército o general
que se degrada pela embriaguez. O chefe de família bom,
correto e moralmente sadio não precisa transferir o cetro
de comando doméstico para a esposa colérica, insatisfeita
e masculinizada. O homem que luta "fora do lar", enfrentando
o mundo profano, também pode gerenciar dignamente o lar
e ser obedecido pela família. Mas afora disso, deve curvar-se,
conformado, ao comando da companheira laboriosa, ativa e honesta,
que ofereça melhores credenciais espirituais para desempenhar
tal encargo.
Pergunta: - Como deve ser a mulher, em face dos mesmos direitos
que lhe cabem na atividade humana?
Ramatís: - Sem dúvida, a mulher deve ser nobre
e atenciosa companheira do homem; o complemento amoroso de sua
vivência espiritual na Terra! Infelizmente, nem todos
os homens fazem jus ao tipo feminino dócil, terno e compreensivo,
porque em vidas anteriores abusaram despoticamente, semeando
injustiças, viciações e caprichos inferiores
sobre as companheiras humilhadas! A Lei Cármica é
educativa e corretiva, então os liga em novas existências,
e há mulheres ríspidas, agressivas, insatisfeitas
e de linguajar grosseiro, justificando-se o conceito de que
"a colheita é conforme a semeadura"!
No entanto, a mulher de comportamento superior, meiga, amorosa,
compreensiva, malgrado esteja ligada a um companheiro injusto,
rude e atrabiliário, ela se desvencilha mais cedo desse
tipo espiritual indesejável, ao qual uniu-se no passado
por imprudência, interesse ou paixão incontrolável.
Mas é dever da mulher não perder a graça
e o encanto tão próprios de sua natureza delicada,
vivendo sempre em função de exemplificar no mundo
pelo espírito de paz e ternura. Embora caiba-lhe o direito
de participar de todas as atividades humanas, seja na ciência,
arte, filosofia, religiosidade, magistratura ou política;
jamais deve sacrificar o seu feminismo delicado e inspirativo,
imitando a grosseria e a agressividade do homem! A masculinização
virtual da mulher diminui-lhe a beleza, a poesia e a graça,
extinguindo-lhe os atrativos estimulantes da própria
vida do homem! A docilidade, a paciência e li ternura
feminina podem dirimir mais facilmente os conflitos conjugais
gerados por ciúme, amor-próprio, cólera
ou irascibilidade, adoçando o temperamento agressivo
do homem e o induzindo ao respeito e até à veneração
pela companheira!
Pergunta: - Mas, em certos casos, apesar das mais santificadas
intenções contemporizadoras de um dos cônjuges,
no lar, não existe qualquer compreensão ou atitude
pacificadora do outro companheiro! Que dizeis?
Ramatís: - Jesus é bem explícito, quando
assim recomendou a Pedro, que se queixava da insinceridade do
povo: "Que importa que não me sigam, Pedro? Segues-me
tu?" Quando o espírito decide-se pelo reino do Cristo,
ele tem que renunciar aos seus caprichos personalistas, desligando-se
dos bens do mundo de César e superando as gloríolas
do mundo transitório da carne! A ascese espiritual é
uma questão toda particular e de interesse pessoal; o
candidato deve tentar a sua realização superior
independentemente do procedimento alheio para consigo. E o lar
terreno é a primeira etapa dessa operação
espiritual de renúncia da matéria, pois ali o
esposo e a esposa devem promover os exercícios crísticos
de sua libertação espiritual, para mais tarde
lograrem o mesmo êxito no seio da humanidade.
Mas enquanto os esposos competirem no culto exagerado ao "ego"
inferior da exaltação animal. dificilmente conseguirão
desatar os laços escravizantes dos ciclos cármicos
no mundo físico. Não há outro caminho nem
outra técnica porque só quem morre para o mundo
é que renasce para o céu! A família humana,
com as contradições, ciumeiras e os desentendimentos
de autoridade, é tão-somente a miniatura da própria
humanidade, cujos problemas semelhantes amplificam-se além
das fronteiras de cada povo. O lar humano é o caldo de
cultura, o laboratório de ensaios onde os espíritos
vinculados por interesses recíprocos, e abrigados do
mundo profano pelos mesmos laços consangüíneos,
podem fazer os seus experimentos em grupos reduzidos. aprimorando-se
no treino para a mais breve libertação espiritual.
Em conseqüência, pouco importa se determinado cônjuge
desfaz ou subestima as mais santificadas intenções
do companheiro interessado em sublimar-se, pois na hora da morte
física, cada um segue para o plano correspondente à
sua graduação espiritual. Se temos consciência
de que é mais vantajoso sermos bons, pacíficos,
tolerantes e amorosos, também somos indiferentes à
opinião, critica ou reação alheia. É
mais venturoso quem consegue a inspiração e a
companhia do Cristo nas suas decisões espirituais, do
que impormos as nossas prerrogativas e pontos de vista aos companheiros
do vivência humana!
Pergunta: - Não seria despotismo o fato de o
homem impor a sua autoridade atrabiliária sobre a mulher,
como um direito próprio somente do sexo masculino?
Ramatís: - Malgrado considerarmos que ambos os cônjuges
devem harmonizar-se num entendimento espiritual recíproco,
porquanto, em geral. Se unem por forças de deslizes e
dividas recíprocas do passado, a legislação
social, política ou administrativa do vosso mundo ainda
consagram a autoridade masculina com o direito de mando no lar.
Mas o fato de que o espírito pode renascer mulher ou
homem, nesta ou noutra existência, então desaparece
qualquer injustiça ou despotismo no comando do lar, pois
quem é comandado ou explorado hoje, já o fez no
passado, ou ainda poderá fazê-lo no futuro e desforrar-se
dos atuais maus tratos!
Só em planetas de graduação espiritual
superior à Terra, é possível dividir-se
a autoridade doméstica ou profana sob a mesma equanimidade
de direitos entre o homem e a mulher 13. Ao homem terreno ainda
cabe-lhe o direito de comando no lar ou na vida profana, enquanto
a mulher é mais propriamente a figura amorosa e inspirativa
acima dos conflitos de guerras, choques doutrinários
políticos ou religiosos. O homem desenvolve e persiste
na sua função autoritária, porque no mundo
profano cabe-lhe a obrigação primordial de mobilizar
a receita doméstica. Assim, enquanto a mulher é
condicionada à passividade do lar, na função
prosaica de lavar panelas, mudar fraldas dos filhos e preparar
o alimento para os componentes da família, o homem supre
a receita e os meios para que as atividades domésticas
se processem com êxito.
13 - Vide a obra "A Vida
no Planeta Marte" de Ramatís, nos capítulos
"Matrimônio" e "Família".
Evidentemente, existem no mundo
apenas dois seres racionais: o homem e a mulher! O primeiro
ainda é um ente mais agressivo, autoritário e
impaciente, em face do seu condicionamento na atividade competidora
profana, onde vive múltiplos estados de espírito
no entrechoque ambicioso e especulativo com os demais homens.
A mulher, no entanto, pela vivência entre as fronteiras
do lar, deve ser terna, tolerante e contemporizadora, a fim
de manter o equilíbrio entre a razão viril masculina
e o sentimento feminino apaziguador. O homem é o principal
responsável pela arrecadação dos meios
para a manutenção da família, enquanto
a mulher é a responsável pela harmonia doméstica.
Foi assim que Deus esquematizou a vida humana e as suas seqüências
educativas, por cujo motivo agir diferente é contrariar
o próprio esquema divino. Embora a mulher seja espírito
da mesma origem divina do homem, ela deve agir sempre no sentido
de apaziguamento e ternura, o único modo de contrastar
a sua figura tradicionalmente meiga e atraente, com a configuração
hostil e rude do homem!
A mulher sempre foi evocada pela poesia do mundo como um ser
encantador, amoroso e fonte de ternura, que, além da
missão nobre de "mãe" ou médium
da vida, ainda deve ser o consolo do homem aturdido nas lutas
do mundo profano, Ademais, a mulher de boa índole, meiga
e humilde, ainda é excelente antena viva, que pode recepcionar
as melhores intuições espirituais para uma vivência
tranqüila e certa da família.
Evidentemente, não endossamos a desventura da mulher
chinesa, japonesa ou africana, que até pouco tempo não
passava de alimária de carga dos maridos embrutecidos,
assim como desaprovamos os esposos brutais, viciados e irresponsáveis,
cujo sadismo no lar os nivela à animalidade. Mas desaconselhamos
a masculinização da mulher em luta feroz pela
competição com a autoridade do homem. É
sempre ridícula a mulher que, em vez de agir exaltando
as suas credenciais femininas e encantadoras, prefere agir discutindo,
gritando e impondo as suas opiniões obstinadas!
Pergunta: - Mas a mulher
é um espírito da mesma linhagem do homem, que
se diferencia tão-somente pela sinalética do sexo
humano. Porventura, não deveria gozar incondicionalmente
das mesmas prerrogativas masculinas?
Ramatís: - Repetimos que ao homem cabe-lhe conceder à
mulher os mesmos direitos de vivência e aprendizado espiritual
no mundo físico, proporcionando à companheira
todas as alegrias e os meios de ela elevar-se. Mas é
preciso que a mulher também se aprimore espiritualmente,
antes mesmo da cultura profana, a fim de desenvolver a intuição
e saber dirimir sensatamente os problemas conjugais e a vivência
com os filhos. A mulher que se retarda demasiadamente. enquanto
o esposo sobe em hierarquia no mundo, aumenta o hiato que já
pode existir separando ambos por efeito de idéias e opiniões
diferentes. É preciso não cuidar somente da sua
configuração física, mas tentar aproximar-se
do esposo pelo interesse nas coisas que ele cultiva, sensatas
e proveitosas, assim como burilar o espírito para fortalecê-lo
nos momentos críticos de desânimo e preocupações.
Não basta cultuar a moda exagerada, só porque
o esposo melhora a receita financeira, mas também superar
gradativamente o perigo de continuar a ser "a mulher do
soldado", quando o marido já chegou a general! 14
14 - Nota do Médium: -
Nesse conceito de "mulher de soldado" quando o esposo
já chegou a general, Ramatís simboliza o que comumente
ocorre na vida de muitos homens, os quais se casam pobres e
sem credenciais elevadas, esposando mulher inculta e até
inexpressiva no ambiente modesto onde vive. Mas, tratando-se
de homens briosos, muitos deles estudam, aprimoram-se, sobem
em hierarquia militar ou civil, nivelando-se às freqüências
sociais, cultas e superiores. No entanto, a esposa nada faz
para melhorar o seu padrão comum. Ela troca as antigas
vestes pobres por trajes modernos luxuosos, mas, no íntimo,
continua a mesma criatura inculta, obstinada e fútil,
ajustando-se, realmente, ao conceito pejorativo de ainda ser
a "mulher do soldado", embora o marido seja general!
Mas também não
precisa abdicar de sua ternura, tolerância e paciência,
com as características sublimes da sua função
de ser mãe e devotar-se exclusivamente à cultura
do intelecto, para nivelar-se ao esposo diligente, pois a natureza
intuitiva da mulher embeleza-se facilmente com pequenos toques
de bom-senso.
Não resta dúvida de que a mulher é um espírito
da mesma origem do esposo, diferenciada acidentalmente no mundo
físico pela sua estrutura ginecológica apropriada
à sua missão maternal; mas, sob qualquer condição,
ela completa o binômio humano, pois, enquanto oferta ao
mundo o sentimento que angeliza, o homem promove a sabedoria
que liberta.
Pergunta: - Ouvimos entendidos opinarem que na época
apocalíptica de "Fim de Tempos", que já
estamos vivendo na Terra, e conforme predição
de João Evangelista, os lares serão cada vez mais
perturbados com graves problemas para a família! Que
dizeis?
Ramatís: - O que faz perigar á harmonia do lar
terreno não é o "Fim de Tempos" apocalíptico,
mas a evidente incompreensão gerada pelo amor-próprio,
ciúme, orgulho e obstinação dos esposos
distanciados do "Código Moral do Evangelho do Cristo"!
Os casais que já identificam o lar e a família
como ensejos educativos de retificação cármica
do espírito, embora ainda sintam-se dominados pela animosidade
dos conflitos pregressos, são como os alunos diligentes
que mais aproveitam as lições escolares. Pouco
a pouco transformam ódios em amor, dívidas em
créditos, explorações de ontem em serviços
fraternos, orgulho em humildade, insultos em atenções.
Sendo o ambiente doméstico o lugar de reencontro de almas
comprometidas no pretérito, mesmo quando a união
conjugal é fruto exclusivo de transitória paixão
carnal e de breve saturação na vivência
em comum, ainda salva-se a existência doméstica
quando ali predomina o amor fraterno! Além do esquema
comum, em que o homem e a mulher terrena vivem a fase do namoro,
noivado e depois se esposam, isso deve sublimar-se na maturidade
do casal na condição abençoada de irmãos!
A paixão carnal é como fogo de artifício,
pois termina nas cinzas das decepções entre os
cônjuges, assim que cai o véu da ilusão
romântica e ambos podem apreciar livremente os seus defeitos
recíprocos.
O homem, comumente, sonha casar-se com uma princesa, a qual
move-se entre ternura e poesia; a mulher, por sua vez, fortalecida
pela literatura, novelas e filmes românticos, aguarda
o seu "galã" ou "príncipe encantado",
que há de fazê-la feliz para sempre. Infelizmente,
a vulgaridade doméstica, na sua vivência crua e
rotineira, sem o disfarce e o verniz que antes ocultava a realidade
conjugal, termina por derribar dos seus pedestais encantados
os esposos mutuamente mistificados, para mostrar uma comunhão
defeituosa por força do grau espiritual e próprio
dos espíritos terrícolas. Em conseqüência,
serão mais felizes no casamento os jovens que buscam
corajosamente a realidade espiritual, antevendo sob o invólucro
carnal do companheiro outra alma ansiosa de ventura!
Em conseqüência, se o "Fim de Tempos",
em sua feição de catalisador espiritual, tende
a superexcitar as criaturas, avivando-lhes os conflitos e as
dissensões espirituais do passado, em sentido oposto,
o Evangelho de Jesus é a bússola que orienta infalivelmente
os náufragos da vida humana em direção
ao Norte Angélico!