" A VIDA HUMANA E O ESPÍRITO IMORTAL" - RAMATÍS

Problemas da Infância

Pergunta: - Que nos dizeis sobre o período da infância do espírito encarnado na Terra?
Ramatís: - O espírito, realmente, encarna-se; não nasce, não cresce, não envelhece e não morre propriamente na carne. É centelha cósmica da Chama Criadora, que é Deus; portanto, não renasce nem é destruído. O ego espiritual desce vibratoriamente ao mundo carnal, a fim de desenvolver a consciência e ter noção de si mesmo, passando a existir como entidade emancipada, porém subordinado às leis do próprio Criador, pois, embora o espírito seja eterno e disponha do seu livre arbítrio, jamais se isola do Todo. E o seu autoconhecimento, ele o adquire mediante as deduções do seu mundo interior, que resultam do seu contacto com o mundo exterior.
Assim, o espírito do homem não vive propriamente os períodos de infância, juventude e velhice, conforme acontece ao corpo físico. Nascer, crescer, envelhecer e morrer são apenas etapas adstritas à concepção de tempo e espaço entre o berço e o túmulo. O espírito manifesta-se temporariamente através do equipo de carne, nervos e ossos, que é a sua instrumentação de trabalho e aprendizado consciencial no ambiente do planeta.
Como Deus é o pano de fundo da consciência de todos os homens, jamais o espírito humano desvincula-se da Consciência Cósmica que o originou e lhe garante o atributo de existir. Nas múltiplas existências físicas, ele apreende os conceitos do pecado e virtude, do bem e mal, da saúde e enfermidade, do certo e errado, do inferior e superior, do impuro e puro, que assim lhe facultam apurar os valores divinos latentes em si mesmo.
Em conseqüência, o período de infância física do homem é uma etapa transitória, em que o espírito se manifesta algo reduzido na sua verdadeira capacidade já adquirida nas vidas pregressas. A sua ação amplia-se pela comunicação cada vez mais racional e consciente em equivalência com o crescimento do corpo. Diríamos que o espírito não nasce na Terra, mas acorda, aos poucos, da hipnose submetida no Espaço, antes de encarnar, manifestando-se tão clara e conscientemente quanto seja a capacidade e sensibilidade do seu equipo carnal em relação com o meio material.


Pergunta: - Podereis explicar-nos mais claramente essa diferença entre a infância do homem carnal e a sua condição espiritual?

Ramatís: - Para habitar a carne, o espírito deve reduzir o seu perispírito ou invólucro espiritual, que lhe dá a configuração humana, até alcançar a forma de um "feto" perispiritual, ou seja, a condição "pré-infantil", capaz de permitir-lhe o "encaixe" no útero-perispiritual da futura mãe encarnada, na contraparte imponderável do útero físico.
Não se trata de redução na sua faculdade mental ou capacidade astralina, já desenvolvidas no curso pretérito de sua evolução. Ele fica apenas temporariamente restringido na sua liberdade de ação durante o encolhimento perispiritual, colocado no ventre materno, onde deve materializar-se para atuar no ambiente físico. O espermatozóide, na sua corrida instintiva em direção ao ovário feminino, é tão-somente o "detonador psíquico", espécie de "élan" ou "comutador automático", que em sua essência ectoplásmica funciona ligando o mundo astral ao mundo físico. É apenas um microrganismo nutrido de "éter-físico" do orbe terráqueo, o qual desata o energismo criador nesse limiar oculto da vida e acasala as forças do espírito com o campo físico da carne. Em seguida, o molde perispiritual do encarnante situado no útero da mulher preenche-se gradualmente de substância física, ante o automatismo atômico e a contextura molecular própria da Terra. 1

1 - Nota de Ramatís: - Não há uma encarnação ou desencarnação absolutamente semelhante, cujo acontecimento depende, fundamentalmente, da especificidade magnética e do desenvolvimento psíquico do espírito encarnante ou desencarnante. Há casos em que os técnicos siderais aguardam primeiramente a cópula humana, para então processarem a redução perispiritual do encarnante até atingir a forma fetal. No caso de espíritos primários, que devem encarnar instintivamente atraídos pelas forças da carne, a redução do perispírito é feita com bastante antecipação à cópula e depois ligada imediatamente ao ato físico


Pergunta: - Qual é a comprovação, no mundo físico, de que o homem carnal é apenas produto do desenvolvimento do seu perispírito preexistente ao corpo físico, e não exclusivamente dos fatores hereditários da genética humana?
Ramatís: - Após o espírito submeter-se, no Além, ao processo "sui generis" de reduzir-se vibratoriamente ou encolher o seu perispírito até atingir a forma fetal apropriada para caber no ventre perispiritual da futura mãe encarnada, ele ali permanece até incorporar e absorver as energias que se condensam do mundo físico e depois constituem o corpo carnal. Esse processo então se sucede nos meses de gestação materna, através das diversas etapas evolutivas, que lembram o verme, o réptil, o peixe, até configurar-se no aspecto humano aos sete meses.
Assim, em vez de o espírito nascer na Terra, ele acorda ou desenleia-se, pouco a pouco, até retomar a sua configuração peculiar primitiva e "pré-encarnatória", embora modificada pelos traços morfológicos da nova ancestralidade biológica. Em verdade, o homem somente cresce em aparência corporal, pois, evidentemente, ele apenas desperta até lograr a forma humana-perispiritual, que já existia no Espaço antes de se encarnar no ventre feminino. A figura adulta do homem, manifestada no cenário do mundo físico, apenas revela o limite da configuração perispiritual tecida nas diversas vidas pregressas. Diríamos que o espírito traz do Além o seu cartucho invisível, o qual se reduz e se amolda no útero feminino e preenche-se da substância física até o limite que o impede de crescer ininterruptamente em todos os sentidos. De contrário, se o homem com vinte anos de idade possui um metro e sessenta de altura, com quarenta anos deveria atingir 3,20; e, com sessenta anos, a altura de 4,80! No entanto, devido à matriz, o molde ou "cartucho" perispiritual preexistente à formação do corpo carnal, o homem não ultrapassa na matéria a estatura que é própria do seu perispírito antes de nascer fisicamente.


Pergunta: - Poderíeis dar-nos algum exemplo concreto dessa redução vibratória do perispírito, o qual, depois de justapor-se ao ventre materno, preenche-se com a substância física do mundo, mas não transcende a sua configuração pré-natal?
Ramatís: - Em exemplo singelo, lembramos o que acontece com os balões de borracha insuflados de gás, os quais recortam as figuras de palhaços coloridos, e que tanto divertem as crianças. Quando se expele o gás desses balões de borracha ou plásticos, ele então murcham e ficam reduzidos a figurinhas diminutas, embora nessa redução mantenham as características fundamentais de sua anterior configuração peculiar de quando estavam inflados de gás. Depois, novamente inflados de ar ou gás, esses balões voltam a configurar as mesmas formas características dos palhaços coloridos. Supondo-se que o perispírito do homem seja algo semelhante a essas figuras plásticas infladas de gás ou ar quente, ele também precisa ser esvaziado ou reduzido na sua configuração peculiar no Além, a fim de poder encaixar-se no útero perispiritual da mulher. Embora ainda seja invisível o perispírito do encarnante, depois de reduzido e ajustado ao vaso materno da mulher gestante, ele irá se desatando ou se "desenleando" à medida que absorve a substância física, tal qual os balões murchos de borracha inflam-se gradativamente de ar. 2 Quando, após a sua gestação física no ventre da mulher, a criança nasce ou surge no mundo físico, isso é apenas a "materialização" do seu perispírito anteriormente reduzido no Espaço. Após o corte umbilical, o espírito continua a despertar ou desenvolver o seu perispírito até o limite traçado pela sua própria contextura individual.

2 - Nota do Médium: - Certa vez, num raro momento de vidência etéreo-física, percebi através do abdômen da senhora M. T. S., nossa conhecida, a configuração de um feto-perispiritual no seu ventre; e predisse-lhe o nascimento de mais um filho. A irmã protestou, que em absoluto não sentia qualquer sintoma gestativo e não podia crer na minha predição. Oito meses após nascia-lhe o terceiro filho, hoje um rapaz de 14 anos, e que eu vira na configuração perispiritual processando a sua materialização à luz do mundo.


Pergunta: - Quereis dizer que o recém-nascido não passa de um ego espiritual a desatar o seu perispírito reduzido no Espaço até a forma "pré-infantil". Não é assim?
Ramatís: - Repetimos: o espírito não nasce, não cresce, nem morre. Ele "desperta", gradativamente, do seu invólucro fetal encaixado no ventre materno, até alcançar a sua configuração primitiva antes de mergulhar na carne. Cada existência humana é apenas uma nova manifestação do espírito através do corpo físico tangível na matéria. Assim como a luz elétrica projeta-se tanto mais ampla conforme seja a capacidade da lâmpada, o espírito encarnado também se manifesta mais autêntico à medida que se desenvolve o seu corpo físico. Em conseqüência, há grande diferença entre as manifestações ou ações do espírito, quando age pelo organismo carnal infantil, comparativamente ao que ele pode realizar depois de adulto.
A Natureza gradua proporcionalmente o despertar do espírito no seu instrumento de carne, através de diversas etapas conciliadoras e conhecidas como infância, juventude, maturidade e velhice. Mas assim como periga a carga elétrica de alta voltagem, os raciocínios incomuns e as emoções exaltadas do espírito encarnado podem afetar a coesão molecular do corpo, a rede enzimática, e desarmonizar as coletividades microbianas, quando essa operação ultrapassa a resistência e a capacidade normal. Por isso, a Sabedoria do Psiquismo criou a glândula timo, que frena o crescimento orgânico prematuro e assim evita uma ação demasiadamente violenta sobre o cérebro ainda em formação. O desenvolvimento adulto precipitado e organicamente frágil daria ensejo para o espírito agir na sua plenitude espiritual, mas atuando em altíssima voltagem sideral, capaz de queimar os neurônios e a rede cerebral.
A providência reguladora do timo, então, impede que o espírito encarnado manifeste, de chofre, todo o seu potencial psíquico antes dos sete anos e além da capacidade do seu equipo carnal, em crescimento. O timo, além de sua função controladora do excesso psíquico sobre o corpo imaturo, ainda frena os estímulos excessivos que fluem do perispírito para o "duplo-etérico" 3, também na fase de desenvolvimento e absorção do "éter-fisico" do meio terrestre. Daí justificar-se o aforismo de que a criança é inocente até nos sete anos porque ainda não assume a responsabilidade total do organismo, o qual permanece sob o controle técnico do mundo espiritual. A máquina carnal até aos sete anos encontra-se em fase de experimentação e reajustamento, assim como qualquer maquinaria do mundo sofre "testes" e correções na fábrica. a fim de não ser entregue ao seu dono com defeitos originais.

3 - Duplo-Etérico, corpo constituído de éter-físico, medianeiro entre o perispírito e o corpo físico, existente somente durante a encarnação física e dissociando-se 3 a 4 dias após a morte carnal.
Mas durante a fase do nascimento até aos sete anos físicos, e pela impossibilidade de o espírito agir plenamente no seu corpo carnal, então o instinto animal exerce a sua força criadora e procura impor a sua ascendência vigorosa e primária. Trava-se renhida luta entre o principio espiritual superior e as tendências inferiores do mundo físico. Dai o motivo por que os pais devem exercer rigorosa vigilância nos filhos até aos sete anos, extirpando-lhes energicamente os maus costumes, impulsos danosos, tentativas autoritárias e atrabiliárias, para evitar que uma estigmatização instintiva posteriormente se oponha na forma de uma barreira intransponível à correção espiritual.
A criança não deve ser estimulada nem louvada nas suas irascibilidades e reações censuráveis; o seu espírito só domina mais cedo os seus instintos primários, caso também receba a ajuda eficiente e enérgica dos pais isentos de qualquer sentimentalismo, sem confundirem o mau instinto do descendente à conta de "precocidade". Embora sem os extremos de crueldade e despotismo, os pais não devem afrouxar a sua autoridade, evitando de louvar e estimular as ações indisciplinadas e rebeldes dos filhos.
Os filhos devem ser criados com amor, mas sem a imprudência de deixá-los agir livremente, só porque são "engraçadinhos" ou amuam-se por qualquer coisa. A fim de formar-lhes um caráter nitidamente estóico e leal, os pais devem fortificá-los desde a primeira infância, para solucionarem as suas culpas, sem o culto demasiado da personalidade humana. É algo perigoso quando, para os pais sentimentalistas, o seu pupilo sempre tem razão; enquanto que é mau e condenável o filho do vizinho. As contrariedades da infância caldeiam e fortificam o temperamento da criança para mais tarde enfrentar as desventuras da vida humana, pois, quando excessivamente apoiada e mimada, em todas as suas manhas e indisciplinas, os jovens viverão em conflito nas suas relações com a sociedade e atuações no mundo. Quem não aprende a dominar os seus instintos primários na infância, bem mais difícil ser-lhe-á na fase adulta. Assim como o jardineiro decepa os galhos inferiores do bom arvoredo, os pais precisam eliminar na primeira infância dos filhos os maus estigmas lançados pela força selvagem da formação animal!

Pergunta: - Mas devem existir crianças portadoras de um espírito pacifico e bom, que não são afetadas pelo instinto inferior na primeira infância. Não é assim?
Ramatís: - Sem dúvida, também hã crianças daninhas e rebeldes na primeira infância, que expressam violentamente os instintos hereditários da linhagem de sua família carnal, mas depois de jovens e esclarecidas recuperam o seu domínio espiritual superior sem causar desventuras alheias. Gradualmente, elas moderam seus pensamentos e suas emoções na juventude regrada de bons exemplos, chegando a surpreender que tivessem sido rebeldes e indisciplinadas. Mas não serve isso de paradigma para Se conceder absoluta liberdade na época infantil às demais crianças, pois só o espírito superior é capaz de sobrepujar, mais cedo ou mais tarde, as más influências e os instintos desregrados. No entanto, como a maioria dos espíritos encarnados na Terra é de natureza primária e facilmente influenciável por caprichos, rebeldias e impulsos violentos, é imprudência criá-los sem o rigoroso controle sobre as idiossincrasias instintivas. Há, mesmo, aí na Terra, um velho provérbio que assim adverte: "O cipó torce-se quando novo"; e que na Indochina temos o equivalente: "Filho mimado, homem desnaturado". 4

4 - Nota do Médium: - Certo amigo de infância foi pai de dois filhos no primeiro casamento e, por coincidência, mais dois rapazes no segundo casamento. A primeira esposa, deslumbrada pelos rebentos viçosos e traquinas, ria-se de quaisquer estultícia, malvadeza ou violência dos mesmos e jamais fez ou permitiu um gesto de repreensão. Os "queridos rebentos" cuspiam na face das visitas, judiavam de aves e animais, apossavam-se dos brinquedos e objetos dos companheiros. Depredavam, soqueavam o rosto dos avós impotentes ante a reação irascível da nora. Qualquer reclamação da vizinhança gerava ódios, discussões e inimizades da mãe inconformada. Hoje, um deles, com 23 anos, e o outro, com 19, cumprem penalidade de roubo de automóveis, vigarismos e falsificações de cheques. A segunda esposa, mulher espiritualizada, enérgica, disciplinada e esoterista, eliminou desde tenra infância todas as primeiras manifestações do instinto inferior; não batia nos filhos, castigava-os suspendendo regalias, deixando-os reclusos nos quartos até modificarem suas atitudes. Atualmente, N. R., com 19 anos, é 3° anista de Medicina, e M. R., com 21 anos, casado, é contador-chefe de importante firma curitibana.

Mas, comumente, as tendências da ancestralidade animal subjugam o espírito do homem na fase infantil, cabendo então aos pais mobilizarem a mais severa vigilância a fim de ajudar os filhos a vencerem os recalques do instinto inferior.


Pergunta: - Porventura, o amor que devotamos aos nossos filhos pode favorecer-lhes a manifestação perigosa do instinto animal inferior.
Ramatís: - Os pais devem compreender que precisam ajudar o espírito dos filhos a dominar o instinto animal e próprio da linhagem carnal hereditária. É muito perigoso o fascínio dos pais pelo aspecto inusitado dos bebês rechonchudos ou crianças pródigas, que passam a tiranizar o ambiente doméstico sob a visão complacente dos adultos. Os filhos precisam de toda experiência e disciplina vigorosa dos pais na sua fase infantil, para então frenarem as manifestações instintivas pregressas, que principiam a agir desde o berço. Sem dúvida, é o amor que desenvolve as qualidades sublimes latentes do espírito, mas é a severidade e a autoridade paternas sem sentimentalismos piegas que realmente ajudam as crianças a dominar os seus impulsos inferiores.
O corpo de carne, à guisa do "cavalo selvagem" 5, é o vigoroso potencial de forças herdadas do animal e caldeadas na formação das espécies primárias. Portanto, é perigoso e imprudente os pais ou avós deslumbrarem-se pelos seus descendentes, só porque eles herdam-lhes a fisionomia, a cor, o porte e o jeito! Deste modo, abrem-lhes as comportas do instinto inferior, enquanto o espírito é arrastado no vórtice da rebeldia em face de sua frágil autonomia sobre o corpo carnal! A principal função dos pais, durante a infância dos filhos, é reprimir-lhes, tanto quanto possível, a obstinação, a brutalidade, o despotismo e as más tendências.

5 - Nota de Ramatís: - O exemplo da muda de uma laranjeira superior enxertada sobre o "cavalo selvagem" vegetal, ou tronco nativo da espécie inferior, poderia servir de analogia para avaliarmos a natureza dos princípios espirituais superiores, quando em luta com as tendências hereditárias inferiores do organismo físico. Há laranjeiras de qualidade superior, que conseguem impor os seus frutos doces e gostosos, embora sejam nutridas pelo tronco selvagem onde são enxertadas. Outras, enfraquecidas, só produzem frutos agrestes e azedos, porque se deixam dominar pela base inferior primitiva. Tal seria a Imagem simbólica da luta do principio superior espiritual, contra as tendências inferiores da matéria plasmada pela força bruta do instinto animal.
A criança deve ser imunizada no lar, mas disciplinada para sobreviver à instintividade dos demais companheiros desorientados, e que desde a infância lembram manadas incontroláveis a estourar sob o primeiro impulso de rebeldia. Os instintos mal corrigidos de uma criança ativam-se pelos estímulos energéticos, violentos e obstinados de outras crianças rebeldes. Os acontecimentos expostos cotidianamente pelo noticiário jornalístico demonstram que muitos jovens, aparentemente inofensivos e pacíficos até certa época, depois se tornam delinqüentes reativados pela simples convivência com outros companheiros de maus instintos. Quase sempre isso é conseqüência da invigilância e falta de severidade de certos pais, que, encantados pela configuração carnal dos filhos consangüíneos, deram-lhes ampla cobertura para a prática de toda sorte de asneiras, rebeldias e violências. Os jovens indisciplinados são como as flores frágeis, que decaem em sua qualidade por assimilarem as emanações perniciosas e contagiantes das espécies selváticas inferiores, crescidas no mesmo ambiente. 6

6 - Vide o conto "Frustração", da obra "Semeando e Colhendo" de Atanagildo, relato de um acontecimento verídico confrangedor.


Pergunta: - Mas, se a Lei do Carma determina que espíritos delinqüentes e cruéis encarnem em certos lares terrenos, o que adianta aos pais tentarem discipliná-los na infância, se eles hão de, posteriormente, manifestar os seus instintos nocivos na juventude ou na maturidade?
Ramatís: - As laranjeiras bravias e selváticas, azedas e tóxicas, também se transformam em frutos doces, sazonados e nutritivos graças ao toque hábil e cuidadoso do bom jardineiro. Aliás. até os animais ferozes se tornam mansos e serviçais, quando habilmente domesticados, pois o "cavalo selvagem", violento e agressivo, quando em liberdade na pradaria, converte-se no animal pacífico e útil depois de domesticado. Dependendo dos "jardineiros" paternos, os filhos tanto podem manifestar os valores sublimes do espírito, como desqualificarem-se pela submissão à linhagem instintiva e selvática, que lhes forra o fundo da carne.
Os maus instintos dos filhos tanto podem ser mimados ou corrigidos, dependendo fundamentalmente, da atuação dos pais vigilantes ou negligentes, no comportamento diante das reações e iniciativas perigosas dos seus descendentes. Mas os genitores terrenos, em geral, só se preocupam com os seus problemas de adultos, pois, quando exercem alguma ação corretiva sobre os filhos, quase sempre o fazem mais por irritação ou desforra, do que realmente visando à educação do espírito encarnado. Alguns deixam comodamente os filhos sob a tutela dos avós, parentes ou amigos, enquanto desfrutam da vida todos os proventos e prazeres, malgrado disso resulte a má educação dos descendentes impulsivos, exigentes e rebeldes.


Pergunta: - Podereis explicar-nos mais objetivamente essa questão?
Ramatís: - Em geral, os pais ricos contratam preceptores para educarem os seus filhos, livrando-se da obrigação de resolverem-lhes os problemas nevrálgicos da formação do seu caráter. Outros pais internam os filhos em colégios particulares ou instituições religiosas, proporcionando-lhes a educação moral cívica suficiente, mas esquecidos de que não basta o envernizamento social ou a cultura do mundo profano, caso falte à criança o carinho e o amor que lhe aquece o coração. Na verdade, esses pais livram-se de vigiar os filhos na sua fase delicada e complexa da infância, aliás, a mais perigosa e carente de vigilância, em que os instintos afloram, impondo os estigmas animais.
Dali por diante, o jovem dependerá principalmente do tipo de suas amizades, do ambiente que freqüenta e da influência das pessoas de moral superior ou maléfica. Ademais, os agrupamentos de estudantes no colégio e nas instituições educativas, profanas ou religiosas, são ambientes que ainda facilitam a eclosão do instinto inferior dos jovens indisciplinados desde a infância. Ali, eles não são propriamente esclarecidos na sua contextura "psico-física", mas apenas reprimidos por uma disciplina "standard" e de grupo, quase sempre aplicada por preceptores coléricos e comumente frustrados no seu próprio lar! As crianças de temperamento sadio e boa índole espiritual hão de sobreviver sob a influência primária dessas instituições, assimilando o conteúdo superior; mas, as que, por ignorância e negligência dos pais, ainda não se libertaram do jugo animal, praticam atos censuráveis no mundo, malgrado o frágil verniz educativo da infância ou juventude!
Aliás, as crianças represadas nos colégios instituem a sua própria "maçonaria" de conveniência e mútua compreensão coletiva, resguardando os defeitos e as intenções perigosas, impelidas pelo instinto de proteção contra os adultos. Toda a escória recalcada por força de autoridades preceptoras de instituições educativas em "massa" pode emergir facilmente quando faltar a contenção disciplinar. E como a mente infantil pouco sabe discernir quanto à diferença sutilíssima das coisas boas ou más, perigosas ou inofensivas, as crianças de colégios e internatos apenas recalcam o seu instinto inferior até o ensejo de libertá-lo! Em diversas narrativas ou autobiografias, cujos autores viveram segregados em instituições educativas das mais variadas correntes religiosas, verificamos que eles também se contaminaram no meio onde viveram.
Isso demonstra que, tanto a orientação subordinada a um único molde coletivo, como a disciplina férrea, jamais proporcionam equilíbrio e o controle do instinto superior, porque as virtudes são resultantes do discernimento espiritual e do autoconhecimento de cada indivíduo. As estatísticas sempre provaram que há mais jovens rebeldes, violentos e perversos provenientes de estabelecimentos educativos de todas as espécies, e menos delinqüentes entre os educados por pais amorosos, mas severos e sem sentimentalismos piegas! É óbvio que, nos agrupamentos estudantis heterogêneos, mescla-se tanto o bom dos meninos bons, como o ruim dos meninos ruins, resultando uma ganga ou mistura inferior própria de sentimentos e paixões opostas!


Pergunta: - E que dizeis da criação de filhos por parte da classe média?
Ramatís: - Comumente, a classe média deixa a. educação de seus filhos aos cuidados e orientação dos empregados de confiança. Embora tais servidores possam ser dignos ou bem intencionados, eles só podem orientar os filhos dos patrões com os mesmos recursos educativos que obtiveram na sua infância desafortunada. O criado ou a criada, embora sejam magnânimos e de boa índole, são espíritos subservientes e não podem ter plena autoridade sobre os filhos dos patrões, além de desconhecerem qualquer pedagogia superior. Falta-lhes o conhecimento psicológico e analítico, aquisição somente possível no contacto com os centros educativos de padrão superior. São criaturas mental e emotivamente passivas, exercendo uma coação voluntária sobre si mesmas, servidores que devem abdicar de sua personalidade para concordarem com os patrões, faltando-lhes o conhecimento e a experiência educativa para domesticarem o instinto inferior da criança sob sua orientação.
Só em casos raros verifica-se uma conduta moral e perspicácia mental de servidores que ultrapassam o nível comum até dos seus senhores, como acontecia na antiga Roma, cujos escravos gregos, em geral, eram homens cultos, sábios e filósofos, capazes de ministrarem conhecimentos superiores aos filhos dos seus senhores. No Brasil, malgrado a ternura e o devotamento das velhas "babás" e dos "pretos velhos", muitíssimo apegados aos filhos do "sinhô", eles só podiam tratá-los carinhosamente, mas jamais dar-lhes uma educação ou cultura superior.
É de senso comum que o educador influi no educando, quer transmitindo algo de seu próprio conhecimento e temperamento, como pela maneira de orientá-lo na conclusão dos acontecimentos e fenômenos da vida humana! Há discípulos que atravessam a existência proclamando e vivendo exclusivamente o otimismo ou pessimismo do seu mestre ou preceptor, quais prolongamentos vivos de suas virtudes ou defeitos. No mundo existem escolas otimistas, pessimistas, epicuristas, estóicas, prazenteiras, trapistas, existencialistas ou severamente puritanas, que giram em torno de um eixo montado pelo seu idealizador ou criador, seja Epicuro, Schopenhauer, Zenon, Sócrates, Platão, Pitágoras, ou moderna mente Sartre e outros.
Assim, os filhos também podem receber a influência de determinado preceptor no seu curso educativo, quer seja sacerdote, professor ou criado. Em conseqüência, o homem ou a mulher sem filhos, frustrados no casamento por incessantes vicissitudes ou fracassos morais, quando transformados em educadores, jamais poderão transmitir para os filhos dos patrões uma vivência otimista ou heróica, se eles mesmos ainda sofrem na alma as perturbações da própria existência amargurada! É evidente que a lâmpada empoeirada não transmite a luz na sua limpidez natural. Mesmo na formação do caráter das crianças em estabelecimentos educativos há muita diferença entre o bando de meninas órfãs, que são niveladas pelo mesmo traje uniformizado, igual corte de cabelos e sob a custódia de religiosas severas, em confronto com as alunas de outro educandário mais liberal, que preserva a individualidade da criança sem a uniformização arrasante e a imposição de preconceitos religiosos!
A alma do educador influi fortemente na formação da criança, seja ele um sábio ou simples criado, porque isso depende muitíssimo do seu discernimento e habilidade em ajudar o educando a livrar-se de seus instintos inferiores!


Pergunta: - E que dizeis das famílias pobres que, alem da impossibilidade de educarem convenientemente os seus descendentes, estes são filhos rebeldes, cujo espírito está onerado por graves culpas cármicas?
Ramatís: - Não é a riqueza ou a pobreza o que, realmente, distingue a graduação moral do espírito. Aliás, as almas mais esclarecidas, ao se encarnarem, preferem a pobreza e as vicissitudes do mundo material para solucionarem as suas provas cármicas e acelerarem o seu aperfeiçoamento espiritual. A riqueza, quase sempre, proporciona mais facilidades perigosas para o espírito enfraquecido. A renúncia, a paciência, a resignação e a humildade são virtudes que melhor florescem nos ambientes pobres e ajudam o espírito a libertar-se mais cedo dos ciclos dolorosos e expiativos da carne. A riqueza, comumente, tonteia as criaturas e facilita-lhes a prática dos mais censuráveis caprichos e lúbricos desejos. Sob o manto roto da pobreza, plasmaram-se as figuras sublimes e incomuns de Francisco de Assis, Paulo de Tarso, Vicente de Paulo, Buda, Ramana Maharschi, Gandhi e principalmente, Jesus! As dificuldades, dores e sofrimentos morais proporcionaram ao mundo personalidades como Edison, Van Gogh, Gauguin, Mozart, Allan Poe, Sócrates, Chopin, Schumann, Balzac, Beethoven, Cervantes, Milton, Dostoiewsky, Aleijadinho, Gandhi e outros.


Pergunta: - Mas como educar as almas realmente daninhas e empedernidas que, sob a Lei do Carma , reencarnam-se nos lares pobríssimos? Que podem fazer os pais em tais casos?
Ramatís: - De acordo com a justiça insofismável da Lei do Carma, os pais pobres que ainda são onerados com filhos empedernidos apenas colhem os frutos danosos das vidas passadas, quando provavelmente também negligenciaram com a educação de filhos bons e diligentes. Embora pobres, podem dar bons exemplos morais a seus filhos, pois os pais que falseiam nos seus deveres jamais podem exigir dos seus tutelados uma conduta edificante.


Pergunta: - Sem dúvida, o lar é o ambiente mais eficaz para a educação dos homens. Não é assim?
Ramatís: - O agrupamento doméstico é considerado no Espaço um curso vestibular para o evento da família universal! É uma espécie de triagem onde se classificam os cidadãos diplomados na fraternidade consangüínea; e que se mostram eletivos para aplicar no mundo profano os dons superiores adquiridos e desenvolvidos entre a parentela humana! O lar proporciona ao espírito encarnado as iniciativas do sentimento fraterno; incentiva-lhe a tolerância, paciência. humildade e a conformação, adestrando-o para depois enfrentar as adversidades do mundo! No mesmo lar, as almas reciprocamente hostilizadas em existências pregressas contemporizam-se de suas diferenças porque vinculam-se à mesma linhagem consangüínea, em cujo ambiente doméstico e por força da sobrevivência física, avançam para a compreensão espiritual definitiva. Os filhos são os hóspedes, nem sempre desejados, que por força dos conflitos pretéritos, achegam-se para substituir o ódio pelo amor, a desforra pela indenização. O lar funciona como um curso de confraternização e ajuste de sentimentos em conflito no passado!
Obviamente, isso não poderá ser conseguido em estabelecimentos educativos, colégios, conventos ou quaisquer outras instituições profanas, as quais não podem proporcionar os ensejos de reajuste e contemporização próprias da experiência espiritual sob a mesma vestimenta consangüínea.


Pergunta: - Alhures, tendes dito que apesar de toda a magnanimidade e devotamento, jamais devemos enfraquecer a autoridade dos pais sobre os filhos. Não é assim?
Ramatís: - Os pais já esclarecidos devem compreender que, tanto o seu corpo como o de seus filhos, não passam de instrumentos de trabalho do espírito na matéria. São "vestuários carnais" diferentes apenas quanto às particularidades próprias da cor, porte, ou contextura hereditária. Mas isso é de pouca importância, pois o organismo carnal que o espírito utiliza no mundo físico é uma espécie de "ferramenta" de atividade terrena, algo semelhante ao formão do marceneiro, ou o bisturi para, o médico. Pais, filhos e demais membros da mesma família são um grupo de espíritos compondo um conjunto interessado no mesmo reajuste espiritual, recíproco das mazelas do passado!
À medida que os espíritos identificam a lei da reencarnação, eles certificam que os preconceitos de raças e distinções no mundo material não passam de perigosas ilusões que obscurecem a autenticidade do espírito imortal. E assim, todos devem integrar-se à família universal e compartilhar do sofrimento alheio, participar das mesmas vicissitudes, tecendo a sua felicidade na alegria de servir e aliviar a dor do próximo! Quantas vezes os nossos filhos de hoje foram os nossos piores adversários no passado, ou vice-versa; enquanto o filho do vizinho, que às vezes detestamos, pode ter sido o nosso maior amigo do passado? Sob a mesma vestimenta consangüínea do nosso parente, pode se embuçar o espírito cruel, que nos infelicitou outrora, enquanto noutro que nos antipatiza, vive um excelente companheiro de vivências pregressas! Assim, é tolice o orgulho da linhagem hereditária consangüínea, ou apegarmo-nos à raça de que descendemos, porque a indumentária carnal do espírito, além de ser provisória. jamais identifica a verdadeira afinidade do coração!


Pergunta: - Que dizeis das crianças, que são enjeitadas nas portas das igrejas, nos orfanatos ou até em latas de lixo? 7

7 - Vide o conto "Assim Estava Escrito", da obra "Semeando e Colhendo" do espírito de Atanagildo, o qual analisa com o máximo rigor espiritual o caso desses espíritos enjeitados e recolhidos às Instituições de caridade.
Ramatís: - A filosofia oriental e o Espiritismo ensinam que o homem colhe, na vida presente, os frutos bons ou maus da semeadura feita no passado. Em conseqüência, a Lei do Carma não é uma legislação punitiva, mas um processo de retificação espiritual, que proporciona ao espírito faltoso o ensejo de ele integrar-se novamente no roteiro espiritual educativo para sua mais breve felicidade. Apesar da "dor-mineral", a que é submetido o carbono bruto extraído do solo durante a lapidação do ourives, ele se transforma numa cobiçosa jóia. Os grãos de trigo e de uva, malgrado a "dor-vegetal" de serem esmagados, eles se convertem na farinha benfeitora e no vinho generoso.
É evidente que os espíritos encarnados em lares dignos e amparados por pais magnânimos, se depois os desprezam e se desbragam pelo mundo numa vida egocêntrica e prazenteira, tornam-se indignos de usufruírem noutra encarnação um lar semelhante, protetor e amigo. Sob a legislação cármica, deverão nascer órfãos e ao relento, uma vez que não souberam corresponder ao amor e carinho dos pais amorosos na vida anterior!


Pergunta: - Cremos que as famílias terrenas ainda tão apegadas às convenções e aos interesses materiais, raramente pressupõem que o lar seja autêntica escola de educação espiritual. Não é assim?
Ramatís: - As famílias humanas são agrupamentos interligados pelos laços consangüíneos, mas funcionam como breves estágios educativos das almas encarnadas e comprometidas carmicamente no passado. O lar terreno é a escola providencial, onde os espíritos adversos apagam o incêndio de ódio pretérito e se renovam nas lições do amor, embora sob os interesses das relações protetoras da família. Mas a família, malgrado a sua expressão consangüínea, é apenas a preliminar onde os espíritos treinam e desenvolvem o amor universal acima de qualquer preocupação racista.
Quando Jesus advertiu que devíamos abandonar pai e mãe para segui-lo incondicionalmente, referiu-se à necessidade de o homem libertar-se dos laços consangüíneos, que é o sustentáculo da família humana isolada no seio da humanidade! O Mestre convidou o homem a integrar-se, definitivamente, no seio da família universal, que é eterna! Não aconselhou o desamor nem a rebeldia entre os membros da mesma descendência humana, mas distinguiu a necessidade de mantermos os princípios espirituais acima das tendências inferiores e transitórias da carne. O homem deve superar o amor egocêntrico, que é nutrido pelo sangue do mesmo agrupamento doméstico, a fim de integrar-se no amor do Cristo, que é universal!
O lar terreno, além de sua função precípua de escola de educação espiritual, ainda pode ser acolhido à conta de oficina onde os espíritos se reabilitam e se retificam, alguns atraídos pelo amor cultivado há milênios, outros imantados pelas paixões e pelo ódio vividos no passado!


Pergunta: - Quais são as outras finalidades que o lar terreno ainda atende no plano da Criação, além dessa função fundamental de unir as almas comprometidas e treiná-las para o amor fraterno?
Ramatís: - O lar terreno também é excelente curso de alfabetização espiritual, preparando o espírito para manusear a linguagem universal e viver os sublimes eventos futuros entre as humanidades angélicas. Através dos laços consangüíneos e das obrigações recíprocas existentes entre os membros da mesma família, o lar aproxima as almas e desenvolve-lhes o entendimento da vida espiritual superior.
Assim, enquanto o chefe de família criterioso mantém-se ausente para mobilizar a receita da casa e os jovens dispersam-se em busca de empregos ou atividades educativas cotidianas, as crianças também deixam o lar bem cedo, para freqüentar as escolas. Os mais moços buscam novas afeições próprias de sua idade e afinidade, enquanto os velhos vinculam-se a afetos adequados à sua experiência e vivência humana. Deste modo, enfraquece, pouco a pouco, os laços consangüíneos entre todos os membros da família. Nesse treino singular, quer pela maior ausência como pela diversidade de problemas pessoais, os membros da mesma família preparam-se, grau por grau, para o momento nevrálgico da separação desencarnatória.
O namoro, noivado ou o casamento dos filhos, desvia um pouco o afeto egocêntrico de sangue, cujo vínculo se divide entre o eleito ou a eleita do coração. A constituição de novos lares, por parte dos filhos e demais parentes, fragmenta ainda mais o fanatismo consangüíneo e canaliza novos afetos para com os novos descendentes. Sob a legislação amorosa do Criador, os espíritos adversos unem-se disfarçadamente sob as vestimentas carnais da mesma família; e acabam idolatrando-se, envoltos nas mesmas vicissitudes, alegrias e favores! Isso torna cruciante a separação pela morte física, caso não houvesse o ensejo de deveres, afetos e atividades fora do lar, cujas ausências entre os descendentes da mesma família ameniza a dor futura!
Deus, na Sua Magnanimidade e Sabedoria, criou o lar humano como o ensejo de convocação, vivência e união dos espíritos adversos comprometidos no passado, a fim de se unirem e amarem-se pelos laços consangüíneos da família terrena! Mas, conforme relembramos, os favores e deveres recíprocos terminam despertando afetos e até paixões fanáticas entre os próprios adversários de outrora, cujo "esquecimento" benéfico, dos acontecimentos passados, então, permite a confraternização espiritual. Sem dúvida, há os que se adivinham, entre si, no seio da mesma família, na posição de algozes ou vítimas, decorrendo disso a maioria dos conflitos nos lares terrenos. Mas o generoso disfarce do corpo carnal plasmado do mesmo sangue, não só favorece a aproximação afetiva, como ainda desperta afe1ções novas, que cl1egam a produzir sofrimentos atrozes na hora nevrálgica da partida para o Além!
Eis por que a própria vivência humana foi esquematizada pelos Mestres da Espiritualidade, de modo a promover as "ausências" recíprocas dos componentes da mesma família, acostumando-os para sofrerem menos pela desencarnação inevitável. São hiatos benfeitores pela ausência de trabalho, diferença de credo religioso, preferência esportiva ou política! Ademais, essa separação ainda aumenta pela própria diferença de desenvolvimento mental, pois é bem grande o abismo entre a criança buliçosa, traquinas e instintiva, e a mente experimentada e conservadora dos avós, já curtidos pelos espinhos da vida e algo descrentes das ilusões que ainda dominam os jovens.
Sem dúvida, a simples vivência de corpos vinculados pelo mesmo sangue no agrupamento doméstico não é suficiente para unir os espíritos adversários e dirimir conflitos milenários no roteiro das encarnações anteriores. Mas os interesses em comum, o apego à ancestralidade biológica e à autoproteção da personalidade no lar ameniza e extingue, pouco a pouco, as diferenças antipáticas pregressas, a ponto de vítimas e algozes de ontem, depois de vinculados pela mesma linhagem carnal, derramarem sentidas lágrimas pela separação na morte física.


Pergunta: - E que dizeis desses pais que castigam barbaramente os filhos e os submetem a surras, para educá-los?
Ramatís: - Os terrícolas ainda são espíritos primários, espécies de "homens de cavernas", de cara rapada e envergando ternos de casimira, trajes de "nylon" ou sedas e veludos! Por isso, alguns são incapazes de raciocínios e emoções de alto nível espiritual e praticam atos e decisões de temperamento colérico.
Em geral, os pais que surram impiedosamente os filhos não atendem a qualquer sistema educacional, pois se irritam e se descontrolam, quando desobedecidos e contrariados. É de senso comum que as criaturas primárias são pusilânimes diante dos mais fortes ou superiores hierárquicos; mas são despóticas, intolerantes e vingativas contra os seus inferiores mais fracos. É muito comum, nos quartéis, o sargento, que após tremer diante do general irritado; depois desforra-se despejando a sua cólera e ressentimento sobre os soldados recrutas. Assim, certos espíritos primários, como o pai que sofre humilhações sob o guante do patrão tirânico, ou a esposa ofendida pelo marido despótico, vazam a sua tensão e emoções recalcadas no subconsciente através de castigos impiedosos. Desapercebidos de que educar não é punir, empunham a cinta, vara ou o chicote aliviando a sua ira descontrolada sobre a pele dos mais fracos e indefesos!


Pergunta: - Mas sois contra o castigo físico, que às vezes nos parece necessário para disciplinar os filhos demasiadamente rebeldes?
Ramatís: - Castigo físico é sinônimo de violência, desforra ou impotência educativa! O problema dos pais não é castigar, mas educar, amparar e orientar os filhos! Em última instância, comovê-los e obter-lhes concessões disciplinares em troca de favores agradáveis. Quando os pais são amigos incondicionais dos filhos, os seus descendentes acabam compreendendo que toda rebelião e indisciplina é sempre um prejuízo e uma ofensiva ingrata contra amigos tão generosos. Mas, em geral, os pais são criaturas revestidas de mil pecadilhos e paixões incontroláveis, cuja vivência heterogênea e contraditória não passa desapercebida à criança. Procriar filhos é aceitar o dever mortificante e oneroso de educá-los. Sem dúvida, é cousa fatigante e requer indiscutível habilidade dos pais.
Malgrado a semelhança de configuração carnal e dos impulsos atávicos, os filhos podem diferir completamente dos pais, porque são de diferente natureza espiritual. Em verdade, o filho é o hóspede espiritual que enverga o traje carnal cedido pela família consangüínea, mas precisa ser orientado assim como qualquer turista numa terra estranha.
Não somos pelo sentimentalismo piegas dos pais que favorecem o despotismo de "reizinhos", "princesitas" ou ditadores de cueiros, causando nos lares os cometimentos mais desagradáveis, agressivos e desatinados. É imprudência os pais e avós deixarem-se hipnotizar pelos aspectos buliçosos e festivos da criança que lhes herda a fisionomia familiar, a ponto de permiti-las cometerem toda sorte de danos e agressividades, só porque eles retratam satisfatoriamente a mesma configuração carnal. Depois que o instinto animal domina a criança de modo incontrolável, a surra e o castigo físico só lhes acicatam o "amor próprio" ferido, gerando maior rebeldia.
Muitos jovens delinqüentes, rebeldes e desajustados nas suas relações com o mundo, são produtos da condescendência dos pais, que deixaram florescer-lhes os estigmas inferiores, E quando isso acontece, é bem triste o encontro no Além, entre aqueles que negligenciaram os seus deveres filiais e paternos.


Pergunta: - Embora endossando as vossas considerações, sentimos dificuldade em tratarmos nossos filhos como entidades espirituais, diferentes da sua condição carnal, hereditária, em nosso lar! Que dizeis?
Ramatís: - Os pais precisam reconhecer, sem qualquer contestação ou evasiva, que os filhos, por mais atraentes e divertidos, não passam de espíritos onerados pela bagagem de suas mazelas e imprudências do passado. Lembram as flores carnívoras, fascinantes, que revestidas do seu odor selvático, depois devoram os insetos incautos iludidos pelo seu fascínio agreste. Independente da idade, os filhos devem ser sustados no seu despotismo ou obstinação, ao primeiro gesto hostil e atitude rebelde, que pode levá-las a impor os seus caprichos e a sua tirania instintiva. Quem ainda não consegue comandar o seu próprio temperamento indócil e irascível herdado do instinto animal, deve submeter-se a um tratamento disciplinador que o eduque.
É muito perigoso os pais deixarem-se deslumbrar pelo descendente, que lhes surge no lar como uma dádiva do céu, só porque reproduz agradavelmente a configuração sanguínea da família. Jamais deve dispensar-se o corretivo justo e sadio a esse "tesouro carnal", pois é preciso ajudar-lhe o espírito enfraquecido a desenvolver as qualidades de um homem disciplinado, atencioso e pacífico. Cabe aos pais investigarem cuidadosamente todas as reações de cada filho, a fim de poderem criá-lo desenvolvendo-lhes os princípios espirituais. 8 Há filhos que desde o primeiro vislumbre de entendimento precisam ser tratados enérgica e rispidamente, pois, do contrário, tomarão as rédeas sobre a autoridade dos pais, convertendo-se nos jovens completamente escravos do instinto animal!

8 - Nota do Médium: - Sou, também, pelo conceito de que "o cipó se torce quando é novo", pois criei meus filhos, criaturas hoje controladas, obedientes, corteses e minhas amigas, sem maltratá-las fisicamente e assim criar um indesejável abismo em nossa amizade. Eram três crianças de espíritos completamente diferentes; uma, calma, compenetrada, mas teimosa e com profundo amor-próprio; outra, rápida na comunicação pessoal, vivíssima em suas tarefas, responsável e estudiosa. a ponto de viver antecipadamente os seus problemas pessoais; enquanto a última, instintiva e intempestiva, mais desapegada do estudo e com pouco senso de propriedade de coisas e objetos. Do menino, tornei-me seu confidente, tratando-o qual irmão e ministrando-lhe conselhos salutares como um amigo íntimo; à segunda proporcionei os meios dela realizar os seus sonhos e caprichos, porque obedecia facilmente; e, à última, tive de usar de energia e rigor, cortando-lhe todo o gesto ou Iniciativa de criança, tentando Impor o seu temperamento intempestivo e um tanto rude. Presenteava meus filhos todos os dias, com pequeninas coisas e regalos próprios das crianças. Mas quando havia indisciplina eu suspendia os presentes ao "faltoso"; o qual, inquieto e aflito, logo aderia a qualquer comando superior, desde que não tosse preterido e humilhado pela negativa do presente.

Sem dúvida, há filhos dóceis, que se ajustam facilmente às solicitações paternas e sugestões superiores, pequenos cidadãos educados e corteses, eletivos ao carinho e à convivência amiga. Eis a importância do Espiritismo, que elucida os pais quanto à trama das reencarnações, em que os filhos de hoje, tanto podem ter sido os algozes como as vítimas de ontem, mas renascidos na mesma família para a desejada reabilitação espiritual através do amor!
Os pais que castigam os filhos através de surras jamais gozarão do amor, respeito e da amizade que almejam dos seus descendentes. Filhos castigados fisicamente são filhos ressentidos e que jamais sentem-se obrigados a quaisquer deferências para com os pais agressivos. Impedir não é maltratar, mas assim como o jardineiro vigilante extingue dos arbustos benfeitores os ramos daninhos ou inúteis, os pais devem extirpar dos filhos qualquer excrescência perigosa e deformante logo que ela surge.
Até aos sete anos vigora na criança o instinto animal, o qual modela a confecção do corpo físico, mas forceja incessantemente para impor a sua natureza selvática sobre os princípios superiores do espírito encarnado. Quem não puder tornar-se amigo incondicional de seus filhos, mesmo impedindo-lhes a eclosão dos impulsos daninhos e ofensivos, também não lhes exija qualquer compreensão no futuro, pois só o amor jamais será esquecido! Na maturidade, os filhos que foram alvos de um afeto puro e sincero dos pais, malgrado os corretivos justos, sentem-se até orgulhosos de não terem sido tratados como delinqüentes comuns. Sem dúvida, há filhos inacessíveis ao amor, à disciplina e aos conselhos sadios, mas é indubitável que eles ainda serão mais rebeldes e ressentidos quando sob o açoite do castigo corporal!


Pergunta: - No entanto, conhecemos casos em que só o castigo físico conseguiu ajustar crianças a uma condição moral, de vivência louvável!
Ramatís: - Não opomos dúvida quanto à existência de filhos desnaturados, inimigos figadais dos progenitores, imantados pelo ódio gerado nos conflitos pretéritos! No entanto, também há pais que, devido à sua mente primária e deficiência espiritual, cometem flagrantes injustiças contra os filhos mais traquinas do que delinqüentes! Há pais que castigam impiedosamente os filhos maus, rebeldes e inacessíveis a qualquer exortação amorosa; mas também existem aqueles que, por qualquer gesto ou inconsciência de filhos menos sociáveis, os espancam num furor pessoal! A "tara" psíquica de inferioridade espiritual tanto pode existir nos filhos, que futuramente serão pais, como nos pais que já foram filhos!
Ademais, quando os pais inteligentes, amigos e controlados, esgotam todos os recursos de disciplina justificável e sem violentar o afeto espiritual, sendo inócua qualquer iniciativa disciplinada, só lhes resta uma alternativa: confiar na própria educação madrasta e impiedosa do mundo! Em verdade, como todos nós somos espíritos, e filhos do mesmo Pai, interessados na própria ventura espiritual, quando recusamos o auxílio e a amizade dos progenitores amorosos e justos candidatamo-nos à aprendizagem do Bem pelos educadores grosseiros e impiedosos do mundo profano! Mas não desesperemos de qualquer temor, pois, acima de tudo e sob. a palavra fidelíssima do Cristo-Jesus, "nenhuma ovelha se perderá fora do aprisco do Senhor"!


Pergunta: - Porventura, é uma obrigação espiritual de todos os casais sem filhos adotarem crianças alheias?
Ramatís: - Em primeiro lugar, o fato de um casal não ter filhos já comprova que negligenciaram com o dever paterno e materno no pretérito; ou, então, abandonaram os seus descendentes à iniqüidade e à injustiça do mundo! A incapacidade de a mulher gerar filhos é comumente a prova de que se frustrou na missão de mãe, no passado, cabendo-lhe na atual existência dinamizar o sentimento materno no amor aos filhos alheios!
Mas a adoção de filhos alheios não é uma obrigação implacável, espécie de compensação aos equívocos pretéritos, porém decisão espontânea sob o conceito amoroso do Cristo-Jesus, quando preceituou o "Faze aos outros o que queres que te façam". Diante do órfão abandonado, ponha-se a criatura no seu lugar e procure auscultar a si mesma, a fim de saber como desejaria ser tratada na mesma situação. Sem dúvida, acima de qualquer preocupação de favorecimento divino ou cobertura cármica, deve prevalecer o divino mandamento do "Amai-vos uns aos outros"!
Muitas mulheres privilegiadas na vida humana esgotam a sua mocidade e maturidade peregrinando pelos consultórios médicos, ou curandeirismos, a fim de gerarem o filho que tanto desejam. Finalmente, atingem a velhice completamente frustradas e sem qualquer afago alheio pela impossibilidade de procriarem filhos, quando poderiam ter criado quaisquer órfãos abandonados por pais desnaturados.


Pergunta: - Porventura, não é uma imprudência adotarmos filhos alheios, quando ignoramos qual é a sua formação biológica hereditária?

Ramatís: - Adotar filhos alheios é generosa contribuição das criaturas venturosas em favor das mais infelizes, sem que isso deva proporcionar o mesmo prazer das pessoas que criam cachorrinhos de raça exótica, na fartura do luxo, mas não se dispõem a alimentar o filho do vizinho pobre! Quem atende ao deserdado, proporcionando-lhe um lar, carinho e amparo, seja qual for a conseqüência no futuro, é sempre a criatura agindo em nome do Cristo e cumprindo a divina máxima de que "só pelo amor se salva o homem"!
Insistimos em advertir-vos de que a Terra não passa de uma severa escola de educação espiritual, cujos percalços, desilusões e vicissitudes físicas ou morais são lições proveitosas que treinam o espírito e libertam a consciência do jugo da matéria! Em conseqüência, quem adota uma criança passível de ser futuramente retardada mental ou delinqüente, ainda o faz por Lei Cármica, pois, se viesse a. ter um filho consangüíneo, este também seria um. enfermo ou desatinado! Em tal caso, os progenitores atuais vivem em função redentora, pouco importando se o filho é adotivo ou descendente consangüíneo.
Criar filhos e uma tarefa complexa e incômoda; que se dirá criar os filhos alheios, espíritos carmicamente estigmatizados ao orfanato e à solidão do mundo? O órfão, sob o conceito cármico da doutrina espírita, é um espírito que subestimou, no passado, o amor de seus pais generosos e repudiou o lar amigo: Tendo agido contrariamente às suas obrigações espirituais para com os seus progenitores pretéritos, não fará jus ao calor amigo da família consangüínea em nova existência carnal. Quem adota um órfão, não deve ignorar que se trata de um espírito que já foi displicente e ingrato à família, no pretérito, e ainda poderá sê-lo mais facilmente no seio da família adotiva. Mas quem ajuda o órfão a ressarcir-se de suas mazelas passadas e lhe oferece a bênção do amor fraterno, sem dúvida é o mais beneficiado em tal procedimento sublime e cristão.
Quanto à tara ou deformação ancestral, que o filho adotivo possa manifestar posteriormente, causando vicissitudes e incômodos aos pais adotivos, isso ainda torna mais valiosa a tarefa caritativa. Ninguém terá prejuízos por amar demais, pois o amor é o fundamento essencial da contextura angélica do próprio espírito do homem. Ademais, não são os órfãos ou filhos adotivos os únicos delinqüentes e enfermos no mundo, mas são numerosos os agrupamentos consangüíneos, onde os próprios descendentes carnais são epilépticos, esquizofrênicos, psicopatas agressivos, hidrocéfalos, mongolóides, paranóicos ou irresponsáveis! E como é de Lei, que não cai um "fio de cabelo da cabeça do homem sem que Deus não saiba", os pais adotivos de hoje apenas devolvem ao filho alheio os bens físicos e morais que lhe dilapidaram em vidas anteriores.


Pergunta: - Poder-se-ia supor que todos os casais sem filhos liquidam dívidas cármicas do passado por terem desprezado os seus próprios descendentes ou progenitores?
Ramatís: - Não há regra sem exceção, mesmo na vivência espiritual! Há casais que, por Lei de Causa e Efeito, não podem ter descendência carnal na atual existência, enquanto outros, já libertos de qualquer obrigação cármica, adotam espontaneamente as crianças infelizes do mundo e lhe devotam o seu amor! Há quem deve criar órfãos e adotar crianças estranhas, para então compensar as suas irresponsabilidades espirituais do passado; mas também há criaturas que assim o fazem somente pelo impulso amoroso de doar alegria e ventura ao próximo! E como Deus não quer que se perca o pecador, mas, sim, que ele seja salvo, feliz é o órfão culposo, nascido para ser desprezado, que depois encontra o amparo carinhoso num lar amigo!
Quem não se rebela contra a vida e adota filhos alheios para compensar a falta de descendentes, é óbvio que revela os mais nobres sentimentos de fraternidade e amor ao Cristo!


Pergunta: - Todos os casais impossibilitados de terem filhos são punidos pela Lei do Carma, devido à sua negligência procriativa passada, ou isso também pode acontecer por motivos acidentais?

Ramatís: - A Lei do Carma ou Lei de Causa c Efeito não atua deliberadamente num sentido punitivo, mas ela reajusta os atos dos espíritos nas vidas futuras, de modo a compensarem as frustrações ou delinqüências pregressas.
Aliás, mesmo nas esferas espirituais adjacentes à crosta terráquea, ainda não foram eliminadas todas as incógnitas da vida; em conseqüência, podem ocorrer acidentes imprevistos e falhas técnicas no processo reencarnatório, liquidação cármica e procriação de filhos! Mas não há prejuízos definitivos para os espíritos na sua vivência humana, porque as frustrações de hoje serão compensadas por outros ensejos salutares no futuro. A carne é transitória; só o espírito permanece íntegro e sobrepaira acima de todas as mutações e circunstâncias adversas! A Terra é a "alfaiataria" que confecciona os "trajes" de nervos, ossos e músculos para os espíritos vestirem na sua vida física e relacionarem-se com os fenômenos e acontecimentos materiais. Em cada existência, os espíritos se revestem de traje adequado ao seu novo trabalho educativo, a fim de cumprirem o programa assumido no Espaço antes do renascimento!
Em conseqüência, sob a ação inflexível da Lei do Carma, certos pais são impedidos de terem filhos porque ainda não comprovaram a posse de sentimentos paternos e maternos suficientes para administrar a prole humana. Certas vezes, embora os técnicos tenham esquematizado rigorosamente os ascendentes biológicos e a resistência carnal dos futuros progenitores, isso pode ser prejudicado devido a equívocos medicamentosos, má alimentação, moléstias acidentais, negligencias médicas, vampirismos fluídicos em ambientes censuráveis, que frustram o renascimento dos espíritos na matéria num prazo determinado. Quando a culpa é realmente por imprudência ou determinação dos pais, certos espíritos não perdoam essa frustração, pois em existências futuras atuam sob o processo de "eterinária", destruindo os genes e espermatozóides que proporcionarão filhos aos antigos pais culposos. 9

9 - Nota do Médium: - Através de exame de radiestesia, atendi ao pedido de um casal de importante cidade do Paraná. Irmãos R. S. e E. S. que, embora casados há mais de 5 anos, não possuíam filhos. Surpreso verifiquei que o espírito destinado a ser filho de ambos os irmãos fugia deliberadamente dessa responsabilidade. Dotado de poderes de magia, desenvolvidos na antiga Caldéia, ele havia amarrado fluidicamente as trompas da indigitada mãe! Louvavelmente, administrando uma dose homeopática de C 1.000, Staphysagria na prescrição de XII / 60, de alto poder dissociativo atômico e penetração etérica, eis que se dissolveram os fluidos de constrangimento das trompas da irmã E. S., e nasceu um menino, hoje com 3 anos de idade, inteligência precoce e prova irrefutável de que era um espírito poderoso e sábio!


Pergunta: - É aconselhável esclarecermos bem cedo quanto à condição da criança adotiva e que não é nosso filho carnal? Não seria mais prudente criá-la convicta de ser um membro consangüíneo de nossa família?
Ramatís: - Sem dúvida, é muito delicado o problema de informar a verdadeira origem do filho adotivo; e torna-se cada vez pior e imprevisível, tanto quanto mais tarde isso aconteça. Em geral, as famílias criam os filhos alheios sob um estado de severa vigilância, aos sobressaltos e temores, toda vez que algum acontecimento ameace revelar a eles a sua verdadeira situação filial!
No entanto, é de boa norma esclarecer o mais cedo possível a criança adotada de que não é filho consangüíneo, cujo fato é mais provável de ela vir a saber por estranhos, causando-lhe um choque de conseqüências imprevistas. Depois de esclarecida a condição de filho adotivo, os pais podem viver tranqüilamente e sem temer o dia "angustioso" em que o filho ou a filha adotiva poderão reagir de modo violento, histérico e até odioso, profundamente frustrados pelo estigma de enjeitados.
É melhor a revelação em idade tenra, quando a criança mal desperta para o entendimento da vida, ainda incapaz de extrair ilações psicológicas definitivas e dolorosas, que agravam pela humilhação o fato de ser adotiva; pois na infância as emoções são mais periféricas e desaparecem rapidamente do cérebro da criança.

Pergunta: - Podereis explicar-nos melhor esse assunto?
Ramatís: - É mais fácil a criança acomodar-se à situação de filho adotivo quando em tenra idade, porque se desencoraja de abandonar o lar onde a amparam fraternalmente livre da impiedade do mundo profano. Na sua consciência infantil, há de preferir viver no seio da família amiga, que a protege, do que enfrentar qualquer aventura perigosa! Aos poucos, acostuma-se à condição de adotiva, mercê dos tratos afetivos do ambiente, atingindo a mocidade sem os estigmas sulcados na mente sacudida por uma revelação imprevista e brutal.
O filho adotivo, esclarecido, na infância, da sua situação de hóspede no lar, apercebendo-se de que não é um legítimo descendente com direitos incondicionais, sob um bom-senso natural de espírito encarnado, torna-se menos exigente e reconhece-se devedor de justas obrigações para com os pais de adoção. Há criaturas que se sentem frustradas até por deverem pequenos favores aos outros, por cujo motivo devem ser acostumados desde cedo a essa contingência de cooperação alheia. Por isso, é mais fácil a criança esclarecida da sua condição adotiva conformar-se com os favores recebidos desde a primeira infância do que a violenta comoção de saber-se uma "intrusa" depois de jovem!
Acresce que o filho adotivo é quase sempre um espírito já frustrado em vidas anteriores, vítima de paixões, impulsos e influências estranhas, que não pôde vencer. Assim, é criatura tão difícil de conduzir como filho consangüíneo, e pior ainda, como filho adotivo, cujas reações extravasam a conduta comum. Daí a facilidade de ingratidão, rebeldia e até ódio aos pais adotivos, quando tais espíritos descobrem a sua situação algo humilhante já na fase adulta. A história tem demonstrado que alguns filhos adotivos, quando cientes de sua situação intrusa na linhagem consangüínea, chegaram à violência do insulto e do desrespeito aos seus protetores. Alguns preferiram lançar-se no vórtice do mundo profano, cujo ato de rebeldia confirmou-lhes a mesma delinqüência do passado! Em conseqüência, é mais prudente e aconselhável os pais adotivos esclarecerem os filhos adotados ainda em criança, amenizando-lhes, pouco a pouco, a revelação de serem recebidos no lar como hóspedes alvos de toda a simpatia. Deste modo, eles alcançam a juventude sem as surpresas, sem o contraste de sua condição humilhante!


Pergunta: - Que poderíamos entender pelo fato de o filho adotivo julgar-se com direitos pessoais, embora seja adotado?

Ramatís: - Os filhos legítimos, por força de sua descendência carnal, exigem dos pais tudo o que julgam de seu direito, protestando e até repudiando o que não lhes convém ou julgam imerecido. Mas, se um dia verificam que eram apenas "enjeitados" e não "filhos autênticos", isso lhes causa atroz humilhação, apercebendo-se de que faziam exigências imerecidas aos pais adotivos, sob cuja tutela viviam de favor! Certos de que tinham direitos insofismáveis como filhos consangüíneos, ou legítimos, deprimem-se e rebelam-se sob a força das próprias paixões inferiores vividas no passado, jamais se conformando com a pecha de intrusos.
E como o ressentimento ainda e um fator predominante na maioria dos terrícolas, os filhos enjeitados, ou espíritos primários sob agravação cármica, jamais esquecem a mágoa de terem sido "iludidos", numa vivência falsa e irônica perante o mundo a que se julgavam com direitos incontestáveis! Os mais orgulhosos e irascíveis chegam a odiar a vida de favores sob o beneplácito dos pais adotivos; repugna-lhes a condição de objetos de caridade a exaltarem as virtudes alheias! Eis por que é conveniente que os pais adotivos solucionem o problema ao primeiro entendimento infantil dos filhos adotivos. Então poderão viver tranqüilos, na certeza de que o hóspede aceito em seu lar já se acomodou à situação de não ser membro consangüíneo da família!

 

 


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