" A VIDA HUMANA E
O ESPÍRITO IMORTAL" - RAMATíS
Problema da limitação de filhos
Pergunta: - Porventura, a procriação indiscriminada
de filhos não chegaria a saturar o orbe terráqueo,
tornando impossível a alimentação da humanidade?
Ramatís: - Seria absurdo supor-se que, após Deus
ter criado o mais difícil e complexo, como é o
Universo, depois se desmandasse com o problema mais simples
de alimentar a humanidade! Ademais, o Criador ficaria bastante
inferiorizado, caso ainda caiba ao homem solucionar os equívocos
divinos! Sem dúvida, a perspectiva de "fome mundial"
por excesso de habitantes, e que tanto preocupa os cientistas
e nutrólogos do mundo, demonstra que eles mesmos desconhecem
as providências da "Administração Sideral
da Terra", em tal emergência.
Não é muito difícil verificar-se que o
crescimento demográfico da população de
um planeta ocorre em concomitância com a melhoria do padrão
alimentício, em que a "qualidade" então
passa a superar a "quantidade". O primata das cavernas
devorava uma vitela para o seu sustento diário e forrar
um estômago volumoso e insaciável; no entanto,
para o cidadão do século XX, mesmo glutônico,
bastam alguns poucos quilos de carne para satisfazê-lo.
É Lei da Evolução Sideral que o homem ingira
mais "energia" e menos "massa" à
medida que o Espírito supera o instinto animal de sustentação
do organismo humano. Os iogas do Himalaia conseguem viver com
uma xícara de arroz cozido; os monges do Tibete sustentam-se
de chá quente e um punhado de cevada torrada, conhecido
por "tsampa", enquanto certos dervixes árabes
sobrevivem semanas e semanas com algumas tâmaras e azeitonas.
Aliás, os alimentos modernos já oferecem ao homem
terrícola essa apregoada "qualidade" sobre
a "quantidade" de massa, apresentados na forma de
concentrados de geléias, vitaminas, filhós, pastas,
sucos e extratos de frutas, que são dosados sob controle
científico, possuindo os coeficientes de vitaminas, calorias
e proteínas necessárias à boa saúde
do homem. Assim, as porções mais diminutas de
elementos nutritivos concentrados, que o homem ingere atualmente,
não lhe sobrecarregam em demasia o sistema digestivo
e reduzem o metabolismo peristáltico intestinal de assimilação,
seleção e excreção. Sob a lei de
que "a função faz o órgão",
o extenso intestino vai-se atrofiando por falta de movimentação,
onde predomina a maior absorção de energias da
alimentação e menor exigência na quantidade
de alimento. O exaustivo gasto energético do corpo humano
reduz-se na alimentação menos volumosa, quando
a menor exigência de sucos gástricos, bílis,
fermentos pancreáticos, linfa e sangue proporcionam a
reserva de energias que pode ser aproveitada noutros setores
mais delicados, como o metabolismo mental.
Ademais, em face da vulgarização da ciência
ioga da respiração, a qual prepara o cidadão
terrícola para melhorar no Terceiro Milênio o padrão
respiratório sob um efeito mais saudável e desintoxicante
15, devem desaparecer a maioria das moléstias pulmonares,
como pleurite, pneumonia, asma, gripe, coriza, enfisemas, bronquites
e tuberculose pulmonar. A constituição psicofísica
do homem do terceiro milênio deve subordinar-se a uma
vida sadia pela capacidade total respiratória e alimentação
vegetariana dosada cientificamente para suprir todos os gastos
orgânicos. A diminuição do trato intestinal,
devido à redução nutritiva volumosa, deixará
o homem mais estético e sem a deformação
ventral própria da alimentação maciça!
15 - Nota do Médium: -
Em face da grande diferença temperamental e mesológica
do povo hindu e o ocidental, a ioga, mal praticada e sob orientação
de pseudomestres sem noção dessa grande diferença,
só produz distúrbios e prejuízos. Dai recomendarmos
as obras de Hermógenes, no Brasil, e que julgamos as
mais coerentes, sensatas e proveitosas à nossa configuração
psicofísica.
À medida que o homem evolui
em espírito, ele também prefere nutrição
menos animalizada, pois, enquanto Átila, Gengis-Kan ou
Nero exigiam a prodigalidade de vísceras sangrentas para
se alimentarem, Francisco de Assis vivia de pedaços de
pão e um pouco de leite, Buda satisfazia-se com uma xícara
de arroz e Jesus com bolinhos de mel e suco de cereja.
Pergunta: - Mas o aumento progressivo e descontrolado da população
da Terra, além de agravar a escassez de alimentos, dificulta
a necessidade imprescindível de vestuário, habitação,
saúde, educação, assistência médica,
hospitais, escolas, asilos, creches e albergues!
Ramatís: - O Universo não teve princípio
nem terá fim. No entanto, Deus jamais fracassou no sustento
e na vivência de todas as humanidades planetárias!
Qualquer estatística apurada sobre os resultados daninhos
dos morticínios provocados pelas guerras comprova que
a produção e provisão de alimentos no mundo
só se reduz nesses períodos sangrentos!
Em conseqüência, a fome tão temida no vosso
mundo ainda é produto da irresponsabilidade humana e
da imbecilidade dos seus governos ambiciosos, porquanto, fora
da sistemática destruição fratricida, o
orbe terráqueo pode triplicar a sua população
sem lhe faltar alimentos. Só as reservas nutritivas existentes
no seio dos oceanos, desde os peixes até as algas, são
suficientes para alimentar a Humanidade por muitos milênios!
Cada vez mais se verifica, na vida humana, que a qualidade supre
a quantidade, pois até na atividade mental os computadores
modernos já oferecem resultados quantitativos, que proporcionam
o descanso mental e um aproveitamento mais qualitativo do homem
noutros setores. Antigamente, a veste humana era confeccionada,
peça por peça, num artesanato lento e custoso;
hoje, é produzida em massa pelas indústrias químicas
e plásticas, cada vez mais simples, cômoda e funcional,
adaptada inteligentemente às contingências da vida
moderna. São vestimentas fáceis de limpeza e levíssimas
no seu uso, trajes que, brevemente, serão atirados fora,
assim como já se faz hoje com os lenços de papel.
Deste modo, a qualidade do espírito eterno se evidencia
progressivamente em todas as coisas do mundo, porquanto reduz
a "massa" ou "quantidade" para um uso qualitativo
tão rápido e efêmero como é a própria
existência humana!
Pergunta: - Baseando-nos na própria capacidade
de o espírito superar as deficiências quantitativas
do seu mundo físico, não seria justificável
a limitação de filhos, a fim de evitar-se a saturação
demográfica e a conseqüente fome por excesso de
população?
Ramatís: - Alhures, explicamos que a Terra é uma
escola de educação espiritual primária,
enquanto Marte significa o ginásio, Júpiter um
curso de aperfeiçoamento artístico e Saturno uma
instituição acadêmica superior. Assim, enquanto
na Terra a principal motivação de vida é
o trabalho; em Marte é a tecnologia; em Júpiter,
a Arte, e em Saturno a Filosofia!
No entanto, em qualquer condição de vida física,
o espírito encarnado sempre usufrui a oportunidade de
desenvolver a sua consciência e promover-se espiritualmente
à cidadania angélica. Em conseqüência,
a limitação propositada de filhos reduz o ensejo
da matricula de novos alunos, que aguardam no Espaço
o ensejo benfeitor dessa alfabetização espiritual.
Evidentemente, o homem que foi beneficiado pelo ensejo encarnatório
de freqüentar a escola primária terrena, para alcançar
a sua mais breve ventura espiritual, é um egoísta,
quando, depois, se nega em receber no seu lar outro espírito
ansioso de sua redenção. Cada espírito
sofredor, que é impedido de se reencarnar, torna-se desventurada
criatura a vagar sem rumo no Espaço, pois, além
de desajustado vibratoriamente no Além, ainda vive mortificado
incessantemente pelo remorso de seus equívocos e culpas
pregressos! O renascimento, tanto proporciona novos ensejos
de recuperação espiritual, como ameniza o sofrimento
mental do espírito, que se beneficia pelo esquecimento
da vida anterior através do novo biombo de carne!
As criaturas que se recusam de procriar organismos físicos
para outros companheiros desencarnados também se candidatam
às mesmas condições desagradáveis
e aflitivas, no futuro, cabendo-lhes enfrentar a longa "fila"
dos candidatos frustrados nos renascimentos. Assim como o piloto
neófito primeiramente, treina no solo e somente depois
de esclarecido empreende o vôo seguro no espaço,
o espírito primário também não pode
viver no Céu antes de aprender a viver na Terra!
Pergunta: - No entanto, cientistas, eugenistas, psicólogos,
nutriologistas, sacerdotes, pastores e até espiritualistas
bem esclarecidos justificam a limitação de filhos,
alegando que o aumento indiscriminado da humanidade criará
as mais dolorosas tragédias provenientes da falta de
alimento!
Ramatís: - A argumentação é bastante
ingênua e até capciosa, por parte desses estudiosos,
pois a Terra tem capacidade para suportar o triplo da atual
humanidade sem problemas nutritivos, os quais não são
de culpa divina, mas da irresponsabilidade humana!
Deus é o pano de fundo da consciência de todos
os homens, proporcionando-lhes o ensejo e os recursos de desenvolverem
a sua consciência espiritual. O crescimento angélico
não é processado através de cordéis
movidos, pelos hierárquicos do mundo oculto, mas produto
da vivência do homem no trato com as experiências
do mundo, nos equívocos e acertos que nutrem as iniciativas
pessoais! Em conseqüência, o problema de alimentação
do mundo não procede do perigo de superprodução,
mas de o homem aplicar sabiamente o comando de sua consciência
na eliminação dos fatores que reduzem ou destroem
a produção nutritiva do mundo!
Se o homem esgota totalmente as suas reservas econômicas,
porque aplica estupidamente a receita financeira em guerras
fratricidas, perseguições, morticínios
religiosos, movimentos políticos onerosos, choques doutrinários
antifraternos, ou então exaure o tesouro público
em iniciativas bombásticas e tolas, mantendo clãs
aristocráticos, principados circenses, reinados convencionais
ou concursos e festividades improdutivos, é evidente
que o Criador não se responsabiliza por tanta imbecilidade
humana!
Qualquer criatura em dia com o noticiário de imprensa
sabe que o suficiente para alimentar milhões e milhões
de criaturas é consumido perversa e estupidamente na
confecção de aparelhamento belicoso, artefatos
atômicos, na manutenção de esquadras e aviação
militar, cujos povos são dominados pela ambição,
ciúme e orgulho!
Os homens, além de tolos e imprudentes, criam condições
extremamente aviltantes e onerosas para com a sua própria
vivência humana; e depois, desonestamente, apregoam os
resultados funestos de sua parvoíce e egoísmo,
como fruto dos equívocos da Administração
Divina! Sob a metralha sinistra e as ofensivas bárbaras,
os terrícolas depredam cidades, incendeiam florestas.
destroem pontes, estradas e caminhos de comunicação,
arrasam pomares, jardins, silos, estufas e reservas nutritivas
da humanidade! Em seguida, os cientistas alinham estatísticas
e advertem quanto ao perigo da fome e a urgente necessidade
de se limitar a procriação de filhos.
Realmente, é preciso limitar o nascimento num mundo onde
os seus próprios mentores, governos e até líderes
religiosos colocam as suas ambições territoriais,
políticas, doutrinárias, racistas e religiosas
acima do pão, da veste, da saúde, da educação
e da proteção do homem. A mesma ciência
que aconselha a humanidade terrícola a reduzir a procriação
de filhos ainda não conseguiu solucionar o problema cruciante
e insensato das guerras fratricidas e destruidoras, que destroem
todas as reservas nutritivas! Apesar de ser dotado de razão,
o terrícola nasce tão desamparado e vítima
de imprevisões dolorosas.
Enfermos, esquálidos, mal agasalhados e subnutridos,
a maior percentagem dos homens arrasta-se, não vive,
sendo impotente para assegurar as suas condições
de vida no dia seguinte! Em conseqüência, o problema
da fome jamais será reduzido ou solucionado mediante
a limitação de filhos, pois não é
a saturação demográfica a sua verdadeira
causa, mas a tolice, estupidez e falta de amor do cidadão
do século XX! Se a limitação de filhos
proporcionasse a solução das dificuldades do mundo,
obviamente os países pequenos seriam verdadeiros paraísos!
Quando a humanidade terrena limitar a sua ambição,
maldade e egoísmo, tranqüilize-se, pois desaparecerão
os problemas de procriação indiscriminada de filhos!
Pergunta: - E no caso de famílias pobríssimas
que, pelo fato de procriarem filhos sem cessar, oneram-se com
extremas dificuldades e desventuras? Não seria mais razoável
a limitação procriativa, capaz de proporcionar
melhor padrão de vida e aprimoramento dos seus descendentes?
Ramatís: - Em primeiro lugar, sabeis que os abalizados
gênios, cientistas e instrutores da humanidade, em sua
maioria, nasceram e se criaram na pobreza como Pasteur, Balzac,
Dante, Mílton, Edgard Allan Poe, Zamenhoff, Cervantes,
Schumann, Mozart, Francisco de Assis, Vicente de Paulo, Gandhi
e o sublime Jesus! O próprio príncipe Sakya Muni
só foi Buda depois de aderir à pobreza! Secundariamente,
tendes prova de que a cultura, o desenvolvimento da arte, técnica
e ciência do mundo, ainda não resolveram os problemas
dolorosos que existem, séculos após séculos!
No tempo de Aníbal, Gengis-Kan, Átila e César,
os guerreiros moviam-se aos farrapos ou revestidos de armaduras,
porém desfigurados e exauridos pelos campos do orbe,
após guerrilhas e batalhas ferozes! Hoje, apesar dos
apetrechos modernos, produto da genialidade científica
e técnica do mundo, embora bem protegidos e alimentados,
os atuais guerreiros ainda arrasam campos, lavouras, pomares
e cidades, no massacre fratricida imbecil! A ciência contribui
para a descoberta de armas fratricidas cada vez mais eficientes,
a técnica aperfeiçoa a rapidez da produção
de engenhos assassinos, enquanto a religião isenta de
culpa os matadores de outros irmãos consagrando-os sob
o "vai com Deus"!
Não se justifica a limitação de filhos,
pela dificuldade de alimentação, educação
e saúde, quando a própria ciência e a cultura
do mundo esmeram-se em selecionar os melhores cidadãos
para o sustento inglório das guerras homicidas! Que importa
ser culto, educado e gozar de ótimo padrão de
vida, se tal requinte é destinado ao massacre das próprias
criações destruidoras?
Pergunta: - Mas não seria um fatalismo por parte
da Divindade quanto a essa tendência de os pobres onerarem-se
com tantos filhos? Por que os mais deserdados são os
mais agravados na existência física?
Ramatís: - Os próprios animais selvagens vivem
existência coerente, sadia e bem alimentada porque não
violentam as leis da procriação nem ultrapassam
as diretrizes da vivência normal. Em conseqüência,
esse "fatalismo" não é determinação
divina, porém uma resultante óbvia da contrafação
do homem às leis que disciplinam a sua ascese espiritual!
Também seria justificável a redução
de filhos das famílias pobríssimas, caso pudessem
livrar-se do processo retificador da Reencarnação
e da Lei do Carma, em que o espírito do homem colhe,
na atual existência, os frutos da boa ou má semeadura
do passado. Obviamente, e de acordo com a lei espiritual que
determina a "cada um segundo as suas obras", as famílias
pobríssimas e de prole numerosa, na atualidade, provavelmente
negaram-se de ter filhos em vidas passadas, ou então
os degradaram impiedosamente à vida madrasta do mundo!
Desde que recusaram filhos, quando viviam em condições
melhores, a lei depois exige-lhes a indenização
cármica, sem indagar-lhes quais são as suas posses,
mas apenas quanto à sua responsabilidade pretérita!
Considerando-se que não há injustiças nem
castigos determinados por Deus, mas são os próprios
espíritos endividados que nascem no lar de famílias
pobres, para então colherem os frutos do passado; é
evidente que os pais- e filhos de hoje, pobres ou ricos, são
os comparsas imantados reciprocamente por dívidas cármicas
pregressas. Ninguém nasce pobre, órfão
ou degradado na porta de uma igreja, caso não tenha contribuído
pessoalmente para tal situação. O bom filho de
ontem nasce hoje num lar venturoso; o mau filho ingressa na
carne pela roda de enjeitados ou da lata de lixo, porque também
subestimou o amor e o sacrifício dos pais terrenos.
Assim, apesar dos mais ingentes esforços de amparar e
educar os órfãos deserdados da sorte, as instituições
caritativas do mundo não conseguem repô-los modificados
no seio da vida profana, porque seus espíritos ainda
são indigentes e delinqüentes!
Pergunta: - Mas é
preferível gerar filhos criminosos ou marginais, o que
é tão comum nas favelas, se os pais pobríssimos
não podem educá-los ou resguardá-los como
cidadãos pacíficos? Não seria mais razoável
limitá-los?
Ramatís: - Sob o rigor da indenização determinada
e exigida pela Lei do Carma, a sociedade humana recebe, na atualidade,
o retorno dos efeitos bons ou maus de sua própria atividade
sadia ou enfermiça do passado! O mundo onera-se gravosamente
com a carga de criminosos, produzidos alhures, mais pela falta
de amor e de tolerância, do que mesmo por dificuldades
de alimento, vestuário e educação! Isso
verifica-se nos próprios descendentes das favelas, pois
o mesmo indivíduo que poderia ser um marginal desesperado,
criminoso e perseguido pela sociedade, pode se tornar um cidadão
ativo e benquisto quando lhe surge a oportunidade favorável,
como é o caso dos cantores de rádio, artistas
de televisão ou craques de futebol. Em vez de possíveis
facínoras, sob a mira da polícia, eles se tornam
ídolos do público!
Muitos homens marginalizados na vida tentam atividades profícuas
e ensejos louváveis, mas perturbam-se ante a implacável
ofensiva alheia, que lhes impede o sucesso pela origem duvidosa.
Nem todos são delinqüentes ou produtos de uma perversidade
inata, mas, quando se aviltam na esteira do crime, é
porque fracassaram, pelos tropeços insolúveis,
no caminho de sua sonhada ventura! A felicidade é um
direito que Deus concede a todos os seus filhos, embora alguns
não sejam favorecidos, de imediato, porque ainda são
devedores pregressos. O homem, por pior que seja, é sempre
um espírito lançado na corrente da vida humana
para realizar a sua angelização. Os que se desbragam
nessa procura angustiosa, quase sempre, o fazem por falta de
discernimento espiritual, verdadeira imaturidade, que então
requer ajuda e orientação dos mais aptos! Ante
o seu primarismo espiritual, os mais desajustados forçam
o caminho na tentativa de serem mais felizes, mas, na sua imprudência
e precipitação, fazem isso por vias condenáveis.
E o delinqüente retorna, em espírito, ao seio da
mesma sociedade que lhe ignorou as ansiedades e os desejos venturosos,
porém com os estigmas que pesam no conceito social e
moral do mundo!
Pergunta: - E que se deveria fazer com o criminoso irrecuperável,
hostil e impermeável a qualquer orientação
e auxilio a seu favor?
Ramatís: - Depois da fera acuada é imprudência
tentar-lhe a domesticação. Quando o delinqüente
já perdeu o senso psicológico de sua atuação
no mundo, que a sua frustração completa o torna
um inimigo da civilização, estigmatizado odiosamente
na fachada dos jornais, jamais ele tem esperança de redenção,
pois fracassou, quando ainda usufruía de melhores condições
humanas! Considerando-se que um homem prudente, ativo e cortes,
pode terminar na miséria pela falta de cooperação
dos mais felizes, o que se dirá quanto à redenção
de um criminoso, que já destruiu os direitos de uma vivência
normal?
Quando as criaturas mais felizes preocuparem-se sinceramente
em auxiliar os mais desventurados, ajudando-os em suas angústias
e aflições, também desaparecerá
o ladrão, o criminoso e o marginal, substituídos
pelo cidadão tranqüilo e companheiro pacífico
dos demais. Em geral, os criminosos que hoje afligem as comunidades
são frutos da avareza, impiedade e do egoísmo
humanos dos mais felizes. A sociedade terá de agüentá-los
no esquema de sua nova vivência física, porque
eles são produtos desfigurados pela falta de amparo e
trato fraternos dos mais favorecidos pela fortuna! 16
16 - Nota do Médium: -
Entre os casos impiedosos, que foi dado observar, devido ao
egoísmo e a índole perversa humana, cito os seguintes:
"Certo amigo meu, milionário, contribuiu com Cr$
500.00 novos para o "vitraux" de uma igreja em remodelação;
mas no dia seguinte. Impiedosamente, protestou um titulo de
10 cruzeiros de um "ex-empregado", alegando que o
fez para dar-lhe uma "lição de moral"!
Um turco imigrante, que chegou a Curitiba aos farrapos e hoje
é dono de rica mercearia, tendo apanhado um negrinho
roubando-lhe uma laranja. quase o arrastou pelas ruas da cidade
até à próxima Delegacia de Polícia.
O senhor. M. R., cuja última jóia adquirida na
Argentina custou-lhe 10 mil cruzeiros novos, negou-se de pagar
80 cruzeiros à empregada e despediu-a, sob ameaças
policiais, quando surpreendeu-a furtando leite e frutas da geladeira,
para melhorar a alimentação da filhinha de 8 anos.
A senhora A. T. F., excessivamente sentimentalista, derramava
copiosas lágrimas ante chorosa novela de TV, quando penetrando
subitamente na cozinha apanhou a filha adotiva, criaturinha
meio sonsa, a engolir freneticamente uma "coca-cola".
Ainda com os .olhos marejados pelas lágrimas sentimentais,
esbofeteou a menina várias vezes e pô-la de castigo
no quarto escuro. Conhecido industrial, líder de movimento
espiritualista, só admite empregados que assinem, antecipadamente,
papéis e recibos em branco, a fim de serem demitidos
oportunamente sem complicações com as leis trabalhistas!
Finalmente, madame H., dada a filantropia, levou à cadeia
a lavadeira que havia lhe furtado três lençóis,
"só para dar uma lição"!
Pergunta: - Podereis explicar-nos melhor esse assunto?
Ramatís: - A civilização terrícola
move-se sob a determinação de um ciclo vicioso,
em que as vitimas do passado situam-se posteriormente nos lares
dos seus próprios algozes, a fim de se processar a reparação
cármica e os ajustes espirituais. Os pioneiros americanos
invadiram o território dos peles-vermelhas, trucidando
velhos, moços, mulheres e crianças para roubar-lhes
as terras e os bens; a Lei do Carma, no entanto, obrigou a civilização
americana a receber no seu seio os infelizes dos peles-vermelhas
desajustados violentamente nos seus antigos "habitat"
comuns. E, por isso, eles hoje se movimentam no seio da civilização
americana, como almas agressivas e primárias que ainda
são, na figura de facínoras e "gangsters"
impiedosos, praticando toda sorte de tropelias e violências
contra a concepção moral moderna. Matavam no passado
impelidos pelo próprio código de honra, que lhes
glorificava o heroísmo de trucidar o inimigo valente.
Os pretos que foram caçados na África pelos capitães-do-mato
do vosso pais, são hoje os "marginais" que
proliferam nas favelas e que descem para as cidades provocando
distúrbios e delinqüências indesejáveis.
Eram criaturas espiritualmente imaturas e irresponsáveis,
tal qual as crianças que vivem os seus instintos e não
sentimentos.
E a vossa civilização terá de suportá-los
com os seus problemas primários e desajustes censuráveis,
porque eles vivem, atualmente, a mesma vida instintiva sem preconceitos
e convenções, que lhes eram peculiares nas encarnações
passadas. Em conseqüência, tereis de ser tolerantes,
compreensivos e amorosos para com eles, cujos espíritos
de "ex-africanos" ainda vibram a condição
primária de sua vida anterior.
Inúmeros pais pobríssimos ou afortunados afligem-se
com o filho prevaricador, vigarista ou irresponsável,
que lhes obriga a um reajuste cármico indesejável
por força do próprio desajuste social.
Naturalmente, esses progenitores ignoram que sob a vestimenta
carnal consangüínea da família, vive o espírito
do negro africano, que outrora fora aprisionado no seio das
florestas e posteriormente transportado como gado, no fundo
dos navios negreiros e destinado à escravidão.
Os negros africanos eram venturosos em suas palhoças
primitivas, embora cultuando a sua música primária,
a arte grosseira e infantil, a viver os costumes selvagens sem
os preconceitos da civilização. No entanto, os
civilizados invadiram-lhes a comunidade primária e aprisionaram
os mais capacitados, lançando-os no seio da civilização
como animais degradados do seu "habitat" natural!
Sem dúvida, seria absurdo que, depois de explorados pelos
brancos, esses infelizes desajustados na civilização
ainda fossem afastados do cenário dos seus próprios
algozes civilizados. Mas a justiça sideral, infalível,
fê-los nascerem entre os próprios responsáveis
pelas suas desventuras pretéritas, cujo primarismo e
instintividade cria os problemas de marginalismo, violência,
desajuste social e ociosidade, porque ainda são criaturas
completamente inadaptadas ao ambiente dos civilizados. Mas os
brancos, algozes do passado, na sua fúria impiedosa,
e orgulho condenável continuam a judiar, aviltar os negros
primitivos, pois os matam como animais encurralados nas favelas
ou nos desvãos das matas! 17
17 - Nota do Médium: É
o caso do famigerado "esquadrão da morte",
grupos de homens enfurecidos e impiedosos, que matam os infelizes
marginais como animais acuados, talvez velhos capitães-do-mato
a perseguir, novamente, os infelizes que foram traídos
e aviltados na escravidão infamante do passado!
Conseqüentemente, agrava-se
cada vez mais a responsabilidade dos pseudocivilizados, possivelmente
antigos capitães-do-mato, caçadores de negros
fugitivos, capitães negreiros de navios piratas. fazendeiros
cruéis e exploradores de negras donzelas, que, em vez
de indenizarem esses infelizes, quanto aos prejuízos
e as crueldades bárbaras de há poucos séculos,
ainda hoje os perseguem e os trucidam sob o sofisma da inviolável
justiça humana! Mas a Lei inflexível os espera,
no Além-Túmulo, onde terão de gemer e ranger
os dentes por muitos séculos e séculos de reparação
espiritual na,s zonas purgatoriais!
Pergunta: - Então seremos obrigados a criar filhos
indistintamente, sem o direito de qualquer recurso limitativo,
porque estamos comprometidos no passado?
Ramatís: - Ninguém é obrigado a ter relação
sexual ou procriar, embora isso seja uma contingência
específica da propagação da espécie
na vivência física! Jesus era um espírito
que já havia superado o desejo de vida carnal; e por
isso, não constituiu lar nem buscava a prática
sexual. Só existe um único e justificável
recurso para a limitação de filhos, capaz de livrar
o homem de qualquer responsabilidade para com a Lei do Carma;
é a continência sexual! Fora disso, o homem é
culposo de tentar fugir ou evitar as suas conseqüências
procriativas! Em verdade, os próprios animais mostram-se
mais corretos do que o homem nas suas relações
sexuais, pois só as praticam em épocas de cio
destinadas à procriação; mantendo-se em
continência nos períodos de infecundidade!
Pergunta: - Mas o que deveríamos deduzir, quanto
ao memorável conceito bíblico do "Crescei
e multiplicai-vos", se o homem pode liberar-se dessa responsabilidade
ou mandato espiritual, pela simples abstinência sexual?
Ramatís: - Só espíritos do quilate de Jesus
e instrutores de alta envergadura espiritual conseguem passar
pelo mundo carnal liberados da contingência do sexo ou
de qualquer compromisso conjugal. A vida de tais entidades é
tão altruísta e benfeitora para a humanidade,
que é bem melhor eles não casarem, evitando que
o amor egocêntrico à família consangüínea
e transitória pudesse enfraquecer-lhes o amor por toda
a humanidade!
Os espíritos sem as credenciais de "salvadores"
ou "missionários", eleitos para esclarecer
a humanidade, precisam atender ao imperativo sexual da vida
em comum e procriar sob o tema fundamental do "Cresce;
e multiplicai-vos". São alunos ainda agrilhoados
ao carma culposo do passado, que além de precisarem renascer
no mundo físico, a fim de indenizar os prejuízos
causados a outrem, devem procriar novos corpos físicos
para atender às necessidades de outros espíritos
faltosos. Ademais, eles ainda não estão preparados
para suportarem uma velhice triste, solitária e deserdada
dos bens da família terrestre, cujos descendentes consangüíneos
sempre os ajudarão a terminar a existência física
sob alguma afetividade protetora!
O celibato, na Terra, sob qualquer condição social,
religiosa ou econômica é sempre uma anomalia, quando
não for um acontecimento determinado pelo Carma de vidas
anteriores! O homem solteiro é quase sempre improfícuo,
gozador e epicurista, que pesa na economia humana das famílias
e ameaça o equilíbrio normal da vida do próximo!
E a Natureza jamais perdoa quem lhe frustra os desígnios,
malgrado o façam até por fins religiosos, pois
ela pune qualquer excentricidade no campo do sexo, quer seja
por excesso ou por desuso!
Pergunta: - Podereis exemplificar-nos melhor, quanto a isso?
Ramatís: - A Natureza, não sanciona discrepâncias,
mesmo no campo procriativo pois o homem que abusa da sexualidade
termina sofrendo terríveis injunções na
genética de vidas futuras. Mas a criatura que também
não exerce a função sexual, sem que isso
seja uma credencial espiritual, quer o faça por puritanismo,
voto religioso ou conveniência pessoal, também
sofre as conseqüências retificadoras de sua obstinada
improficuidade. Deus não esquematizou a admirável
máquina humana integrada por valiosas peças, a
fim de o espírito poder manifestar-se no cenário
do mundo, tão-somente, para o homem atender aos seus
interesses pessoais! O corpo físico é o organismo
benfeitor, que proporciona a ascese espiritual, mas deve ele
funcionar em toda a sua atividade energética, a fim "de
não atrofiar-se! Assim, a criatura que desvirtuá-lo
nas suas funções inerentes ao aperfeiçoamento
espiritual, terá de sofrer os efeitos danosos de qualquer
decisão insensata ou censurável. A prova de que
a fuga deliberada do exercício sexual procriativo também
produz estigmas enfermiços é o caso de inúmeros
sacerdotes e chefes de Igreja, que, apesar de sua absoluta e
recomendável contenção sexual por força
de votos de castidade, terminam a existência minados por
prostatite, cistite, uretrite e. demais atrofias no campo gênito-urinário,
ante a atrofia produzida pela própria lei de que a "função
faz o órgão"!
O determinismo do "Crescei e multiplicai-vos" não
é específico a um certo tipo de homem, mas refere-se
a todas as criaturas humanas e compreende, principalmente, a
necessidade da procriação de novos corpos para
servirem aos espíritos infelizes e necessitados de sua
reabilitação espiritual. Quem foi servido por
um corpo, que o ajuda a purificar-se dos pecados das vidas anteriores,
também deve- servir a outras criaturas desesperadas,
proporcionando-lhes os equipos carnais para ingressarem no curso
da vida física e se credenciarem ao mundo espiritual
superior. Assim, justifica-se, implicitamente, nessa obrigação
recíproca, a própria recomendação
do Cristo-Jesus, que diz "Faze aos outros o que queres
que te façam!"
Pergunta: - Mas por que
se considera santificado o homem casto quando a própria
castidade pode ser censurada pelo egoísmo de se negar
a produzir novos corpos para outros espíritos necessitados?
Ramatís: - Em primeiro lugar,
devemos reconhecer que Deus não é imoral, nem
insensato, a ponto de incentivar o ato sexual como o valioso
ensejo para a procriação de novos seres, e depois
culpar a sua prática enquanto louva o homem casto!
Já dissemos que a recusa deliberada da prática
sexual, afora de entidades em missão sublime, como no
caso de Jesus, tal abstinência pode produzir estigmas
indesejáveis! Aliás, o homem casto não
é apenas quem repudia o ato sexual, mas, acima de tudo,
quem mais o respeita e o engrandece na sua função
técnica e valiosa de procriar. Durante as relações
sexuais, o homem e a mulher intercambiam energias mentais, astralinas
e etéreo-físicas, que os' fortalecem reciprocamente
além do ato exclusivamente físico Daí,
a importância da afinidade psíquica ou emotiva,
que deve existir entre o homem e a mulher para o bom êxito
sexual, pois a simples união de dois corpos excitados
pelo prazer genésico jamais comprova o vínculo
espiritual das almas! O erotismo é um recurso da Natureza
utilizado para atrair o homem e a mulher no cumprimento do enlace
genésico procriador, em vez de uma ação
exclusivamente de estímulo ao prazer! Eis por que os
próprios animais não alteram essa deliberação
instintiva. mantendo-se em continência após o período
profícuo.
Pergunta: - Seria ofensa a Deus, quando ultrapassamos
o sentido e objetivo essencial do ato sexual procriador, e o
buscamos como motivo de prazer?
Ramatís: - Deus jamais se ofende com as diatribes e os
equívocos de seus filhos e também não os
castiga pelas suas ações censuráveis. Mas
é o próprio homem quem sofre as conseqüências
desagradáveis ou dolorosas dos seus atos atrabiliários,
quando contraria as leis responsáveis pelas atividades
técnicas e científicas da vida psíquica
e física do Universo! Assim como na Terra existem leis
que governam o fenômeno do calor ou da congelação,
os quais, quando contrariados ou violentados, causam prejuízos
nos imprudentes e ignorantes, também deve sofrer maus
resultados quem altera ou perturba os princípios que
disciplinam as relações coerentes e sensatas entre
o espírito e a matéria.
Quando o homem ultrapassa o sentido autêntico do ato sexual,
como função lícita de propagação
da espécie humana, ele entra em conflito com a lei disciplinadora
de tal função. Em conseqüência, pecam
os homens que abusam da faculdade genésica, e pecam as
criaturas que fogem deliberada mente de cumprir o conceito criador
do "Crescei e multiplicai-vos"! Há criaturas
que preferem viver comodamente na matéria, sem qualquer
responsabilidade ou dever, além do seu próprio
bem-estar, evitando mesmo a prole que pode turbar-lhes os prazeres
da vida humana. Então, sofre o espírito que ultrapassa
as fronteiras da prática sexual sensata e sofre a alma
que pretende salvar-se a si mesma pela castidade egocêntrica
de não procriar corpos para os desencarnados aflitos.
Ser casto não é apenas evitar o ato sexual, mas
exercê-lo bem, e como atividade criadora, assumindo sob
qualquer condição os seus efeitos procriativos!
Pergunta: - Em conseqüência, a principal
culpa na limitação de filhos é de natureza
espiritual, porque isso impede a gestação de novos
corpos necessários para os espíritos aflitos e
aguardando reencarnação. Não é assim?
Ramatís: - O renascimento de espíritos na matéria
é de vital importância no Espaço, pois além
disso proporciona a indenização do passado culposo,
ainda melhora a graduação espiritual e apressa
a ventura angélica do ser. A procriação
de filhos deve ser encarada essencialmente como um fato técnico
ou científico, e que em vez de um melodrama social ou
moral humano, é de princípio favorável
espiritual.
Um corpo de carne é o mais valioso recurso para o espírito
desencarnado prosseguir a sua ascensão venturosa, enquanto
pode olvidar a lembrança cruciante de suas culpas pregressas
no abençoado esquecimento do passado. O cérebro
físico não pode expor acontecimentos de que não
participou no pretérito; e, assim, cada nova existência
oferece novos estímulos retificadores e benfeitores ao
espírito prevaricador. O biombo de carne funciona à
guisa de mata-borrão olvidando o passado, a sustar o
vínculo "consciencial" dos deslizes e mazelas
pregressas. O esquecimento encarnatório ajuda o espírito
a operar mais livremente na nova existência, pois ignorando
as provas que deverá enfrentar alhures, anima-se para
organizar uma existência mais saudável e proveitosa.
Se o homem pudesse recordar perfeitamente a trama de sua vida.
anterior, calculando os proventos a colher, mas, também,
as crises de sofrimento e desesperos morais dos efeitos cármicos,
jamais ele teria qualquer senso de iniciativa na vida física,
certo dos seus esforços inúteis contra um destino
fatalista!
Assim, a limitação de filhos, em vez de um assunto
próprio do sentimentalismo lacrimoso da moral humana,
ou de agravo ao problema demográfico do mundo, é
um ato que perturba a técnica espiritual de nascerem
mais corpos físicos, enquanto aumenta a infelicidade
dos espíritos aflitos por nascerem na carne! Em conseqüência,
quanto mais corpos físicos, mais ensejos de progresso
espiritual; menos corpos físicos, mais aflições
e problemas no Além-Túmulo. Obviamente, os limitadores
de filhos, afora de qualquer outra prevenção diferente
da continência sexual, terão de sofrer, alhures,
os efeitos danosos dos seus atos, quando a Lei também
os fizer esperar por longo tempo na fila dos desencarnados a
suplicar a esmola de um corpo benfeitor.
Pergunta: - Podereis dar-nos uma idéia dessa "fila"
de espíritos candidatos à reencarnação
na Terra, mas que ficam seriamente prejudicados pela "limitação
de filhos"?
Ramatís: - Sem dúvida, no mundo espiritual não
há "fila" no sentido propriamente dito, ou
como se faz na Terra para a disciplina do povo. Referimo-nos
apenas, quanto ao simbolismo da grande quantidade de espíritos
desencarnados na "espera" de encarnação,
pela devida ordem e merecimento.
A Terra é uma escola de educação espiritual,
um curso primário que abrange o período de 28.000
anos do calendário terreno, para a necessária
alfabetização dos seus alunos. O corpo carnal
significa o banco escolar, que o espírito se utiliza
para freqüentar esse curso físico terreno, enquanto
o maior número de corpos gerados aumenta as probabilidades
para a admissão de novos alunos.
Além dos bilhões de espíritos, que atualmente
freqüentam a escola 1errena compondo a sua humanidade atual,
ainda existe, no Espaço, em torno da Terra, uma carga
espiritual de 20 bilhões de almas desencarnadas. Dez
bilhões desses espíritos ainda podem permanecer
equilibrados e tranqüilos, no Espaço, alguns quinhentos
anos, outros mil ou mais, sem aflições ou necessidade
de breve reencarne físico. Os outros dez bilhões,
no entanto, precisam de renascimento imediato, pois são
entidades cuja capacidade vibratória já se exauriu
no ambiente sideral e as tornam desajustadas ou frustradas na
freqüência superior do mundo espiritual. Esses espíritos,
em sua maioria, sentem-se desesperados, melancólicos
e infelizes, embora usufruindo de panoramas e condições
agradabilíssimas, tal é a sua saturação
emotiva e esgotamento psíquico. Embora pareça
um paradoxo ou excentricidade, eles trocariam imediatamente
o ambiente de venturas pelo prazer das emoções
grosseiras no mundo carnal. Lembram o bugre, que em vez das
atrações ruidosas e o encanto das metrópoles
festivas, ele prefere voltar para a floresta anti-higiênica
e selvática, e o caboclo, que não troca a sua
modinha caipira pela majestosa sinfonia "Coral" de
Beethoven. O mundo carnal ainda exerce forte atração
nesse tipo de espíritos primários e demasiadamente
condicionados aos prazeres e sensações físicas,
que não puderam libertar-se em vidas anteriores. São
algo como os macacos, que não trocam a mata e as bananas
pela calda de pêssegos em pratos dourados!
Quanto a um terço desses dez milhões de espíritos,
que necessitam urgentemente de corpos para renascerem fisicamente,
constitui-se de entidades de baixa graduação espiritual,
numa grande percentagem satânica, habitantes do astral
inferior, maquiavélicos, impiedosos e vingativos! Jamais
perdoarão aos encarnados que lhes negam os corpos prometidos
antes de se encarnarem; são almas primárias e
grandes pecadoras! Serve-lhes qualquer corpo, a fim de poderem
mergulhar a consciência na carne e livrarem-se do remorso
torturante; a carne significa-lhes a esponja que apaga o passado
e permite o recomeço proveitoso e sem frustração!
Enfim, são dez bilhões de espíritos terrícolas,
que transportam com freqüência, para o Além-Túmulo
os seus problemas mentais e emotivos, frutos de desequilíbrios
e desregramentos físicos. São uma espécie
de árvores vivas, cuja copada aflora ao céu, mas
suas raízes atolam-se na lama! Enfermos de todos os tipos,
uns entediados na atmosfera superior por falta de treino angélico;
alguns, alucinados, arrependidos ou atolados pelo remorso nas
sombras do astral inferior; e outros, nos charcos, ainda submetidos
ao sofrimento purificador! Porém, almas infelizes, desesperadas
e arrastadas pelo magnetismo carnal, famintas de um corpo redentor!
Pergunta: - Porventura, se houvesse corpos para todos
esses espíritos, eles seriam imediatamente reencarnados?
Ramatís: - Sem dúvida, a maior parte dessas almas
torturadas precipitar-se-ia, de imediato, para o mundo da carne,
tal qual os animais famintos acodem para o alimento! Mas nem
todos estão devidamente ajustados para o ingresso súbito
numa organização física, talo desequilíbrio
perispiritual de que ainda são vítimas por força
das mazelas pregressas! São alienados mentais, espíritos
mumificados, flagelos humanos, que devido a intoxicação
dos venenos psíquicos aderidos ao perispírito,
fogo fluídico a queimar-lhes incessantemente, só
lhes permitem renascer hidrocéfalos, mongolóides,
mentecaptos, psicopatas agressivos, microcéfalos, portadores
de taras cruciantes! Devem drenar, primeiramente, nos charcos
infernais, certa parte dessa toxicose circulante e nutrida pelo
ódio, ciúme, orgulho, pela crueldade, avareza,
luxúria e vingança!
Os mais exauridos da carga tenebrosa perispiritual, com algo
de consciência de sua situação desventurada,
não recuam ante o destino mais atroz na matéria,
desde que possam renascer e apagar a fogueira inextinguível
que lhes devora as entranhas! Mas os espíritos inescrupulosos,
perversos e vingativos, jamais perdoam a mulher que lhes nega
um corpo para o ensejo do renascimento físico. Eles mobilizam
toda a série de recursos obsessivos e atividades agressivas,
numa ofensiva coletiva e planejada em comum, visando às
mulheres que se recusam a gerar filhos! É tão
valioso e difícil o espírito conseguir um corpo
físico para a sua redenção, que o suicida
é o pior crime, porque trai a confiança do Criador
ao destruir o organismo, que então poderia ter servido
a outro companheiro desencarnado.
Pergunta: - Admitindo que é um ato culposo a
limitação de filhos, quando não há
motivos justificáveis, porque então reduz a cota
de corpos necessários para o renascimento de espíritos
desencarnados enfermos e aflitos, qual seria o procedimento
mais sensato, para quem comprova que a redução
de filhos é um imperativo sensato neste mundo?
Ramatís: - Insistimos em vos informar que o espírito
aflito e desesperado para submergir-se num corpo físico,
pouco se importa de ser rico ou pobre, sadio ou enfermo, analfabeto
ou erudito em sua existência terrena. A única solução
possível do seu problema cruciante de delinqüência
espiritual do pretérito é o renascimento tísico;
a saída técnica criada por Deus para tal condição.
Quanto aos encarnados, bastaria refletirem sobre o conceito
de Jesus e proceder de acordo com o "Faze aos outros o
que queres que te façam", isto é, como desejariam
ser tratados nas mesmas condições deserdadas de
espírito sem corpo e submetido ao atroz sofrimento, sideral.
Quem sentir-se capaz de resistir heroicamente, no futuro, ao
remorso cruciante, que então evite a cota de filhos assumida
antes de se reencarnar, negando mais um ensejo de redenção
ao companheiro desesperado. Mas, se ainda se apavora com a possível
infelicidade de seu desamparo na vida espiritual, então
lembre-se como desejaria ser tratado e assim proceda sob o mesmo
sentimento fraterno!
Ademais, a vida física não é um fim prazenteiro,
mas apenas um meio educativo dos espíritos desenvolverem
a sua consciência e elevarem o seu padrão vibratório,
a fim de sintonizarem-se às freqüências angélicas
dos planos resplandecentes. O homem que pretende usufruir venturas
na Terra há de colher decepções e profundos
desenganos, tal qual o aluno que espera gozar prematuramente
as alegrias e os prazeres da leitura, numa escola primária,
onde mal soletra as primeiras letras do alfabeto! Por isso,
a questão de se gerar filhos que virão sofrer
no "mundo doido" é um temor tão injustificável,
assim como o lavrador resolver abandonar a lavoura que lhe proporciona
o alimento, só porque os frutos e legumes podem ser atacados
pelos bichos! Ademais, a Terra, como um orbe benfeitor e de
serviço educativo do espírito, é uma instituição
planetária sadia, pois a "doidice" é
decorrente de sua própria humanidade indisciplinada,
cruel e rebelde aos códigos morais de alta espiritualidade!
Evidentemente, sob a lei das "afinidades eletivas",
uma coletividade de "doidos" só pode atrair
outros "doidos", por cujo motivo ninguém deve
se afligir se ainda precisa renascer fisicamente no orbe terreno,
uma vez que isso só pode acontecer sob esse princípio
indiscutível da "atração afim",
espiritual!
Pergunta: - Porventura, é mais insensato a preferência
pelas pílulas anticoncepcionais, em vez do aborto tão
censurável?
Ramatís: - O aborto é
crime infamante fichado no código penal da espiritualidade
porque destrói um organismo em gestação
e já vinculado a um espírito em descenso reencarnatório!
Toda gestação, aí na Terra, é vinculada
no Espaço a um programa cármico coletivo, o qual
se processa através de séculos e séculos,
reajustando e redimindo adversários dominados pelo ódio
e pela vingança recíproca! Em conseqüência,
o aborto é um "imprevisto", que altera esse
programa conciliador, porque além de expulsar do organismo
físico o espírito enquadrado no programa redentor
da carne, também frustra o trabalho de centenas de almas
vinculadas ao mesmo processo encarnatório.
São mentores, técnicos, médicos siderais,
sociólogos, legisladores, amigos, parentes e servidores
operando nos fluidos nauseantes de vinculação
do mundo espiritual com a matéria, a fim de que seja
ajustado o espírito à carne! A mulher ignorante
ou rebelde mal pode calcular o montante de prejuízos
decorrentes do ato de abortar, assim como alguém escorraça
de sua porta o mendigo faminto! Sem dúvida, o uso das
pílulas anticoncepcionais é menos prejudicial
do que o aborto, porque reduz o gasto energético comumente
providenciado para a vinculação do espírito
à carne, e não mobiliza tarefeiros ante a perspectiva
de qualquer gestação. O aborto, além de
ser um crime de leso-patrimônio alheio, ainda estigmatiza
a abortante para enfrentar sofrimentos atrozes após a
desencarnação, comumente torturada pelo próprio
espírito que foi frustrado no nascimento, assim como
se candidata a uma vida atribulada nas existências futuras!
Por isso, há de ser santificada qualquer mulher que aceite
e crie o fruto de suas entranhas, mesmo quando em contradição
com a sociedade e à sua moral costumeira, porque a condição
de "mãe" ainda é a mais proveitosa compensação
para quaisquer pecados pregressos!
Evidentemente, o mais insensato é o aborto, porém,
frisamos quanto às obrigações que o casal
humano assume no Espaço, antes de se reencarnar, para
com certa quantidade de espíritos candidatos a serem
os filhos carnais! Usando as pílulas e graduando os nascimentos
conforme as suas conveniências, os esposos tanto podem
acertar como errar o número exato de compromissos procriativos
"pré-reencarnatórios"! Trata-se de um
problema de interesse sumamente particular, pois quem faltar
com a sua obrigação' há de sofrer as conseqüências
da sua defecção! Assim, o casal terreno que tiver
a sorte de atrair espíritos tolerantes e compreensivos,
ao negar-lhes os organismos carnais por efeito da "limitação
de filhos", também há de sofrer menos dissabores
na hora do ajuste espiritual! Mas, se isso acontecer com entidades
perversas, vingativas e rebeldes, não opomos dúvida,
sofrimentos atrozes e desesperos infindáveis acometerão
no Além-Túmulo os pais faltosos!
Pergunta: - Porventura, somos culpados, de não sabermos
qual é o número de filhos que devem renascer em
nosso lar?
Ramatís: - Raros casais não têm a intuição
de quantos filhos devem gerar em cada existência, pois
à noite, quando o espírito desvencilha-se do organismo
carnal na fase do sono, os seus guias encarregam-se de avivar-lhes
a natureza do seu compromisso assumido no Espaço, quanto
ao número de descendentes! Ademais, os técnicos
siderais controlam e disciplinam os nascimentos na carne, de
modo que não haja injustiça ou demérito
por omissão, regulando, sensatamente, os renascimentos
conforme os planejamentos feitos antes da reencarnação
dos pais! Certas vezes, os próprios esposos sentem-se
fortalecidos para receber em seus lares uma quantidade maior
de espíritos, além do número comprometido
no programa "pré-reencarnatório"! Isso
lhes favorece a vivência física e proporciona-lhes
novos créditos na Contabilidade Sideral, para o futuro,
assim como alguém possui reservas de bens para atender
aos momentos dificultosos!
Pergunta: - Supondo-se que os pais ignorem, "intuitivamente",
quantos filhos se obrigaram a procriar antes de se reencarnarem,
mas não desejam frustrar o programa espiritual, qual
a cota mínima de filhos que devem ter, a fim de não
incorrerem nas sanções da Lei Cármica?
Ramatís: - Considerando-se que a Divindade não
exige esforços sobre-humanos dos espíritos encarnados,
mas uma recíproca cooperação entre todos,
para a mais breve solução do problema angustioso
dos desencarnados, todo o casal que venha a procriar, no mínimo,
quatros filhos, ajusta-se a uma freqüência útil
no Espaço! Quer limitando ou não limitando filhos,
essa cota de quatro descendentes sempre ameniza quanto à
possibilidade de os pais terem assumido compromisso com mais
entidades! A Administração Sideral então
tudo faz para atenuar as culpas dos "faltosos", lia
sua fase desencarnatória, embora.a Lei venha a exigir,
nas vidas carnais futuras, a compensação dos filhos
frustrados!
Pergunta: - Mas as pílulas anticoncepcionais,
que permitem o controle de nascimentos conforme as possibilidades
dos progenitores, não tornam lícitas as relações
sexuais?
Ramatís: - Só existe um processo que torna lícita
a relação sexual e a limitação de
filhos; é a continência ou abstinência sexual!
Depois da prática do ato sexual disciplinado pela Natureza
criadora, as criaturas devem assumir os seus resultados gestativos,
pois será culposo tanto quem aborta voluntariamente,
assim como os pais que frustram renascimentos já comprometidos
espiritualmente antes de se reencarnarem!
Aliás, o prazer sexual ou requinte erótico, não
é propósito ou objetivo essencial da criação
divina, mas apenas o meio de atrair e induzir a criatura a procriar
novos descendentes, ou seja, proporcionar novos ensejos de desenvolvimento
de outras consciências espirituais. O espírito
algema-se à carne planetária para desenvolver
o conhecimento de si mesmo, mas adquirido esse conhecimento
é de sua obrigação afastar-se das formas
transitórias do mundo material! Seria absurdo que o aluno,
depois de saber ler e escrever corretamente, ainda retornasse
à escola primária para soletrar novamente o a
b c! Assim, quanto mais o homem se devota à prática
sexual, mais ele se imanta e se escraviza à lei biológica
da vida física, vivendo as sensações inferiores
da vida animal em detrimento de sua própria ventura espiritual
definitiva!
Os animais, malgrado a sua vivência instintiva, demonstram
sob a disciplina das leis de genética como deve ser exercida
a prática sexual! Eles praticam as suas relações
sexuais somente nas épocas determinadas pela sua natureza
animal e sem explorar o requinte erótico! O prazer sexual
não é pecaminoso, mas recurso técnico da
Natureza para, atrair o homem e a mulher à sua função
criadora. No entanto, à' medida que o homem se eleva
em espírito, ele também se liberta da propalada
"carência sexual", pois é de senso comum
que os sábios; filósofos, cientistas, santos e
intelectuais gastam a maior parte do seu fluido sexual em elevadas
atividades mentais criadoras. Evidentemente, o espírito
do homem, quanto mais primário, mais busca e rebusca
as satisfações sexuais, que são excitadas
pela reserva pródiga de magnetismo erótico! No
entanto, ele usa tal fluido sob a mesma índole criadora,
porém, num plano superior, onde sublima a mente ativada
por objetivos espirituais, e não apenas "físicos"!
Pergunta: - Mas, insistimos, a pílula anticoncepcional
não é um recurso mais coerente e sensato para
o controle natal, em vez do método censurável
e perigoso do aborto?
Ramatís: - Não importa quanto à coerência
e sensatez dos meios usados para a "limitação
de filhos", mas o fato concreto é o seguinte: quanto
mais corpos carnais, mais espíritos encarnados, quanto
mais espíritos encarnados, mais progresso e solução
dos problemas espirituais que atingem a todos nós!
O homem, egocêntrico e ignorante da função
e dos objetivos das leis divinas, perturba a regência
normal da vida e depois pretende corrigir os pseudo-equívocos
de Deus! É óbvio que o Onipotente depois de criar
o mais difícil, como é o Universo, não
iria enganar-se na organização e detalhes de somenos
importância, como seja povoar e distribuir demograficamente
as humanidades nos orbes de sua Criação!
Não foi necessário o uso de pílulas anticoncepcionais
para limitar-se a procriação dos animais antediluvianos
e monstruosos, como eram os brontossauros e dinossauros, pois
eles foram escasseando sob o rigorismo da própria Lei
que os criou! A mesma Lei Sideral que proporciona assustadora
fertilidade aos coelhos, também os faz morrer com a mesma
facilidade a fim de não saturarem o orbe. No entanto,
os condores ou águias dos Andes, que podem carregar nas
garras um novilho para os seus ninhos na ponta dos penhascos,
só vinga-lhes um ovo em cada cem da postura, evitando
que a procriação excessiva venha a acabar com
as espécies de pequeno porte na face da Terra. Graças
à forma da garganta da baleia e a sua voracidade, ela
engole toneladas de sardinhas evitando a saturação
dos mares. Mas, graças à precariedade de sobrevivência
dos próprios baleotes, o oceano também sobrevive
e não se farta só de baleias!
As pílulas anticoncepcionais evitam a procriação,
mas não eliminam a função primordial do
mecanismo sexual destinado à multiplicação
das espécies. Deus não proíbe o prazer
na prática sexual, mas o homem deve assumir a responsabilidade
do seu ato, quanto à possibilidade de procriar! Doutra
forma, ele violenta a reação normal da Natureza,
cumprindo-lhe sofrer as conseqüências ao negar-se
em assumir o resultado procriador.
Pergunta: - Mas é censurável a limitação
de filhos nas cidades populosas, onde se torna cada vez mais
difícil o sustento e a educação de uma
prole numerosa?
Ramatís: - Não importa se a limitação
de filhos é justificável nas cidades ou injustificável
nos campos. O lar e a família humana significam abençoados
ensejos de aperfeiçoamento espiritual; o homem e a mulher
não se unem por simples coincidência, paixão
inesperada ou acidente, mas isso resulta de obrigações
recíprocas assumidas no Espaço. Quando o homem
e a mulher se esposam constituindo o lar na Terra, isso já
lhes custou valiosos estudos e esquemas de vida, sob a orientação
dos técnicos e auxiliares das encarnações.
Assim, a fuga deliberada de procriar filhos pode implicar no
menosprezo aos trabalhos alheios, preventivos e fatigantes realizados
no Além-Túmulo, enquanto impede o renascimento
físico dos demais espíritos vinculados ao mesmo
programa cármico de determinada família espiritual.
Os faltosos terão de indenizar todos os prejuízos
decorrentes de sua defecção espiritual, ainda
agravados pela condição de se colocarem no "fim
da fila", nas futuras reencarnações, devendo
experimentar na própria alma os efeitos de sua limitação
culposa.
Pergunta: - Porventura, cada casal terreno fica sujeito a procriar
tantos filhos quanto seja possível na sua existência
física, proibido de limitar a prole a fim de não
se inculpar perante a Lei Divina?
Ramatís: - Repetimos: cada casal terrícola deve
ter tantos filhos quantos forem os gerados de suas uniões
sexuais, caso pretendam ajustar-se ao determinismo da "Lei
da Procriação", e não exclusivamente
ao prazer erótico! Quem quiser ter menos filhos, contenha-se
nas suas relações sexuais, pois estas são
especificamente de natureza procriativa e não exclusivamente
prazenteiras! Dentro do conceito bíblico de "Crescei
e multiplicai-vos", cada casar fica obrigado a procriar
filhos, proporcionando a outros espíritos desencarnados
os corpos que eles necessitam para a sua evolução,
compensando o que os próprios pais lhes fizeram sob o
mesmo conceito espiritual. Há famílias que possuem
um só descendente, malgrado os seus empreendimentos para
aumentar a prole; outras chegam a procriar vinte filhos. No
entanto, tudo isso ocorre segundo a Lei do Carma, quando a criatura
"colhe no presente o que semeou no passado", pois
é de princípio universal que "não
cai um fio de cabelo da cabeça do homem, que Deus não
saiba"!...
Pergunta: - E que dizeis desses sultões, donos de vastos
"haréns" de mulheres, cuja descendência
atinge a centenas de filhos?
Ramatís: - Eles cumprem a Lei da Procriação
sob os costumes e a moral concebida pela sua raça, atendendo
às próprias necessidades dos espíritos
de sua linhagem evolutiva! Conforme já dissemos, o espírito
desesperado e sob atroz sofrimento no Espaço, pouco lhe
importa nascer árabe ou russo, negro ou europeu, sadio
ou aleijado, privilegiado ou deserdado! Importa-lhe um corpo,
sob qualquer hipótese ou condição! É
o meio de ele aliviar a sua dor cruciante, avançar além
de sua infeliz estagnação espiritual! Em conseqüência,
não é o mecanismo sexual que deve ser analisado
como um bem ou um mal, porém o que dele resulta para
o benefício dos espíritos tomados de sofrimento
indescritível. O sexo é o meio de se realizar
essa providência, o recurso de o espírito deixar
o mundo imponderável e manifestar-se no cenário
escolar do mundo físico! Numa tecelagem não estão
em julgamento as máquinas que fabricam os tecidos para
vestir o homem; porém, importa especialmente que a produção
delas atenda às necessidades humanas!
Assim, a prolífica descendência dos sultões,
no Oriente, ou de certos povos e tribos disseminadas pela África
e Ásia, auxilia na solução dos problemas
espirituais, porque proporcionam os corpos ou instrumentos de
aprendizado para outros irmãos desesperados ou carentes
de alfabetização, através do livro da natureza
material!
Pergunta: - Mas não é imprudência
o excesso de fecundação, quando lançamos
no mundo terreno numerosa falange de espíritos, que por
falta de assistência e educação constituem
o marginalismo e a rebeldia hoje tão flagrantes?
Ramatís: - Não é a pobreza, ou mesmo a
falta de uma educação escorreita e cultural incomuns,
o que torna o homem um marginal! Isso depende fundamentalmente
da índole e graduação espiritual do ser,
pois conforme já dissemos: sábios, cientistas,
médicos, advogados, engenheiros, professores, deputados
e até padres têm se tornado assassinos no vosso
mundo! Cellini produzia magníficas obras de arte durante
o dia, mas apunhalava transeuntes à noite! Os mais ricos
e afortunados "gangsters" americanos, mesmo depois
de solucionar todos os seus problemas emotivos e realizarem
todos os prazeres do mundo, continuam a matar! Eles seriam assassinos
tanto revestidos de militares, médicos, educadores ou
como sacerdotes!
No entanto, a humanidade deve justamente aos homens mais deserdados
do mundo, as belezas e munificências da arte, literatura,
escultura e poesia, ou as conquistas técnicas e científicas
que beneficiam o homem! Einstein, Pasteur, Cervantes, Mozart,
Balzac, Beethoven, Gauguin, Van Gogh, Kant, João Batista,
Francisco de Assis, Gandhi, Sócrates e o sublime Jesus,
nasceram pobres, alguns até enfermiços, mas sulcaram
a face do orbe deixando rastos de luminosidade! O planeta terreno
é a imensa tela onde os espíritos projetam as
suas sublimidades ou ignomínias, dependendo fundamentalmente
de sua graduação espiritual já realizada
na trajetória pregressa!
Pergunta: - É culposa a limitação de filhos,
mesmo quando ao gerá-los há perigo de vida para
a futura mãe?
Ramatís: - Quando há riscos ou danos à
vida materna, a limitação de filhos é recurso
providencial, pois a Divindade não é tão
sádica a ponto de exigir a procriação em
condições nocivas ou enfermiças. No entanto,
o problema se resolveria pela simples "abstinência
sexual", desde que houvesse o entendimento elevado entre
os esposos. Mas afora tais motivos, há que considerar
os prováveis prejuízos às tarefas dos benfeitores
da humanidade, inclusive quanto a frustração nos
serviços espirituais pelo retardamento da "fila"
reencarnatória!
Pergunta: - Mas é a própria ciência médica,
que expõe sob justificativa científica, quanto
à necessidade das relações sexuais para
o equilíbrio neuropsíquico do próprio homem!
Que dizeis?
Ramatís: - Sem dúvida, a Natureza preparou as
criaturas de modo a que elas sintam "necessidade"
de união sexual, pois doutro modo o mundo se despovoaria
rapidamente, quer pelo esquecimento de a criatura cumprir a
sua obrigação procriativa, quer pelo comodismo
de não dificultar a sua vida com o advento de filhos!
A História é unânime em comprovar quantos
povos e raças foram desaparecendo, lenta e gradualmente,
à medida que o erotismo sobrepõe-se ao exclusivo
sentido criador do sexo!
Realmente, no atual estado primário espiritual, o terrícola
ainda carece das relações normais de sexo, embora
mulheres e homens tenham sobrevivido em perfeito equilíbrio,
alguns até santificados, sem qualquer desajuste por força
da carência sexual! De modo algum a Administração
Sideral censura a prática sexual, mas ainda a incentiva;
porém, referimo-nos tão-somente quanto às
obrigações indiscutíveis e inadiáveis,
que cabem na hipótese da geração de um
novo ser! Mesmo arrostando toda a censura moral do mundo, o
homem e a mulher devem conceder a vida e criar o fruto dos seus
amores lícitos ou ilícitos! E a própria
"carência sexual" ameniza-se, pouco a pouco,
quando o espírito faz prevalecer a sua autoridade superior
sobre os estímulos eróticos da linhagem animal!
O homem não precisa evitar, "ex-abrupto';, a satisfação
sexual; porém, pode vigiar essa atividade do animalismo
do mundo, de modo a que não se torne um escravo das sensações
inferiores nem degrade a sua identidade espiritual! Considerando-se
que os grilhões do sexo são os últimos
a serem desatados no mundo carnal, quem pretende libertar-se
das contingências tristes e ilusórias da vida física,
há que começar pelo treino sexual, isto é,
o mais difícil de ser dominado!
Pergunta: - Não seria apenas superstição,
fanatismo ou temor religioso o fato de as famílias católicas
e protestantes procriarem intermitentemente com o receio de
contrariarem o preceito bíblico do "crescei e multiplicai-vos"?
Ramatís: - Em verdade, o "Crescei e multiplicai-vos"
é um conceito peremptório das "Escrituras
Sagradas", e nem o próprio Jesus o modificou ou
fez qualquer ressalva. No entanto, jamais o Mestre referiu-se
ao uso de anticoncepcionais ou drogas preventivas para o controle
procriativo. É um conceito taxativo e imperioso, espécie
de Lei sem alternativa ou dúvidas, quanto à sua
exata interpretação! (Gênesis, 1-28.)
Sem dúvida, muitos religiosos cumprem ao "pé-da-letra"
o "'Crescei e multiplicai-vos", mas também
o fazem sob forte desejo sexual! Embora aceitem digna e louvavelmente
os resultados de suas relações sexuais constituindo
prole numerosa, eles também poderiam regular a sua procriação
sem exporem-se à censura sideral, desde que o fizessem
pela continência sexual! Mas ao cumprirem fanàticamente
esse preceito bíblico criador, não comprovam uma
elevada hierarquia espiritual, senão a honestidade de
aceitar os frutos de relações sexuais muito freqüentes
e um excesso de erotismo! Pela regularidade periódica
com que lhes nascem os filhos, também se pode deduzir
como são freqüentes as suas relações
sexuais, uma vez que a própria Natureza torna infecunda
a mulher em certos períodos!
Pergunta: - É uma obrigação incondicional
os pais terrenos procriarem dezenas de filhos em cada existência
carnal?
Ramatís: - O "Crescei e multiplicai-vos" é
recomendação e não imposição
draconiana, embora seja taxativo e imperioso no sentido da ação
que o homem deve praticar. Não é imperioso ter
relações sexuais, dependendo isso da maior ou
menor tendência do instinto animal sobre o princípio
espiritual! Jesus, apesar de preferir o celibato, não
infringiu a Lei da Procriação, porque já
era completamente desapegado do desejo sexual; em vez de amar
apenas uma mulher, ele amou toda a humanidade!
Assim, cada criatura deve arcar com o resultado de sua natureza
procriativa sexual, pois para isso foi criado o sexo! Não
usais a eletricidade para despedir faíscas a esmo, mas
na sua exata finalidade, que é acender lâmpadas
e mover motores! Quem quer ter filhos use do sexo quando quiser,
mas tome a iniciativa de controlá-lo, progressivamente,
se não pretende descendência pródiga, pois
o erotismo é apenas um acessório estimulante da
prática sexual, jamais o motivo fundamental da vivência
humana!
Pergunta: - Que pode acontecer às pessoas celibatárias,
que recusam deliberadamente de casar e cumprir o mandamento
do "Crescei e multiplicai-vos", mas contemporizam
o seu desejo sexual, alhures?
Ramatís: - Toda infração ao curso da Lei
gera punição dentro do próprio reajuste
de equilíbrio entre os pólos opostos! O homem
deliberadamente solteiro só agrava a sua situação
num mundo egotista e impiedoso como ainda é a Terra!
Ele é o candidato infalível à solidão
por falta de afetos sinceros e íntimos, sem lar, esposa,
filhos, netos ou demais parentes da descendência que o
indenizarão nos últimos anos de vida! Considerado
um marginal na esfera dos "casados", a sua presença
é sub-repticiamente aceita com desconfiança. pois
nada tem a perder no campo da relação sexual!
O solteiro, em geral, vive exclusivamente para o seu próprio
bem; não divide o seu afeto com uma esposa, não
enfrenta problemas nevrálgicos de um chefe de casa e
só tem uma preocupação: cuidar de si! Mas
atinge a velhice quase como um indesejável, alguém
que se furtou de cooperar na vida tão aflitiva dos demais
parentes e companheiros! Comumente, semeia sentimentos de frustrações
nos próprios progenitores que o geraram, os quais lamentam,
no silêncio da alma, o filho ou a filha que lhes negou
a continuidade na figura inquieta, vivíssima e rebelde
dos netos!
Pergunta: - Mas é justificável o sofrimento da
mulher que procria filhos incessantemente por culpa de maridos
puritanos, fanáticos religiosos ou adeptos da gestação
ininterrupta?
Ramatís: - Em face da equanimidade da Lei do Carma, que
pesa na balança divina todos os nossos pensamentos, atos
e sentimentos, teremos de indenizar os prejuízos ocasionados
a quem quer que seja! Assim, muitas esposas, unidas a um esposo
obstinado e obrigada a procriar filhos a granel, apenas colhe
os efeitos cármicos que infringiu no pretérito!
Através de sacrificial e incessante procriação,
essa mulher indeniza os prejuízos causados em vidas anteriores,
quando frustrou o renascimento de alguns espíritos desesperados
pela vida física, ou, talvez, abandonou os próprios
filhos no mundo implacável! É o seu Carma culposo
que a vincula a um marido obstinado ou fanático religioso,
que não lhe dá descanso procriativo, pois doutra
forma ela teria casado com outro homem menos sexual e fértil!
Daí os paradoxos, quando nascem gêmeos, trigêmeos
e até quadrigêmeos, em famílias já
oneradas por uma prole numerosa, porém em débito
procriativo de vidas passadas!
Pergunta: - Mas a mulher frágil e enfermiça, desaconselhada
de gestação pela própria medicina, assim
mesmo ela deve procriar filhos, só porque faliu no pretérito
negando-se de procriar?
Ramatís: - Insistimos em dizer que a Lei Cármica
não se engana e não castiga, mas ela apenas reajusta
p equilibra em benefício do próprio ser culposo.
Esposa frágil e doentia, que ainda deve procriar muitos
filhos de um esposo fanático do "Crescei e multiplicai-vos",
sem dúvida é espírito bastante onerado
com o pretérito. Talvez quando foi mulher afortunada
e sadia, esposa de marido compreensivo e liberal, rodeada por
serviçal criadagem, esquivou-se das vicissitudes da maternidade
e negou-se a ser mãe para não deformar o ventre.
Evidentemente, abusou do aborto infamante, expulsando a alma
que lhe suplicava guarida em seu lar feliz! Como a "semeadura
é livre, mas a colheita é obrigatória",
essa mulher faltosa, malgrado a saúde claudicante, ainda
deve criar os filhos que rejeitou em vidas anteriores!
Pergunta: - Mas não seria razoável que Deus restringisse
os nascimentos em excesso, através de uma esterilidade
congênita?
Ramatís: - Deus não comete equívocos nem
é sádico exigindo punições severas;
mas as leis da vida são imutáveis e perfeitas,
e jamais sancionam as deformações do homem no
curso da vida espiritual.
O desenvolvimento demográfico terreno, quando ultrapassar
o limite de capacidade do orbe, há de ser controlado
pela Administração Sideral, de modo a restringir
o excesso procriativo de todas as espécies, como já
tem acontecido em todos os orbes sob tal dilema. Aliás,
enquanto as crianças nascidas no meio campônio
são sadias e resistem vigorosamente às enfermidades
mais graves, os filhos das metrópoles atravessam a infância
perfurados de seringas hipodérmicas e saturados de antibióticos,
em face da mais inofensiva infecção de ouvido!
As vovozinhas antigamente curavam gripes com chás de
ervas febrífugas, dores de ouvidos com algumas gotas
de azeite quente e resolviam as piores bronquites com cataplasmas
de óleo de linhaça.
A fanática preocupação de assepsia indiscriminada
priva o organismo de ativar as suas defesas orgânicas,
pois fica destreinado e vítima indefesa das investidas
dos germens mais inofensivos. Nos aglomerados das metrópoles
bulhentas, atrofiam-se os elementos responsáveis pela
natalidade, como já tendes exemplos de alguns países
europeus, onde a vida sumamente artificializada acentua o profundo
desequilíbrio entre nascer e morrer. As próprias
circunstâncias gravosas da vida asfixiante das cidades
se encarrega de reduzir o êxito da procriação,
mesmo sem limitar a cota de filhos. Mas onde a vida se faz espontânea
e não foi perturbada em suas raízes vitais, os
filhos nascem prodigamente bafejados pelo oxigênio isento
dos resíduos nocivos das indústrias e dos combustíveis
dos veículos motorizados, que tanto poluem o ar atmosférico.
Sem dúvida, nas áreas sadias dos campos abertos
e favorecidos pela aragem oxigenada, é bem melhor o número
de bactérias, por milímetro cúbico, do
que a quantidade assustadora e própria das cidades infestadas
pelo ar intoxicado e mortífero! 18
18 - A fim de assegurar um clima
de vivência razoavelmente suportável pela população,
a cidade de Los Angeles pára completamente o seu trânsito
e demais fontes de poluição atmosférica,
durante um dia por mês, como recuperação
parcial do oxigênio consumido.
Pergunta: - E que dizeis
do novo método de esterilização, o qual
tem sido amplamente aplicado na Índia, onde o excesso
de população liquida centenas de criaturas sob
o guante da fome? Seria mais aconselhado o espetáculo
trágico de criaturas estertorando pela angústia
da fome do que a esterilização que pode equilibrar
o excesso de criaturas?
Ramatís: - Os métodos de limitação
ou impedimento de procriação de filhos não
resolvem o problema do desequilíbrio censurável
do mundo, que, além de mal administrado, é profanado
pela cruel indiferença dos ricos pelos pobres! Isso faz
lembrar-nos o fato de o motorista mudar a pintura do carro para
assim solucionar a deficiência do motor! Ante a pressão
constante de dez bilhões de espíritos que se afligem
no Espaço e se debruçam sobre a crosta terráquea,
para renascer e progredir no contacto com os elementos educativos
do mundo físico, a esterilização e os métodos
anticoncepcionais ateiam as mais tormentosas tragédias
e desventuras sobre os próprios encarnados! Sem dúvida,
as almas vingativas desforram-se impiedosamente daqueles que
lhes impedem de renascer na carne! Os conceitos tão comuns
de "quem com ferro fere com ferro será ferido",
ou "quem semeia ventos colhe tempestades" podem servir
de advertência para os incautos dos problemas da espiritualidade.
O homem precisa devotar-se cada vez mais ao estudo e conhecimento
da vida imortal, para adaptar-se gradualmente às fases
dos processos que vinculam os espíritos à carne!
Precisa conhecer as obrigações espirituais e alertar
os faltosos quanto aos efeitos dolorosos e indesejáveis
de suas prevaricações contra as leis imutáveis!
É aconselhável refletir sobre o tremendo ódio
que pode gerar-se nas almas frustradas pela encarnação,
e que vos espreitam do Espaço, absolutamente enfurecidas
contra as esterilizações e o uso dos anticoncepcionais,
que as impedem de aliviar as suas dores e remorsos atrozes,
pela graça do esquecimento num corpo de carne!
Malgrado a esterilização em massa, na Terra, que
impede a procriação de novos corpos, nem por isso
a vossa humanidade conseguirá "esterilizar-se"
contra os obsessores revoltados e a culpa cármica de
negar a vida física a bilhões de almas atormentadas
no Além-Túmulo! O que pede pão, alimento,
medicamento, nutrição e abrigo, a ciência
materialista do mundo socorre com "esterilização",
na tola convicção de que deve apressar-se a corrigir
os erros do Criador!
Pergunta: - Qual é o motivo de vida que deveríamos
adotar para um melhor ajuste à responsabilidade da procriação?
Ramatís: - Seria suficiente observardes o sistema de
relações sexuais das espécies inferiores,
as quais praticam-nas obedientes às leis de genética
na fase da própria fecundação. Os animais
relacionam-se exclusivamente a fim de atender aos imperativos
da procriação, e não alteram os hábitos
instintivos que lhes determina a natureza animal. O animal não
limita os filhos, mas também não se excede nas
suas relações; não mistifica o trabalho
da natureza, nem elimina o produto de suas relações.
Pergunta: - Mas não poderíamos dispor
de um sentido instintivo, que então regulasse o metabolismo
da natalidade, de modo a procriarmos filhos conforme programas
espirituais assumidos no Espaço?
Ramatís: - Nos orbes mais evoluídos do que a Terra,
os pais conhecem antecipadamente qual é a quantidade
de filhos que devem gerar em conformidade com o seu programa
"pré-reencarnatório"! Mas isso ainda
não é possível na Terra, mundo povoado
por espíritos recém-egressos das cavernas de pedras,
dominados pela cobiça, avareza, crueldade, inveja, hipocrisia,
ódio, orgulho e despotismo, os quais se trucidam no seio
dos lares, como nos campos fratricidas das guerras. Pouco lhes
adiantaria recordarem-se dos seus compromissos genéticos
assumidos antes da encarnação, pois a sua proverbial
irresponsabilidade também não os induziria a cumprir
rigorosamente as suas obrigações procriativas.
Também seria inútil qualquer advertência
de natureza instintiva, quanto ao exato período das relações
sexuais, pela simples razão de que o homem sobrepõe
o raciocínio sobre o instinto I Em qualquer hipótese,
o homem sempre reage em favor de si mesmo e jamais obedece a
uma pragmática do mundo invisível, pois, na sua
ignorância de espírito primário, ele subestima
qualquer advertência do mundo espiritual. A Administração
Sideral ainda não pôde confiar à humanidade
terrena a faculdade de conhecer previamente a sua obrigação
procriativa, porque, na sua proverbial mistificação,
ela ainda ficaria mais agravada ao errar sobre aquilo que sabia
de antemão!
O terrícola ainda não está capacitado para
gerir conscientemente o seu destino, mesmo no campo da procriação!
Se isso fosse concedido, em breve a Terra estaria dominada por
um punhado de epicuristas da carne, que na luta pela sobrevivência
destruiriam os menos dotados de capacidade e impediriam o curso
natural educativo na matéria. Em vez de animais em luta
pela hegemonia da carne mais sadia e do instinto mais vigoroso,
os homens seriam apenas animais verticalizados e dementados
pelo excesso do prazer inferior que lhes pudesse proporcionar
os fenômenos fisiológicos da existência!
No entanto, sob o controle da Administração Sideral,
a genética do mundo processa-se disciplinadamente, como
as fases da puberdade, em que regula o início do quimismo
criador na menina e a produção de sêmen
no menino; em seguida, o período da adolescência
até à velhice, em que o homem e a mulher podem
entregar-se sexualmente emancipados à união procriadora,
e, finalmente, a menopausa feminina, que encerra o ciclo de
atividade gestativa. No homem, esse período é
indefinido, mas serve-lhe como advertência da natureza
insinuando-lhe a moderação da prática sexual
e sugerindo-lhe atividades mais intelectivas, artísticas
e espirituais, a fim de compensar o desgaste inferior da fase
sexual! É ridículo o ancião de cãs
embranquecidas que, tomado de delírio sexual, gestos
cobiçosos ante a primeira donzela, demonstra um aviltamento
censurável que o próprio animal modera no repouso
de sua velhice!
O espírito do homem idoso e sexualmente descontrolado,
quando desencarna, lança-se no Além-Túmulo
como a ave desamparada, sem poder suster-se contra a força
do vento furioso que a atira contra as pedras! É preciso
aquietar a alma quando ela já se move em direção
ao mundo espiritual, que é o seu verdadeiro lar, transferindo
para o corpo físico o residual dos abusos da mocidade,
mas evitando de produzir novas cargas deletérias e libidinosas
nas proximidades do túmulo! O velho ávido de sexo
é um anômalo no programa da realidade espiritual,
pois contraria o próprio esquema procriativo da vida
superior!
Pergunta: - Alhures tendes dito que certas mulheres
nascem estéreis e impedidas carmicamente de procriarem
filhos, porque no passado repeliram o ensejo gestativo! Desde
que é tão importante e necessária a procriação
de mais corpos físicos, para atender aos bilhões
de espíritos ávidos de renascerem na Terra, não
é absurdo que a própria Administração
Sideral ainda impeça deliberadamente novos nascimentos?
Ramatís: - Em verdade, não há um júri
punitivo no Espaço, ou instituição penal
com a finalidade exclusiva de julgar e acertar as contas dos
desencarnados sob o conceito de "olho por olho, dente por
dente"! As leis cármicas traduzidas pelos aforismos
de "Quem com ferro fere com ferro será ferido",
"A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória",
ou. ainda, "Terás de pagar até o último
ceitil", são muito suavizadas pelo outro conceito
de auto-responsabilidade, que assim diz: "A cada um será
dado segundo as suas obras". Não se trata de sentenças
ou leis punitivas determinando castigos aos pecadores, ou impedindo
mulheres de procriarem filhos porque os rejeitaram no passado.
Trata-se simplesmente de conseqüências técnicas,
em que os efeitos resultantes derivam de causas semelhantes.
É evidente que a "causa gelo" gera o frio,
enquanto a "causa fogo" produz o calor, assim como
um quilo de pólvora é uma causa que produz um
efeito tão destrutivo, conforme seja o potencial da força
ali acumulada e liberta durante a explosão! Assim, o
homem rico, que consome a sua fortuna em seu exclusivo bem,
e disso resultam prejuízos alheios, ele estabelece uma
"causa" culposa pelo abuso do livre-arbítrio,
devendo corrigi-Ia ao sofrer os seus efeitos danosos noutra
vida, quando então enfrentará a prova da miséria
como a terapêutica para o seu reequilíbrio espiritual.
Da mesma forma, a mulher que se nega a ter filhos fugindo ao
sagrado imperativo do "Crescei e multiplicai-vos",
na existência futura podem nascer-lhe gêmeos, trigêmeos
e quíntuplos, constituindo uma prole numerosa para compensação
da negligência pregressa. Os pais que abandonam os filhos
nas vidas anteriores, como péssimos zeladores dos seus
próprios descendentes, a Lei do Carma os torna estéreis
nas encarnações futuras, a fim de que se adestrem
e desenvolvam o sentimento paterno criando filhos adotivos!
Malgrado a necessidade urgente de corpos físicos para
dar vazão à simbólica "fila"
dos espíritos angustiados pela sua encarnação,
nem por isso a Lei deixa de agir, sob o conceito de "a
cada um será dado segundo as suas obras"!
Pergunta: - Porventura, a mulher estéril, que
é impedida de procriar filhos por culpa cármica,
não poderia até sentir-se mais tranqüila
e venturosa ante a plena liberdade de relação
sexual e satisfazer o seu erotismo sem a preocupação
de abortos e pílulas anticoncepcionais?
Ramatís: - Indagai às mulheres estéreis,
cujos lares não passam de mundos silenciosos e tristes,
sem o riso cristalino e a graça da criança buliçosa,
qual seria a sua preferência.
A mulher estéril, que é venturosa por satisfazer-se
sensualmente sem qualquer perigo de gestar, indubitavelmente
tratar-se-ia de criatura com forte tendência à
prostituição, talvez mal contemporizada pelo acidente
do casamento. Jamais a mulher "feminina", sob a proteção
do lar e devotada ao esposo, trocaria a ventura de ter filhos
pela transitória condição de liberdade
sexual na vida física. Existem mil coisas, na vivência
da mãe e seus filhos, que preenchem qualquer desventura
e vicissitudes próprias dos lares terrenos! Os descendentes
são o prolongamento dos pais, cujas ansiedades, sonhos
e ideais compensam todas as agruras da vida. Dificilmente a
mulher estéril considera-se premiada pela possibilidade
de exercer o ato sexual sem fecundidade; mas vive sonhando com
a ventura de um filho preencher o vazio do seu lar, afastando
a tristeza, a melancolia, e cessando a frustração
do casal solitário! Há mulheres sobrecarregadas
de filhos e que, no entanto, expressam em sua fisionomia a alegria
de espíritos já realizados na vida física,
certas de que todos os seus pecados e débitos comuns
pregressos foram superados pela vida tão prolífica
de amparo a tantos outros espíritos que viviam ansiosos
por um corpo físico.
Pergunta: - Em conseqüência, os espíritos
de vossa esfera são taxativamente contra a "limitação
de filhos", não é assim?
Ramatís: - Apenas lembramos que, malgrado se oficialize
a limitação de filhos ou a esterilização
em massa, nem por isso desaparecerá a miséria,
avareza, perversidade, corrupção, doença,
ciúme e os vícios aviltantes! Sem dúvida,
os pais desnaturados continuarão a gerar filhos e os
jogarão à. rua como produtos exclusivos do prazer
fescenino, além do estigma das "mães solteiras",
as verdadeiras vítimas de tal infelicidade.
Da mesma forma, a limitação de filhos não
soluciona o grave problema da fome e da miséria futura,
cujo fantasma se avoluma cada vez mais sobre a humanidade! Que
adianta reduzir as "bocas no mundo", quando os homens
continuam estupidamente a queimar lavouras, pomares, silos,
armazéns de reservas alimentícias, indústrias
de comestíveis, comboios de abastecimento e empórios
citadinos, pelo arrasamento criminoso através das bombas
homicidas? A Ciência terrícola, sob tal providência,
apenas tenta limitar, por processos pacíficos, o que
ela mesma já está processando através de
engenhos funestos, como a bomba atômica! 19
19 - Nota do Médium: -
Ramatís tem razão; diz um professor de Física
da Universidade de Pittsburg, que os ensaios das armas nucleares
já provocaram a morte de meio milhão de recém-nascidos,
e cada megaton que seja disparado no futuro afetará 100.000
crianças! (Jornal "Tribuna do Paraná",
edição de 28-1-1970.)