" A VIDA HUMANA E
O ESPÍRITO IMORTAL" - Problemas dos Governos - RAMATIS
Pergunta: - Por que os sistemas de governo, do nosso mundo,
não correspondem integralmente às ansiedades dos
povos governados?
Ramatís: - Conforme conceitua a Lei Espiritual, "a
cada um será dado segundo as suas obras", assim,
também justifica-se perfeitamente o velho refrão
popular, de que "o povo tem o governo que merece"!
A humanidade terrícola ainda é insatisfeita e
turbulenta, dividida em agrupamentos nacionalistas adversos,
doutrinas religiosas e credos separativistas, a defender interesses
exclusivos em conflitos recíprocos.
Os povos da Terra são belicosos, egotistas, indisciplinados,
ciumentos, avaros, racistas e orgulhosos, quando se trata de
nações poderosas e dominantes; mas choramingam,
lastimam-se quais vítimas injustiçadas, depois
que se enfraquecem ou são humilhados nas guerras pelos
adversários vitoriosos. As nações lembram
as criaturas descontroladas em suas emoções, capazes
de atingirem os piores extremos de ambição e violência,
quando fortes e independentes, mas que se acovardam, servilmente,
ao tombarem dos seus pedestais de vento!
Os povos gritam e protestam contra os seus dirigentes, tachando-os
de políticos ambiciosos, corruptos ou venais, porque
eles não lhes satisfazem integralmente as pretensões
pessoais! Mas esquecem-se de que são governados por homens
da mesma fonte humana, ou gerados no meio-ambiente, os quais
apenas refletem as idiossincrasias do todo que é governado.
Os eleitores elegem os seus dirigentes por sua livre e espontânea
vontade; no entanto, grande parte desse quadro eleitoral avilta-se
nos conchavos, perfídias e estratagemas censuráveis
a fim de eleger o seu candidato simpático, ou que fez
as melhores promessas! Evidentemente, num clima de desonestidade,
ambições e interesses de grupos, jamais surgirá
um candidato isento de qualquer falha ou defeito, porque ele
representa a síntese dos, seus próprios eleitores!
Os mandatários são produtos do próprio
meio que governam, proporcionando os frutos segundo o tipo de
adubo do terreno onde se nutrem!
Pergunta: - Mas alguns povos têm sido governados por homens
inteligentes, hábeis e honestos, que superam o próprio
meio defeituoso onde se geraram! Que dizeis?
Ramatís: - Na distribuição da carga espiritual
que há de constituir a humanidade terrícola, a
"Administração Sideral" do orbe também
escolhe certas épocas para a encarnação
de espíritos benfeitores e sadios destinados a regerem
ou governarem determinada nação ou povo. São
verdadeiras intercessões de melhor quilate espiritual,
a fim de que a humanidade não se atrofie num baixo nível
intelectivo, artístico e moral. Esses magníficos
condutores de povos traçam rumos sadios para o futuro
e desalojam do meio os mandantes corruptos, egotistas e mercenários!
Da mesma forma, outros, de menor graduação sideral,
porém, corretos, dinâmicos e filantropos, são
conduzidos à direção de indústrias,
instituições culturais e científicas do
mundo, apurando o sentido e os objetivos financeiros e econômicos
de modo a servir às massas menos favorecidas!
Eis por que a humanidade terrena, em certas épocas, apresenta
índices espirituais para melhor ou pior, comprovando
quando predomina em seu seio uma carga de espíritos benfeitores
ou defeituosos. A qualidade espiritual do orbe terráqueo,
malgrado a sua natureza primária de escola roceira, em
certo tempo o seu gráfico também comum acusa predominância
de ascensão. Em determinadas fases, o planeta convulsiona-se
pelos conflitos guerreiros e pela safra de tiranos e conquistadores
dominados por instintos e paixões, enquanto desconhecem
os sentimentos mais comuns. O terreno lavra-se e reponta a erva
daninha sufocando os brotos tenros das boas sementes! No entanto,
também ocorrem, por vezes, hiatos de paz entre as nações
humanas, períodos pacíficos, laboriosos e até
gentis, compensando as violências e destruições
do passado. Cidades antigas, anti-higiênicas e impróprias
para a natureza evoluída do cidadão terreno, depois
de destruídas pelo "inimigo" ressurgem das
ruínas sob traçados amplos e arejados, compatíveis
com uma população carente de oxigênio, luz
e jardins!
Na Idade Média dominaram na Terra espíritos trevosos,
cruéis e verdadeiros primatas da espiritualidade, que,
no comando político e religioso do mundo, amordaçaram
consciências, tolheram a liberdade, revolveram o lamaçal
das paixões animais, vulgarizaram a arte, reduziram o
direito de crença e obscureceram os mais singelos ideais
humanos! Após essa experiência tenebrosa em afinidade
com a carga espiritual encarnada, o Alto então frenou
a descida em massa de espíritos de quilate diabólico,
e, programando a encarnação de linhagem espiritual
superior, renovou a face da Terra sublimando a arte, liberando
a devoção religiosa e consagrando a bela vivência
da Renascença! 50
50 -
"E Deus tomou o dragão, a serpente antiga que é
o Diabo, e Satanás e o amarrou por mil anos." "Apocalipse
de João; capítulo 20:2". Sob o exame de pesquisadores
do gênero, considera-se que tal acontecimento identifica
perfeitamente o fim da Idade Média.
Assim,
quando predomina um tipo espiritual mais bem credenciado entre
determinado povo ou certa nação, ali também
se elegem governantes inteligentes e dignos, que são
produtos do melhor tipo de cidadãos e administram corretamente.
Pergunta: - Mas os sistemas políticos, organizados pelas
principais classes de um povo, sempre objetivam de eleger um
bom governo, não é assim?
Ramatís: - Os terrícolas, ingenuamente, criam
sistemas de "ismos" e doutrinas onde pontificam grupos
de interesses particulares para dirigir um "todo",
quando o sistema diretor há de ser sempre um produto
eleito por credencial superior de toda a comunidade. Considerando-se
que num jardim a flor mais bela e odorante deve ser a rainha,
obviamente, o governo ou comando de um povo deve ser entregue
ao cidadão mais bem credenciado na razão e no
sentimento; o melhor homem do conjunto! Ele é o ápice
de melhor qualidade do seu povo e deve ter comprovado na sua
própria vida as credenciais que todos esperam vê-lo
mobilizar em favor da coletividade.
Nenhum povo consegue a solução política
satisfatória, deixando-se governar por qualquer "molde"
doutrinário ou político, produto de um grupo de
pessoas associadas por simpatias e gostos particulares e constituindo-se
num comando à parte. É absurdo um conjunto de
criaturas de preferências pessoais políticas pretender
dirigir um outro todo variadíssimo em sua gama psíquica,
mental e emotiva, como é um povo ou nação,
enfim a própria humanidade! Não se pode fazer
com a massa humana o que se faz com a "massa de confeitos",
onde a matriz escolhida pelo confeiteiro é que determina
a forma do doce. Não é a figura dada ao confeito
o que lhe determina a qualidade, mas isso é inerente
à natureza do conteúdo que preenche o molde. Um
sistema, doutrina ou partido político é um molde
a ser preenchido por determinado tipo de homens afins em suas
idéias, gostos e intenções! São
os ingredientes particulares que nem sempre satisfazem o todo
coletivo, que é do mais variado conteúdo!
Daí a incoerência de indivíduos criarem
um sistema ou partido político para dirigir um todo humano,
cujo sistema deveria ser uma síntese do conjunto a ser
governado! É algo como a disciplina e o equilíbrio
que existe na função dos diversos órgãos
do corpo humano, que para sobreviverem mutuamente submetem-se
à regência do cérebro, isto é, a
síntese comandante do próprio conjunto orgânico!
Ele não particulariza, mas comanda cada órgão
de acordo, com a sua função e necessidade, atendendo
especificamente o equilíbrio e a harmonia do conjunto.
Tornar-se-ia ilógico, que o fígado, por exemplo,
resolvesse criar um sistema baseado na sua própria função
hepática, pretendendo com esse "hepatismo"
governar as necessidades de todo o corpo humano! Um povo ou
uma nação, indiscutivelmente, é um todo
orgânico que materializa a síntese de uma só
vontade psíquica e que deve submeter-se a uma direção
espiritual superior. A eleição do mandatário
de um povo devia mesmo seguir as normas de rigoroso "concurso"
tão comum nas funções públicas subalternas,
em vez de produto de vontades aliadas sob a flâmula de
um partido ou sistema, ou mesmo da nomeação do
grupo dominante. É preciso que esse homem selecionado
para o elevado cargo público apresente, tanto quanto
possível, o mais alto índice de sabedoria, razão
e sentimento investigados no seio do conjunto a ser governado.
Em caso contrário, o todo passa a obedecer a um comando
confeccionado em separado e que não lhe pode proporcionar
o equilíbrio e a harmonia somente possível através
de um conhecimento global!
Pergunta: - Poderíeis explicar-nos melhor esse assunto?
Ramatís: - O governo de uma nação ou de
um povo terrícola comumente ignora a sua imensa responsabilidade
assumida perante a "Administração Sideral",
a qual realmente governa o planeta! Então se julga autorizado
e independente, detentor de um "poder máximo"
sobre certa coletividade, sem necessidade de prestar quaisquer
obrigações para o Governo Oculto atuante do mundo
espiritual! No entanto, o imperador, o rei, o governador ou
mesmo o ditador não passam de mordomos agraciados com
a confiança divina, por cujo motivo ser-lhes-á
exigido depois da morte corporal as mais severas contas dos
encargos na matéria. Jamais serão tolerados, quando
distorcem o sentido de sua governança em favor dos seus
interesses particulares e do enriquecimento do "clã"
familiar, pois a Lei Espiritual não lhes perdoa a mínima
subversão no comando do patrimônio público!
A governança, na Terra, deriva de severos compromissos
esquematizados e assumidos no Espaço pelos seus responsáveis,
uma vez que na movimentação de um povo ou nação
também se inclui a recuperação cármica
dos indivíduos que constituem o conjunto governado. Cada
espírito encarnado está vinculado a um organograma
sideral, onde se avaliam todas as possibilidades de êxito
e fracasso eventuais na rota cármica. Após a desencarnação,
cada homem presta conta dos seus feitos realizados no mundo
material e responsável pelas defecções
espirituais! Infeliz do governante terreno que, devido à
sua ambição política ou inescrupulosidade,
altera, perturba ou modifica a vivência dos seus governados,
impedindo-lhes de cumprirem certas tarefas cármicas ou
afastando-os de objetivos de responsabilidade espiritual! Daí
o conceito sideral, que é tão popular no Além-Túmulo
e assim expressa: "Mil vezes, ser um apóstolo do
Cristo, do que um ministro de Estado!"...
Pergunta:
- Mas cremos que os políticos do mundo não encaram
seriamente as vossas advertências, quanto à responsabilidade
que lhes é inerente perante a "Administração
Sideral" da Terra!
Ramatís: - Sem dúvida, é de índole
humana subestimar e descrer do que não pode ser comprovado
concretamente sob as leis do mundo físico! Malgrado os
políticos desconfiarem de nossas advertências,
a vivência aí no mundo material não é
produto do "acaso", nem mesmo tudo se sucede à
matroca, sem qualquer esquema sensato! A Terra, na sua função
de escola de alfabetização espiritual, obedece
a um planejamento vinculado às demais humanidades da
constelação solar, por cujo motivo é de
perfeita autenticidade o conceito popular que assim diz: "Não
cai um fio de cabelo da cabeça do homem, sem que Deus
saiba!" Por isso, o homem que ambiciona as gloríolas
transitórias dos cargos políticos e públicos
do mundo, que o faça de modo sensato, digno e benfeitor,
pois a Lei do Carma o julgará na medida de suas realizações
boas ou más! Mil vezes o ladrão que furta, na
Terra, do que o administrador que trai a confiança do
Alto e responderá por todas infelicidades, desmandos,
injustiças e perturbações decorrentes do
seu comando desviado do objetivo espiritual. Segundo a Justiça
Divina, "a sementeira é livre, mas a colheita é
obrigatória"!...
Pergunta: - Em verdade, há políticos que alçam-se
ao poder, mas já são de índole delinqüente
e assim o seriam mesmo na vida comum!
Ramatís: - Não opomos dúvida; muitos políticos
falazes e corruptos não passariam de reles vigaristas
ou ladrões vulgares, caso não lhes houvesse ocorrido
o acidente de se guindarem à administração
ou poder público! Aliás, é mais perdoável
perante Deus o ladrão que arrisca a sua vida para roubar
um rádio, relógio ou galináceo, do que
o governante ou político, que furta detrás da
escrivaninha munido de caneta-tinteiro em vez de gazua, e ainda
protegido pelas imunidades do cargo! É preferível
o vigarista que engana o otário ambicioso, do que o homem
público a zombar de milhares de eleitores aliciados para
o elegerem vereador, deputado, prefeito ou governador! Infelizmente,
na esfera política do mundo alimentada por partidos,
doutrinas e sistemas específicos a grupos afins, indivíduos
que seriam problemas de polícia, na pobreza, encontram
o clima favorável na administração pública
para exercitar com sucesso a sua habilidade delinqüente!
Pergunta: - E que dizeis dos governantes, que após situarem-se
no comando administrativo de uma nação, tornam-se
tiranos e às vezes levam o seu povo à ruína
e ao desespero?
Ramatís: - O déspota, o tirano, em geral, é
um produto do ressentimento ou da frustração contra
o mundo! Quando ele vive na mediocridade é servil, queixoso
ou inseguro nos seus atos, remoendo a ira interior e evitando
complicações prejudiciais! Então acumula
energia por força d.e sua contenção compulsória,
enquanto os mais extrovertidos dispersam forças e revelam
seus atos à luz do dia! Em geral, são invejosos,
ciumentos, ambiciosos e facilmente hipócritas, ante a
capacidade de esconderem as suas verdadeiras intenções
sob preceitos morais e sociais da vida em comum! Odeiam facilmente,
e, depois de ressentidos, jamais esquecem a menor ofensa! Cada
gota de água da hostilidade alheia, eles contabilizam
exigindo a indenização de um tonel na hora oportuna!
Calígula, alcunhado o Botinha, bajulava os fortes, beijava
os pés dos poderosos e escondia-se debaixo da cama ante
o mais inofensivo trovão; guindado a imperador, praticou
as mais espantosas crueldades e vingou-se impediosamente de
todos os que um dia ele cortejara; Cortez era condutor de porcos
em sua terra, até se tornar o famigerado assassino dos
astecas, em cujo ato ele vingou-se de todas as humilhações
da infância; Hitler era cozinheiro do exército
alemão, em 1918, homem ressentido contra os seus hierárquicos,
incompreendido na sua pintura paisagista, recusado como canastrão
na arte dramática e a fugir dos judeus, que lhe viviam
no encalço para a cobrança de prestações
atrasadas! Alcançando o máximo poder na Alemanha,
Hitler apenas centuplicou e deu vazão a todas as frustrações,
desforras, inimizades e despeitos, que havia acumulado na humilhação
de sua mocidade medíocre! Vingou-se dos antigos hierárquicos
aposentando compulsoriamente ou demitindo militares de boas
credenciais; mandou queimar em praça pública obras
culturais preciosas, impediu exposições artísticas
de pintores modernos tentando mensagem mais sutil e fechou os
teatros, que lhe haviam negado a consagração dramática!
Sem dúvida, quando ordenou a matança de milhões
de judeus nos campos de concentrações, provavelmente,
o fez atendendo à desforra freudiana contra o antigo
credor, que insistia nos pagamentos das prestações
atrasadas! Humilhado desde a infância pela descendência
medíocre, olvidado nas suas tentativas de liderança
na juventude e ressentindo-se de sua vivência apagada,
sublimou a sua natureza psíquica incapaz e enfermiça,
no culto do "super-homem" de Nietzsche!...
Mas como "o povo tem o governo que merece", o próprio
povo alemão foi o caldo de cultura de Hitler na sua megalomania
e rapinagem, nutrindo-lhe as paixões belicosas e o orgulho
racista. E fortalecendo os objetivos anômalos e enfermiços
do "Führer", os alemães ainda apoiaram
outros tipos de semelhança psicopata e delírio
sadista, como Goering, Himmler, Goebbels, Bormann, Jodl, Kaltenbrunner,
Ribbentrop, Heydrich e outros, cuja ação sinistra
derramou rios de sangue dos infelizes vencidos! Mas sob a inflexível
Lei do Carma, a mesma mocidade que aplaudiu delirantemente os
massacres, as pilhagens sobre os povos mais fracos praticados
por Hitler, atualmente, envelhecida e desiludida, então
sofre, atrás do "muro da vergonha" dos russos,
a colheita infeliz da sementeira imprudente!
Pergunta: - Mas teria sido um simples acidente imprevisível
pela Administração Sideral, quanto à interferência
de um Hitler, Aníbal, Gengis-Can ou Napoleão,
cujos resultados foram tão maléficos para a humanidade?
Ramatís: - Sem dúvida, tais acontecimentos enquadram-se
perfeitamente nos planos de aperfeiçoamento dos espíritos
encarnados e componentes das nações belicosas.
Embora indesejáveis, lembram certas enfermidades que
requerem uma terapêutica violenta e cáustica. É
lastimável, entretanto, que a humanidade terrena ainda
necessite de tais recursos belicosos para o seu reajuste cármico,
massacrando-se nas guerras fratricidas, a destruir cidades,
jardins, pomares, campinas e matas preciosas, que depois grassam
a fome, miséria, neurose e mutilação dos
homens! Não opomos dúvida de que o Bem também
pode vir pelo Mal, mas o sensato é que o Bem se faça
pelo próprio Bem! 51
51 -
Vide a obra "Do País da Luz", capítulo
4, 1º volume, psicografia de Fernando de Lacerda, na qual
o espírito de Napoleão diz o seguinte: "O
eleito é sempre escolhido; mas o escolhido não
é eleito. O eleito foi escolhido por Deus para fazer
o Bem pelo Bem; o escolhido pode ser para fazer o Bem pelo Mal.
O eleito foi Jesus. Eu fui escolhido."
Nesta comunicação mediúnica, Napoleão
compara sua existência turbulenta e ambiciosa com a missão
terna e pacífica de Jesus.
Pergunta: - Porventura, as campanhas libertadoras de Napoleão
não trouxeram algum benefício ao mundo?
Ramatís: - Quando a "Administração
Sideral" da Terra escolheu o espírito de Napoleão
para demolir os feudos e reinados escravocratas do mundo, libertando
muitas criaturas injustiçadas por senhores poderosos,
vinganças políticas pessoais, jamais endossou-lhe
a vaidade de sobrepor as suas ambições e desmandos
acima da natureza de sua tarefa, além de presentear a
parentela humana com tronos principescos.
Indubitavelmente, em face do tipo primário espiritual
que é a humanidade terrícola, o fenômeno
Napoleão Bonaparte ajusta-se perfeitamente à moldura
dos acontecimentos belicosos, como uma necessidade para romper
os grilhões que ela mesma forja na sua caminhada tola
e ambiciosa! A sua atividade guerreira teve por fim abrir fronteiras
e masmorras, ajustar direitos e proporcionar ensejos para o
reajuste de costumes, retificações de leis e amplitude
de cultura e educação. Napoleão Bonaparte,
como quase todos os guerreiros terrícolas, endeusou-se
pelo poder transitório de destronar reis, ignorando que,
através da reencarnação, tais reis e príncipes
poderiam ter nascido filhos dos mordomos e guardas do palácio
real! Houve reis, imperadores, e príncipes tarados, imbecis,
enfermiços e genocidas, como Nero, Calígula, Ivan
o Terrível, Cômodo, Heliogábalo e outros,
que em vez de serem recolhidos a um manicômio, dispunham
da vida do seu povo como o magarefe do seu gado!
Entusiasmado pelo fascínio do poder humano, Napoleão
julgou-se um raro espécime na face do mundo, e assim
tentou ultrapassar o próprio esquema cármico que
o Alto traçara como seu destino! Em conseqüência,
após a fugaz gloríola do poder imperial transitório
oficializado por Pio VII, ele terminou seus dias tristes e melancólicos
na ilha de Santa Helena, ali refletindo quanto à fragilidade
da vida humana e a impossibilidade do homem em superar "as
diretrizes do Governo Oculto! Conseguiu destronar reis, vencer
batalhas memoráveis, eleger-se imperador e dominar a
Europa; mas, lastimavelmente, não pôde extinguir
o cabotinismo, orgulho a vaidade, presunção, atrabiliariedade,
crueldade e a própria morte! Ignorava, portanto, que
o verdadeiro gênio é criador e governa-se a si
mesmo, pois o supremo guerreiro é aquele que vence as
suas próprias paixões!
Pergunta: - E que dizeis das revoluções feitas
pelos povos, quando pretendem eleger um novo governo, honesto
e criterioso, para coibir a corrupção?
Ramatís: - É óbvio que o vocábulo
revolução já induz uma iniciativa violenta
de mudança do regime dominante, a fim de atender às
insatisfações políticas de um povo, nação,
ou mesmo grupo de homens. Comprova-se, assim, o primarismo do
homem terrícola na sua graduação espiritual,
pois ele ainda não sabe resolver os seus problemas sociais,
políticos, pátrios e morais, sem a violência
que gera o clima de ódio, ciúme, competições
e falsas glórias! As questões políticas,
religiosas e sociais dividem o mesmo povo em diversas facções
adversas, nutrindo uma guerra permanente, ante a preocupação
de cada conjunto pretender impor a sua preferência e simpatia.
Embora as revoluções glorifiquem os seus autores
e os consagram no altar dos heróis, patriotas e "salvadores"
do povo, em verdade, há sempre um jogo de interesses,
em que os grupos dominados reagem contra os grupos dominantes.
A revolução já é um estado de espírito
em cada homem sempre insatisfeito, pensando em "mudar"
de qualquer forma, onde quase sempre procura exclusivamente
o seu próprio bem. Quando esse estado de espírito
oculto se exterioriza na configuração de movimentos
belicosos ou lutas sangrentas, apenas materializa a insatisfação
de muitos homens afinizados à mesma freqüência
de desejos. Só em casos raríssimos, um ideal isento
de interesses pessoais move uma revolução em favor
do povo, pois, em geral, a cobiça e a ambição
são próprias dos revolucionários de todos
os tempos. A prova é que, incessantemente, novas revoluções
substituem as velhas revoluções, porque os salvadores
do povo passam a cuidar de sua própria salvação!
Por isso, apesar do benefício que às vezes certas
revoluções proporcionam sob uma intenção
superior, jamais elas podem promover a felicidade de um povo,
porque não atendem especificamente os interesses totais
dá coletividade, mas são geradas por grupos de
homens associados pela mesma simpatia grupal. Deste modo, mormente
a proclamação de "salvadores", trata-se
de um grupo afim e que passa a prestigiar exclusivamente os
seus membros, desvinculando da "salvação"
os depostos e os que não vibraram com o movimento revolucionário.
Evidentemente, se a fidelidade, tolerância, renúncia,
honestidade e o verdadeiro patriotismo de raça existissem
unificados por um esquema evangélico do bem alheio, jamais
haveria necessidade de revoluções, as quais apenas
significam o corolário de uma insatisfação
coletiva!
Ademais, os homens terrenos ainda ignoram quais são os
tipos de suas reações mentais e emotivas diante
de acontecimentos incomuns, aos quais são lançados
intempestivamente. Assim, eles podem variar e exceder-se profundamente
ao contrário dos hábitos comuns, mudando o seu
procedimento conhecido e revelando-se, às vezes, em completo
antagonismo com as suas características conhecidas na
vida cotidiana. Quem for uma incógnita para si mesmo,
quando elevado ao cargo supremo de um povo, tanto pode ser benéfico
como maléfico, dependendo das paixões, interesses
ou ambições que o dominam. Sabe-se que muitos
imperadores romanos iniciaram o seu reinado imbuído das
melhores intenções, talo caso de Nero; no entanto,
a volúpia do poder, a bajulação dos cabotinos
e a perspectiva do luxo e do prazer, nutrem a vaidade, o orgulho,
a desforra e outras paixões indesejáveis. Hitler
parecia um homem inofensivo, servil e atencioso, quando era
simples cabo do exército alemão, na guerra de
1914. No entanto, fascinado pelo comando e poder governamental,
foi um verdadeiro flagelo para o mesmo povo que o aqueceu nas
suas intenções e pretensos ideais de felicidade
humana! Sem dúvida, isso ocorre também com os
líderes revolucionários, pois são raros
os que conseguem lançar-se do anonimato às credenciais
do poder, mas sem tumultuar-se escravo das paixões e
vaidades, que dormitavam sub-repticiamente no âmago de
sua alma imatura!
Pergunta: - Mas, evidentemente, há sempre uma boa intenção
quanto à iniciativa de homens, os quais se congregam
para mudar um regime ou governo indesejável e até
corrupto, não é assim?
Ramatís: - Na qualidade de espíritos desencarnados,
e interessados no comando superior do Cristo, não pretendemos
analisar quanto à "psicologia das revoluções",
nem quanto às motivações políticas
ou sociais que as promovem. Enquanto o homem não mudar
visceral e interiormente, ele viverá em guerra com as
suas próprias paixões e seus vícios escravizantes.
Então não haverá paz e ventura na Terra,
seja qual for o tipo de doutrina ou sistema adotado para se
governar o povo. A revolução é tão
permanente na alma do homem terrícola que ele à
tarde arrepende-se do que fez pela manhã, numa perfeita
guerra consigo mesmo! Assim permanece a luta silenciosa ou ruidosa
no seio da família, da vizinhança, nas ruas e
nos estabelecimentos de trabalho, na diversão e até
devoção! Os jornais comentam em "manchetes"
berrantes, roubos, crimes, estupros, violências, assaltos,
loucuras alcoólicas, viciações de entorpecentes,
adultérios, prostituição, latrocínios
e corrupção pública! Porventura, alguma
revolução liderada por grupos de políticos
ou patriotas aquecidos por paixões algo semelhantes poderá
harmonizar e solucionar esse estado crítico e revolucionário
inato no homem terreno?
O advento do Cristo também foi uma revolução,
pois de sua atuação sublime no mundo "mudaram-se"
todas as formas de ação humana, onde o amor deve
substituir o ódio, a humildade o orgulho, a renúncia
à pilhagem, o bem ao mal, a paz à guerra!... O
Mestre Jesus não se endeusou sob a vaidade infantil dos
distintivos e penduricalhos no peito perecível, nem liderou
homens na gloríola do poder transitório; mas ele
revolucionou o mundo lavando os pés dos apóstolos
e sacrificando a sua vida pela felicidade da humanidade! Foi
um revolucionário jamais igualado, porque ensinou o governo
do espírito sobre as paixões e os vícios,
em verdade, os piores inimigos do homem! Nas guerras ou revoluções
do mundo, os militares ou civis marcham eufóricos pelas
ruas em passeatas crivadas de símbolos, bandeiras, fanfarras,
e fuzis, quais "salvadores" liderados pelos seus cabeças,
êmulos de "Duces" e "Führers",
que depois transformam as suas pátrias em ruínas!
52 Jesus, no entanto, era apenas o "Grande Amigo",
cujo séquito revolucionário era composto de viúvas,
pescadores e homens pacíficos, que manuseavam as armas
do Amor para estabelecer a paz e a Compaixão na alma!
52 -
Nota de Ramatís: - Louvamos o vosso povo, cujas revoluções
tendem cada vez mais para soluções tranqüilas
e sem derramamento de sangue. Só as nações
"superdesenvolvidas" em espírito sabem resolver
os seus problemas vitais e complexos políticos a distância
da violência, trucidamento e desforras fratricidas! Daí
o Alto confiar que o Brasil será o povo mais fraterno
e espiritualista do mundo, a distância das guerras e revoltas
homicidas, terra esperançosa, onde os próprios
militares trocam o "manual de guerra" pelo Evangelho
do Cristo, na sua participação às cruzadas
militares espíritas e movimentos pacíficos de
Umbanda.
Através
do silencioso comando da alma, Jesus instituiu a revolução
do Amor, do Bem e da paz para toda a humanidade, independente
de raças, credos, sistemas políticos ou entendimentos
intelectivos. Enquanto isso, no mundo profano, o "chefe
revolucionário" exige que sejam cumpridas as suas
próprias preferências, simpatias e modo de julgar
o mundo, isto é, o seu comportamento particular deve
ser modelo de todos os seus comandados! Quando ele é
visceralmente católico, como Franco e Salazar, o Clero
amordaça e domina quaisquer movimentos espiritualistas
liberais; sendo ateu, há relativa liberdade de agirem
os ateus, mas amordaça as doutrinas religiosas desprotegidas
no regime inconstitucional, predispondo os quadros melodramáticos
dos martírios! Se for um governo espírita, e possível
que mande fechar as Igrejas e os terreiros de Umbanda; se for
um governo fanatizado pela Umbanda, talvez feche todos os centros
espíritas kardecistas! Catarina de Médicis matava
os católicos na França, mas Calvino, protestante,
mata Servet na Basiléia, enquanto os huguenotes "modernistas",
que fugiam para a Nova Inglaterra, eram assassinados pelos fanáticos
"conservadores" da mesma crença! Os cruzados
matavam os fiéis sarracenos, e os muçulmanos e
budistas hoje ainda se matam impelidos pela mesma ferocidade
do tempo das cavernas! No entanto, qual é o fundamento
específico da revolução trazida pelo inesquecível
Jesus, senão o mandamento "salvacionista" do
"Ama o próximo como a ti mesmo"? E para os
revolucionários nutridos pelo ódio, pela vingança
e pelos assomos exagerados de salvação pátria,
em geral, o Divino Mestre recomenda: "Aquele que perder
a vida em meu nome, ganhá-la-á por toda a eternidade!"
Deste modo, embora se justifique o instituto das revoluções
no mundo material terreno, na tentativa de corrigir a degeneração
costumeira da administração pública ainda
regida por homens imperfeitos, elas apenas fazem vibrar o coração
dos novos patriotas, como a panacéia salvacionista do
povo, ante a esperança única pela "mudança"
das coisas vigentes! O povo sente-se feliz no advento revolucionário,
crente de que o novo regime há de ser melhor que o governo
exonerado. No entanto, em face da proverbial imperfeição
humana, não somente os "salvadores" esfriam
os seus ímpetos de euforia pátria, no decorrer
da administração, como ainda penetram no movimento
libertador homens oportunistas, medíocres, ambiciosos
e hipócritas, cujo mimetismo de patriotismo retardado
chega a impressionar os autênticos! Daí o aforismo
tão comum, de que "a vassoura varre bem no primeiro
dia"!
E, inexoravelmente, como é tão comum na face do
orbe terráqueo, vão se deteriorando os fundamentos
sadios traçados pelos revolucionários sinceros
e impolutos, que logo se surpreendem enfrentando as mesmas enfermidades
legislativas, sociais, morais e administrativas dos seus antecessores
julgados incompetentes e inescrupulosos! Sem dúvida,
isso tudo acontece, porque o melhor governo revolucionário
do mundo poderá modificar o conteúdo político
de um povo, jamais o seu conteúdo espiritual, que requer
outra espécie de revolução endógena,
no seio da alma enferma!
Pergunta: - Mas um governo inteligente, operoso e honesto não
proporciona um ambiente favorável para melhor índice
educativo, social e assistencial do seu povo?
Ramatís: - Não basta apenas proporcionar o ambiente
favorável pelo advento tecnológico ou científico,
para que o povo adquira a compreensão de si mesmo, pois
até sábios, cientistas, técnicos e grandes
cerebrações políticas e filosóficas
do mundo têm-se tornado assassinos ou corruptos! Evidentemente,
eles tiveram todos os recursos para atingir o grau incomum que
puderam manifestar sobre a maioria da humanidade; mas a sua
mediocridade espiritual os levou a cometer crimes e atos tão
condenáveis quanto as ações culposas de
um carroceiro ou campônio iletrado! Deste modo, concluímos
que o mais requintado ambiente técnico-científico-intelectual
do mundo jamais proporcionará a educação
espiritual que só é possível através
de um Código como o Evangelho do Cristo!
Na era pré-histórica os homens matavam-se com
tacapes de pau; depois destruíam-se a distância
com torpedos de pedras lançadas por catapultas; mais
tarde duelavam-se à espada e facões; em seguida,
passaram a torrar hereges nas fogueiras da Inquisição,
ou matando com arcabuzes nas sangrentas empreitadas das Cruzadas,
na Ama, ou na "Noite de São Bartolomeu", na
França. Finalmente, o mundo então foi agraciado
por um notável surto de descobertas científicas
e invenções técnicas, que desenvolveram
o conhecimento humano na caudalosa produção de
livros, revistas e panfletos acessíveis a todas as criaturas.
O primata hirsuto das cavernas transformou-se no cidadão
barbeado e vestido de casimira, num gênio criador de computadores,
submarinos atômicos, foguetes teleguiados, satélites
artificiais e espaçonaves a pousar na Lua, além
de dispor de fabulosa força extraída da intimidade
atômica! É o poderoso mago moderno, cujas façanhas
pelo controle remoto e a capacidade de fender o seu próprio
planeta, põe num chinelo o lendário gênio
da lâmpada de Aladim!
Sem dúvida, isso seria bastante para melhorar o índice
educativo, moral, social, assistencial e o amparo do povo; no
entanto, o terrícola apenas refinou a sua arte de matar,
provando, mais uma vez, que toda realização sem
a égide do Evangelho do Cristo é infrutífera,
criticável! É de senso comum que são os
governos inteligentes e dinâmicos que favorecem o clima
para a Ciência e a Técnica proporcionarem o máximo
de conforto e requinte à humanidade terrena. Enquanto
o rádio coloca o homem em contacto com todas as latitudes
geográficas do orbe, a televisão fornece-lhe imagem
instantânea dos povos mais distantes! A mulher moderna
libera-se das injunções humilhantes do trabalho
forçado no lar, pois hoje dispõe do liquidificador
que substitui a anacrônica batedeira muscular, o fogão
elétrico ou a gás extinguiu a função
de foguista doméstica, a enceradeira opera servilmente
aliviando o pesado trabalho da limpeza do assoalho. A lâmpada
mercurial substitui o lampião fumarento, a cinematografia
panorâmica aposentou a velha lanterna mágica expondo
as imagens animadas e coloridas sob o som estereofônico!
Em face dessas realizações técnicas, científicas
e culturais modernas, os ricos de ontem seriam atualmente bem
pobres, malgrado sua fortuna estagnada na frialdade de uma vida
despida da vivacidade atual. A divulgação fácil
de livros, os recursos modernos de alfabetização,
a cultura através de cursos básicos, intensivos
e técnica eletrônica, ainda a leveza do traje de
tecido adequado à profissão ou situação,
as soluções vitamínicas, o controle especifico
sobre o recém-nascido, o exame "pré-nupcial",
a hibernação, o transplante de coração,
rim, pâncreas ou olhos e as pílulas anticoncepcionais,
proporcionam ao homem do século XX uma vivência
venturosa. A era do plástico, a modernização
dos estabelecimentos de ensinos, a alimentação
sintética e enlatada, a assistência social dos'
institutos e a previdência do seguro, a intelectualização
dos militares, a piscina da associação desportiva,
a prodigalidade de creches, asilos de velhos, nosocômios,
institutos de recuperação mental, aparelhamentos
modernos para cegos, surdos-mudos e mutilados, porventura foram
capazes de solucionar os ingentes problemas milenários
do espírito?
Pergunta: - Poderíeis estender-vos mais um pouco sobre
esse assunto de um modo ainda mais objetivo?
Ramatís: - Que faz o homem moderno, cientifizado, psicoanalisado,
checado física, intelectual e psiquicamente? Que se submete
a todas as descobertas científicas, conhece todas as
nuances da psicologia moderna, queima fosfatos na emperrada
pesquisa parapsicológica, comanda pequenos feudos de
computadores, controla "robots" subservientes, capaz
de pulverizar milhares de criaturas ao simples toque de um botão
eletrônico, como o fez em Hiroshima? Enfim, qual é
a notável diferença que existe, hoje, no homem,
e o seu passado de troglodita? Antigamente, quando vivia nas
cavernas matava o próximo a pauladas; hoje assassina
o semelhante a pistola eletrônica com silenciador; arrastava
a mulher do vizinho troglodita para satisfazer os seus instintos
campos afora; hoje, faz o mesmo com a mulher do amigo, carregando-a
de "galaxie" ou "impala" Morava em grutas
de pedras, atualmente copia a vida dos insetos morando em canudos
de cimento; torrava os hereges de modo anti-higiênicos,
presentemente pulveriza-os sob a explosão da bomba atômica!
Há milênios movimentava carroças ferradas
sobre tapetes de corpos vivos de crianças, velhos e mulheres
nas tropelias bíblicas; hoje os esmaga sob as lagartas
dos tanques homicidas!... 53
53 -
Vide em "Reis", Livro 2°, capítulo XII
versículo 31 da Bíblia, os bárbaros massacres
de David e seus exércitos sobre os amonitas e moabitas,
quando mandava passar carroças com pontas de ferros sobre
os infelizes prisioneiros estendidos ao longo das estradas.
Quando os Judeus eram conduzidos para o campo de concentração
de Treblinka, na última guerra nazista, houve casos em
que os tanques alemães os esmagavam, espremidos entre
as margens da estrada, cujas lagartas ao girarem ensangüentadas,
mostravam pedaços de fígado, rim, corações,
braços e pernas dos massacrado. Vide a obra sobre Treblinka.
A técnica
e a ciência vinculadas para os mesmos objetivos atualmente
oferecem os mais brilhantes e eficientes ensejos para o terrícola
exercer a sua incúria espiritual. Aqui, desentoca infelizes
homens subnutridos e acovardados e os liquefaz pelo fogo líquido
do "napalm"; ali, trucida pela bomba atômica
os inimigos de raça diferente; acolá, estraçalha
corpos de jovens sob a metralha eletrônica em defesa de
tolos sistemas políticos. Em tempos idos, o ser humano
viajava algumas semanas, a cavalo, para enterrar o punhal na
barriga do adversário; hoje, graças ao avião
a jato supersônico, ele pode fazer o seu desjejum em Nova
Iorque, almoçar em Lisboa e matar o desafeto em Paris,
à hora da ceia! Inegavelmente, houve significativa evolução
da humanidade, com seus métodos modernos e aperfeiçoados
para matar, quando se pode liquidar em poucos minutos milhares
de criaturas, que antes exigiriam fatigantes meses e anos de
batalhas ininterruptas. É por isso que certo escritor
jovial, brasileiro, num feliz momento de humorismo, descreveu
o homem moderno como "um macaco que freqüenta o barbeiro"!
54
54 -
Berilo Neves.
Apesar
de tantas realizações louváveis e surpreendentes,
a humanidade terrícola ainda é incapaz de ser
feliz, pois enfrenta os mesmos problemas de ordem espiritual
de antanho. Os partidos políticos, os sistemas doutrinários,
as castas sociais e as segregações raciais constituem
tremendas limitações verrugosas no corpo sadio
da vida feita por Deus! Malgrado as reuniões amistosas
de classes profissionais, confraternizações artísticas,
os congressos eucarísticos, simpósios de espíritas
e outros empreendimentos de espiritualistas modernos, apenas
se verifica uma verbosidade avassalante sem resultados práticos,
porque os homens, no âmago da alma, ainda são dependentes
das superficialidades e dos interesses do mundo transitório
da carne!
Raras criaturas importam-se, realmente, em investigar a autenticidade
do espírito imortal em sua manifestação
educativa na face do orbe, a fim de nortear a sua vivência
sob o imperativo da vida superior. Por isso, também não
sabem governar e governar-se, até o dia em que coloquem
acima das circunstâncias provisórias da existência
física a norma da vida verdadeira do espírito!
Pergunta: - Que dizeis das doutrinas socialista, fascista, democrática
ou nazista?
Ramatís: - É evidente que na condição
de espíritos desencarnados não nos preocupam rótulos,
fórmulas, preconceitos políticos, racistas ou
"ismos" que identificam movimentos socialistas, nazistas,
democráticos, capitalistas ou fascistas de pouca importância
para o revestimento exterior, quando o conteúdo continua
deteriorado!
São empreendimentos que se constituem na cúpula
de proteção a certos grupos de homens congregados
pela mesma simpatia pessoal e devotados à mesma concepção
política, e que eles consideram a panacéia preferida
para solucionar os problemas humanos. Daí o fanatismo
e o devotamento servil desses grupos ao "seu" sistema
político, e que o consideram o melhor do mundo, o mais
adequado e certo, embora isso não agrade aos adeptos
de outras doutrinas algo semelhantes. Indubitavelmente, tais
sistemas por mais sensatos ou lógicos que os julguem,
serão superados com o tempo e em face da modificação
e evolução dos costumes e temperamento dos homens.
A história é pródiga em comprovar inúmeros
sistemas e doutrinas econômicas, políticas, filosóficas
e até educacionais, que de maneira alguma poderiam ajustar-se
hoje ao pensamento e à emotividade do homem-atômico!
Tais sistemas podem atender as necessidades de um povo, em determinada
época e nos limites idiossincrásicos desse povo;
jamais servirá para a cobertura de toda a humanidade,
sequer de outra nação! Ademais, tratando-se de
conjuntos de homens de espírito primário, como
são os terrícolas, os seus sistemas e doutrinas
estão eivados dos mesmos defeitos que tais homens ainda
não puderam extinguir em si próprios! Não
importa ser nazista, democrata, capitalista, fascista ou socialista,
e a ardente preocupação de "salvar"
a humanidade pelo seu sistema político mais simpático,
caso o homem não consiga "salvar-se" a si mesmo,
libertando-se do vício de fumar, beber, comer as vísceras
sangrentas dos irmãos inferiores, inclusive do domínio
das paixões funestas! Isso tanto avilta o indivíduo
que o comete, como o povo, sistema ou doutrina, que tenta a
salvação política de outra nação,
mas sobrecarregada das mesmas infâmias, avarezas, inescrupulosidades,
ódios, vícios e vinganças partidárias!
Pergunta: - Porventura, entre tais sistemas, um deles não
poderia solucionar de modo mais sensato e eficiente os problemas
do mundo?
Ramatís: - Doutrina por doutrina, sistema por sistema
ou "ismo" por "ismo", ideados e compilados
por homens defeituosos, é preferível o "Evangelismo",
ou doutrina de Jesus, que além de ser o homem mais santo
e mais sábio, é também o melhor amigo do
homem! Trata-se de doutrina sadia, universalista e incriticável,
que praticada por todos os homens elimina definitivamente todas
as dificuldades, carências e desventuras da humanidade!
Não é de estrutura capitalista, fascista, democrática,
nazista ou socialista, mas simplesmente regida por uma regra
áurea e irredutível, que é o sublime sentimento
do Amor! Os homens hão se salvam substituindo sistemas
políticos, mas exclusivamente pelo exercício incondicional
do Amor!... No deserto da vida humana, só a doutrina
de Jesus é o "oásis" capaz de dessedentar
a sede do viandante mais desesperado e infeliz. É a fórmula
inalterável em qualquer latitude geográfica do
mundo, clima social, político ou religioso, como a mais
avançada solução moral e espiritual das
relações entre os homens! "Ama o próximo
como a ti mesmo" e "Faze aos outros o que queres que
te façam", não se refere especificamente
a grupos de homens socialistas, fascistas, democratas, nazistas,
capitalistas, comunistas ou socialistas, porém, ao gênero
humano!
Os homens podem alegar que é difícil viver o Evangelho,
tal qual o Mestre Jesus o viveu; mas nenhum homem do mundo poderá
negar que, se tal Código Moral for praticado pela humanidade,
extinguem-se todos os problemas econômicos, financeiros,
políticos, morais, racistas, religiosos, e até
recupera-se a saúde humana pela libertação
dos vícios e das paixões mórbidas! Em conseqüência,
não somos por nenhum partido, doutrina ou sistema político,
filosófico ou religioso do mundo, mas apenas pelo "amor"
pregado e vivido pelo Cristo-Jesus, o qual é independente
de quaisquer diferenciações de raça, cultura,
fortuna, política ou religião!
Pergunta: - Tratando-se de assunto de suma importância
para a nossa observação e aprendizado, gostaríamos
de receber outras considerações, de vossa parte,
e relativas ao "Evangelho de Jesus", num confronto
com as doutrinas do mundo!
Ramatís: - É de senso-comum que a saúde
de um conjunto depende da saúde das partes; em conseqüência,
o equilíbrio, a harmonia e a eficiência de um sistema
político, social, cultural, religioso ou filosófico,
terá de depender, fundamentalmente, das condições
sadias das partes! A beleza panorâmica de um jardim depende
da harmonia e coerência estética entre as espécies
de flores que o compõem.
Assim, os governados não podem criticar os seus governos,
pois eles constituem-se na cobertura ou superestrutura dos valores
positivos e negativos do próprio povo a que estão
vinculados. Muitas vezes, os indivíduos de certo sistema
político exigem um governo perfeito dentro de um ambiente
em que praticam e consentem as mais censuráveis relações
ilícitas de ordem comercial, política ou moral.
Agiotas, proxenetas, ladravazes, homossexuais, mistificadores,
hipócritas, prostitutas, avarentos, falsários,
sonegadores, imorais, fanáticos, subversivos, homicidas,
alcoólatras e outros viciados não se pejam de
censurar e arrasar o governo a que deram o seu voto, exigindo
um homem iluminado no seio da própria abominação!
Há quem critica a administração pública
junto à mesa regada a álcool dos ambientes prostituídos;
aqui, o negociante acusa severamente a inescrupulosidade do
governo, enquanto rouba furtivamente no peso da mercadoria comprada
pelo freguês; ali, o cidadão se enfurece exigindo
mais assistência pública, enquanto sonega o fisco
e o imposto de renda; acolá, comenta-se a negociata dos
representantes do governo, ouvindo-se o rádio adquirido
de contrabando! Então exige-se dos responsáveis
administrativos o máximo de perfeição,
enquanto, sub-repticiamente, praticam-se atividades ilícitas
e censuráveis pela moral comum!
Evidentemente, pouco importa a natureza dos sistemas políticos
e doutrinários do mundo que eles governam, sejam fascistas,
democratas, capitalistas, nazistas, comunistas ou socialistas,
caso os homens que os compõem ainda são ineptos,
imorais, desonestos, agiotas, fanáticos, racistas. viciados
e maldosos! Assim como o vinho azedo não se modifica
para melhor qualidade pela simples troca de rótulo, o
mundo jamais logrará o seu equilíbrio mudando
de sistemas políticos, ou etiquetas "salvacionistas"
que não melhoram o conteúdo humano! Daí
a ascendência do sistema "Evangelho", fruto
de uma vivência da maior fidelidade ao gênero humano,
o qual é o denominador comum de um estado de espírito
superior, como é o Amor, acima de qualquer interesse
político ou doutrinário!
Pergunta: - Mas um governo de homens honestos e criteriosos
também proporciona um clima estimulante para a dignidade
humana, não é assim?
Ramatís: - A humanidade é um todo que se move
lentamente em ciclos, caminhando em direção a
um objetivo superior a felicidade espiritual! Esses ciclos se
renovam e retornam à proximidade da fase inferior já
ultrapassada anteriormente, decorrendo os períodos de
"exaltação" e períodos de "humilhação"
espiritual. Lembra a onda do mar: quanto mais alta se ergue,
mais fundo depois ela cava! É uma espécie de "maré"
espiritual, cujo ritmo exige as fases positivas das atividades
no trato da matéria e as fases negativas da reflexão
sobre o que foi sucedido!
Examinando-se a história da humanidade terrícola,
verifica-se que ela tem vivido períodos "sombrios",
quando naufraga na crista das ondas do vício, do deboche,
da paixão desregrada, do amordaçamento de consciências,
e os períodos felizes do renascimento tranqüilo
e criador do oceano calmo, onde se exalta o amor, a arte, a
poesia e a beleza entre os homens! A Idade Média foi
um período sombrio, enquanto a Renascença deixou
um rastro de luz!
Todos os povos e nações são agraciados,
periodicamente, por ensejos de renovação moral
e de reajuste econômico, num aproveitamento letivo que
lhes apressa a marcha espiritual. Daí comprovarmos que
os piores males do mundo também são entremeados
de bens salutares. Mesmo em Roma, na série de imperadores
orgíacos, debochados, cruéis e cretinos, como
Nero, Calígula, Tibério, Caracala, Heliogábalo
ou Cômodo, houve entreatos louváveis sob o comando
de homens sóbrios, frugais, probos e inteligentes, como
Vespasiano, Marco Aurélio e outros.
Mas a dignidade pública não é fruto da
substituição de homens, porém da renovação
de cidadãos acima das paixões violentas, das ambições
desmedidas, criaturas que se elegem pela sua vivência
de longo tempo numa conduta espiritual superior. No mesmo caldo
de cultura, onde se alimentam os homens que constituem o todo
de uma nação, também se geram os seus governantes
com atributos favoráveis ou desfavoráveis inerentes
ao ambiente.
Pergunta: - Porventura já estaria prevista pelos mentores
da Terra a ação nefasta de um Hitler, que, após
galgar o poder absoluto, levou a Alemanha e o mundo a uma hecatombe
guerreira?
Ramatís: - Em verdade, nada sucede na face do planeta
sem que o Governo Oculto do mundo saiba ou já não
tenha previsto, dentro do velho provérbio de que "não
cai um fio de cabelo da cabeça do homem sem que Deus
não saiba"!... Ademais, os povos elegem para seu
governo ou patrono o homem capaz de materializar-lhes os caprichos,
ideais, as ambições e a própria moral!
Adolfo Hitler, por exemplo, não foi um flagelo acidental
e injusto, mas ele corporificou, na época, o "desejo
coletivo" ou o "estado de espírito" manifesto
e latente nos próprios alemães. Ele apenas materializou
numa ação coletiva belicosa as próprias
tendências do povo que o havia eleito para o cargo supremo;
interesses recíprocos e empreitadas particulares aqueceram-lhe
o crescimento ditatorial, numa espécie de acomodação
silenciosa e tácita e por voluntária omissão.
Caso o povo alemão não tivesse manifestado essa
índole, vibrado psiquicamente com as idéias perigosas
e megalomaníacas de Hitler, evidentemente o teria afastado
do poder no início de sua campanha, como um indivíduo
insensato e perigoso! Então ele foi o catalisador psicológico
e temperamental dos súditos alemães, progredindo
no terreno fértil dos desejos beligerantes e ambiciosos
da própria nação!
Em qualquer outro planeta, um grau espiritual acima da Terra,
Adolfo Hitler e seus asseclas seriam recolhidos imediatamente
a um hospital para tratamento mental. Jamais encontrariam qualquer
estimulo ou eletividade para a sua empreitada de assaltos, pilhagens
e massacres de criaturas de outros países mais débeis!
Para conseguir isso, ele recebeu o apoio do seu povo, abriu-lhes
as comportas das paixões belicosas e insensatas, encontrou
colaboradores e até servos entusiastas que lhe concretizaram
as idéias perigosas, vinganças insensatas e iniciativas
tão negras como a morte de milhões de judeus nos
campos de concentração!... A sua entrada na Áustria
foi festejada sob o dossel de flores e vivas; a sua primeira
vitória sobre a Polônia enfraquecida arrancou os
mais retumbantes aplausos da juventude alemã, comprovando-se
perfeita simbiose de governo e governados! É certo que
os aliados também trouxeram o seu feixe de lenha à
fogueira que Adolfo Hitler, mais ousado, imprudente ou louco,
ateou fogo, e por isso foi responsabilizado como o principal
culpado!
Entretanto, quando a humanidade vive períodos tranqüilos
e que faz jus a melhor roteiro espiritual, o Senhor envia um
Crishna, Buda, Rama, Gandhi e o magnífico Jesus, que
deixam um sopro de ternura, compaixão e paz no mundo!
Mas quando o mundo ferve, em alta tensão, e os povos
se excitam nas suas paixões ambiciosas, perturbando a
marcha normal do conhecimento do espírito, então
encarna-se um Alexandre, Aníbal, Gengis-Kan, Atila, Júlio
César, Napoleão ou Hitler, que, na figura de verdadeiros
cirurgiões da humanidade, semeiam a dor e o sofrimento
coletivo, trazendo o bem pelo mal. Os homens terminam por expurgar
o veneno que se acumulava no âmago da alma por excitação
de sua origem animal; concretizam em atos maldosos, à
luz do dia, o que lhes vibrava no silêncio de sua própria
covardia!
Pergunta: - Qual seria um sistema de governo mais compatível
com a nossa atual graduação psicológica
ou espiritual?
Ramatís: - Repetimos, novamente, que há de falhar
qualquer governo enquanto os vossos legisladores e sociólogos
tentarem harmonizar social e politicamente o mundo através
de sistemas ou doutrinas elaboradas por grupos de homens, quais
verrugas no organismo coletivo da nação! Quer
se trate de uma doutrina fascista, democrata, capitalista, comunista
ou nazista, sempre há de atender às ambições,
à capacidade, aos costumes, à vaidade e ao interesse
de um grupo simpatizante, porém improfícuo e até
nocivo para os outros conjuntos de homens ou doutrinas políticas.
Embora milhares ou milhões de indivíduos se afinizem
a uma doutrina ou sistema político que julgam o "melhor"
do mundo, eles estão vivamente preocupados com a sua
própria segurança pessoal, jamais com a humanidade!
Só em casos raríssimos surge o herói capaz
do holocausto para o bem do povo e da raça humana! E
a explicação é muito simples, pois todo
indivíduo que deseja, realmente, servir ao próximo,
jamais se filia ou se coloca sob qualquer sistema político,
doutrina religiosa ou agrupamento social para exercer o seu
sentimento sublime! Ele sabe que os homens vinculados pelos
sistemas políticos do mundo ainda não oferecem
condições para viver a plenitude de um sacrifício
pelo bem alheio!
Em conseqüência, rebuscando o passado histórico
até os últimos dias da vida moderna, a fim de
ser encontrado um gigante, sábio, cientista ou psicólogo
autor de algum sistema ou Código Moral miraculoso para
"salvar" a humanidade, eis que esse homem é
o Cristo-Jesus! Sob o seu comando cessam conflitos, fanatismos,
ambições, desonestidades, vícios, vaidades,
orgulho, avareza, racismos e crueldades, porquanto o seu estatuto
exige, incondicionalmente, que o candidato tem de "Amar
o próximo como a si mesmo"!
Pergunta: - Que deveríamos compreender por esse "amor
incondicional" a todos os demais indivíduos?
Ramatís: - O amor, pacifismo, perdão e a bondade,
filantropia, humildade, tolerância, honestidade e ternura
são estados superiores de espírito idênticos
em qualquer latitude geográfica do orbe, quando expressos
por qualquer raça e por indivíduos pertencentes
a qualquer partido ou doutrina política. Se o comunista,
nazista, democrata, fascista, capitalista ou socialista é
bom, nobre, gentil, amoroso, fraterno e piedoso, pouco importa
o rótulo que ele sustenta ou o sistema político
a que se filial Na verdade, ele se integra ao Código
Moral do Cristo, que é o Amor Universal, malgrado a cor
do seu uniforme, a insígnia que ostenta no braço,
o líder político que admira ou a doutrina que
defende! O judeu, africano, esquimó, alemão, americano,
turco, hindu ou árabe, quando humilde, honesto, fraterno,
pacífico e amoroso, não se diferencia pela sua
raça, mas identifica-se pelo mesmo estado de espírito
elogiável. Assim, não existe uma humildade "propriamente
alemã", um amor "propriamente russo",
ou uma renúncia "propriamente hindu"! Tais
virtudes existem latentes em todos os homens, porque descendem
do mesmo Deus, e isso sempre lhes tem sido ensinado por todos
os legisladores interessados na saúde espiritual da humanidade!
Pergunta: - Temos observado que os governantes, na Terra, dificilmente
crêem ou admitem na existência de um outro governo
oculto, que do mundo espiritual vigia-lhes as atividades públicas!
Que dizeis?
Ramatís: - Sem dúvida, esses homens ignoram que
são apenas mordomos da Administração Sideral,
cujos atos públicos desonestos ou imprudentes depois
serão julgados com maior severidade do que a legislação
falha e subornável do mundo material! Jamais abusarão
impunemente do patrimônio coletivo que recebem em confiança
do seu povo, pois, se não há tribunais divinos
exarando pessoalmente sentenças punitivas, a Lei do Carma
é inflexível e severa, obrigando qualquer delinqüente
a pagar ou indenizar os prejudicados até o último
ceitil!
Os políticos e administradores públicos corruptos
traem a confiança do Senhor; como os filhos degenerados
abusam do patrimônio Pertencente a todos os membros da
família. Embora tais homens consigam tangenciar as leis
do mundo físico, eles terão de indenizar completamente
os prejuízos ocasionados pelas suas, ambições
e atitudes inescrupulosas. Os políticos do mundo podem
iludir e mistificar as criaturas que confiam em suas promessas
e sofismas, mas não se livrarão das severas sanções
espirituais por muitas existências posteriores.
Quem aceita ou busca a responsabilidade de gerir e administrar
bens e valores da coletividade humana, que o faça de
modo digno e criterioso, senão há de consumir
alguns séculos na infeliz condição de calceta
espiritual, cuja pena só termina com a devolução
integral de todos os bens surripiados.
Pergunta: - Qual seria a forma ideal de governo para a nossa
humanidade?
Ramatís: - Considerando-se que o cérebro humano
é um conjunto diretor, composto de centros coordenadores
de diversas atividades, funções e necessidades
do corpo carnal, sob uma só vontade uníssona no
controle de todas as funções orgânicas,
o governo mais proveitoso e sadio para o "organismo"
da humanidade seria algo assim semelhante. Poderia ser eleito
um conselho governamental, escolhido exclusivamente entre os
homens selecionados pela sua moral superior, vontade firme,
renúncia absoluta, disciplina, talento, honestidade,
formação científica e incondicionalmente
universalistas!
Seriam criaturas eleitas pelo seu amadurecimento biológico
e espiritual, e não por efeito de contagem de votos do
partido político majoritário sob estrondosas campanhas
eleitorais. Um conjunto governativo, eleito de "cima para
baixo", composto de almas de maturidade espiritual, leais,
desprendidas, estóicas, reconhecidas pelo povo como as
mais capacitadas para governarem sem locupletar-se dos bens
da comunidade. Antes de simples produtos de advento político,
da simpatia de grupos populares ou de propaganda política
partidária, seriam apenas "cérebros"
e "corações" comprovados sadiamente
nas atividades comuns da vida cotidiana.
Assim como há conventos de labores veneráveis
e dignos, destinados a redimir ou disciplinar homens perturbados
no mundo profano, que mais tarde podem voltar para sua antiga
atividade a fim de orientar os companheiros em dificuldade espiritual,
também deveriam existir na Terra instituições
especializadas para treinar homens destinados à função
correta de governar. A renúncia de si mesmos a qualquer
espécie de glória política ou interesses
pessoais deve ser-lhes a premissa fundamental para governar
o patrimônio de um povo e jamais traí-lo, como
ainda é tão comum no mundo! Isso nos comprova
o próprio cérebro humano, que não demonstra
nenhuma simpatia ou interesse por determinado órgão
do corpo humano, mas atende a todos conforme a sua necessidade
"organo-funcional"!
Todo homem que movimenta campanhas políticas visando
ao seu interesse pessoal, de início frauda os ideais
e os sonhos do seu povo, em favor exclusivo de si mesmo. O governante
há de ser homem humilde, sábio, gentil, ativo,
desprendido, justo, severo, porém amoroso! Um coração
de criança aliado ao cérebro de um gênio;
há de ser, enfim, um anjo-sabido. E só poderá
governar sem censuras quem se decida a servir exclusivamente
a seu povo, colocando a sua própria felicidade em sentido
secundário!
Pergunta: - Evidentemente, é quase impossível
conseguir-se, na Terra, um tipo de homem com tais credenciais
superiores. Ademais, observamos que os verdadeiros espiritualistas
parecem :fugir de qualquer governança no mundo. Que dizeis?
Ramatís: - Realmente, os homens conscientes de suas verdadeiras
necessidades espirituais, em geral, são humildes e avessos
às gloríolas do mundo material, às atividades
ostensivas que evidenciam a personalidade humana transitória.
Eles preferem comandar as suas próprias paixões
e governar o seu instinto inferior, ajudando e passando sem
preocupações de louvores ou gratidões.
Não se fascinam pelos brinquedos dos encarnados, nem
buscam os bens ilusórios da matéria, mas se interessam
pelos valores definitivos do espírito eterno! Importa-lhes,
antes de tudo, a condição de um apóstolo
do Cristo do que as vantagens de um ministro de Estado!
Pergunta: - Em conseqüência, como constituir um Conselho
Governamental, nobre e sadio, composto de homens forjados nas
realizações espirituais superiores, quando eles
não se consagram pela política do mundo, a única
doutrina responsável por tal evento?
Ramatís: - Inegavelmente, isso é dificílimo
porque o caldo de cultura onde se forjam os políticos
ainda é de péssima qualidade, tal qual acontece
com os povos e nações do mundo. Os povos ainda
se separam por retalhos de fazendas coloridas, simbolizando
as pátrias isoladas no seio da humanidade, e que alimentam
a matança sistemática nos matadouros fratricidas
das guerras!... O racismo, as diferenças de sistemas
políticos e os interesses ambiciosos da especulação
egotista insuflam o ódio nos dirigentes e eles se turbam
movidos e estimulados por desforras, que cegam a verdadeira
finalidade do espírito encarnado!
Em planetas mais avançados há um só governo
administrando toda a humanidade, uma louvável "consciência
coletiva" composta de homens de todos os matizes psicológicos
e representativos de todas as atividades humanas, vinculados
incondicionalmente ao lema de servir e produzir benefícios
sob o mais alto nível de honestidade, renúncia
e amor! São poetas, filósofos, médicos,
engenheiros, professores, sacerdotes, militares, escritores,
industriais, compositores, comerciantes, pintores e até
operários, cujo grau de maturidade espiritual garante
a harmonia e o perfeito entendimento governativo! De princípio,
é uma consciência coletiva adversa à violência,
capaz de ajustar todas as peças componentes do conjunto
num só ritmo de ação progressista, assim
como o cérebro é a cúpula protetora de
todas as necessidades biológicas do organismo humano.
Os departamentos de arte, ciência, educação,
filosofia, magistratura, medicina, trabalho, religião
e finanças então se constituem e funcionam sob
uma vontade uníssona e equilibrada, tal qual o fígado,
o estômago, o pâncreas ou rins são administrados
por um cérebro sadio!
O poder que vem dos homens eleitos por suas virtudes superiores
distingue-se frontalmente do comando dos homens astuciosos,
egoístas e hipócritas, que saem da turba e são
consagrados pelas campanhas políticas mercenárias,
visando exclusivamente às ambições do partido
vencedor. O governo ideal então seria formado por um
conjunto de homens espiritualmente amadurecidos, em vez de religiosos
ou políticos ainda ávidos dos tesouros do mundo
transitório da carne!
Pergunta: - O que teríamos de fazer a fim de merecermos
um governo superior no comando das instituições
políticas e administrativas do nosso mundo?
Ramatís: - É evidente que os" "gangsters"
são governados por outros "gangsters" mais
poderosos, os negros africanos obedecem a outros chefes negros
mais espertos; o povo romano orgíaco, inescrupuloso e
rapinante, também era liderado por imperadores imorais
do mesmo estofo, como Nero, Calígula, Cômodo, Tibério,
Domiciano, Cláudio, Heliogábalo. Em conseqüência,
só um povo evangelizado também há de merecer
um governo superior e angélico, uma vez que os administradores
públicos constituem-se no vértice da pirâmide
dos próprios governados!
Porventura, Francisco de Assis, justo, humilde e puro, deveria
governar uma nação belicosa, cruel e afeita à
pilhagem como era Roma, na época dos imperadores degenerados?
Jamais um coração terno e um cérebro angélico
poderiam liderar a carnificina dos circos romanos, o vigarismo,
a avareza, o mercado corrupto e o negócio da prostituição,
que era financiado pelos próprios administradores de
Roma! Homem piedoso, magnânimo, honesto, cândido,
terno e puro. Francisco de Assis seria apenas um joguete nas
mãos de indivíduos astuciosos, mercenários,
hipócritas e cruéis!
Por isso, segundo o adágio comum, o "povo tem o
governo que merece" e seria incoerência reclamar
um governo perfeito, sadio e honesto, de um povo que ainda se
compõe de homens corruptos, ambiciosos, viciados, inescrupulosos,
avarentos, exploradores, aventureiros, traficantes, gozadores,
Como ainda hoje acontece em certos países modernos e
cientifizados! Mas, como já dissemos, há negociantes
e industriais, por exemplo, que reclamam contra o poder governamental
e o consideram corrupto ou explorador, enquanto misturam água
no leite, batata no queijo, vaselina na manteiga, chuchu na
goiabada; vendem carne e peixe podres, arriscando a vida do
próximo! Alguns falsificam medicamentos, introduzem corantes
nas melancias, pintam as laranjas, simulando amadurecimento,
ou apuram o desenvolvimento das uvas com drogas químicas
nocivas. Outros, enriquecem financiando a prostituição
das moças ingênuas e desamparadas, habituam os
escolares ao vício de entorpecentes, usam recursos artificiais
no massacre dos cavalos velhos e enfermos para, enlatar o presunto
da moda! Há profissionais que mantêm a indústria
da cirurgia ou do câncer, especulando desenfreadamente
com a dor alheia!
Em conseqüência, os terrícolas têm exatamente
os governos que merecem, os quais refletem-lhes as próprias
idiossincrasias e falsidades! No entanto, mercê da condescendência
divina, quantas vezes homens de talento, progressistas, magnânimos,
sensatos e probos, também têm governado no vosso
mundo, numa verdadeira doação de graças
prematuras?
Pergunta:
- Quais as comprovações mais positivas de que
os povos e as raças na Terra vivem e progridem sob as
diretrizes inconfundíveis do mundo espiritual?
Ramatís: - Seria uma imprudência desastrosa para
a humanidade terrícola, caso vivesse exclusivamente sob
as diretrizes dos governos constituídos pelos homens
encarnados! Aliás, nenhuma humanidade física vive
sem a diretriz sábia e certa de uma Administração
Sideral responsável pelo seu destino espiritual, que
lhe provê todas as necessidades humanas e lhe disciplina
todos os movimentos evolutivos do espírito imortal.
Mas, quando os homens se mostram sensíveis a ensejos
espirituais redentores, o Governo Oculto do Orbe então
envia os seus representantes, instrutores e legisladores, que
se manifestam na Terra e se adaptam ao temperamento, à
compreensão e aos costumes de cada povo ou raça!
Há diversos milênios, Antúlio ensinou na
Atlântida os primeiros rudimentos de espiritualidade superior,
fundando o "Templo da Paz" e organizando sistemas
que posteriormente os essênios reviveram na Judéia;
mais tarde, os profetas brancos recolhiam os anciões
desejosos de conhecerem a Verdade Imortal e refazerem o espírito
fatigado da caminhada física. Hermes transmitiu aos egípcios
os remanescentes dos conhecimentos atlantes e liderou movimentos
iniciáticos, desenvolvendo a magia teúrgica e
os ritos secretos de Osíris; na índia, Rama assenta
as bases das instituições bramânicas e Crishna
elabora os fundamentos esotéricos da investigação
espiritual sem a prioridade religiosa; Buda, na Ásia,
divulga o pensamento reto e o controle mental, ensinando o homem
a dominar as paixões do corpo animal; Confúcio,
gentil e cortês, prega e incentiva a honestidade pura
nas relações humanas; Orfeu, na Grécia,
expõe a realidade espiritual através do encanto
da música e da poesia, abrindo caminho para os avançados
conhecimentos de Sócrates e Platão; Moisés,
malgrado a intransigência e a agressividade, disciplina
o povo judeu, especulativo e belicoso, impondo as leis severas
da justiça de Jeová, o deus único! Finalmente,
outros instrutores de menor porte, mas também inspirados
nos programas de sublime espiritualidade surgem, posteriormente
deixando o seu rastro de luz em favor do terrícola, como
Blavatsky, Anne Besant e Leadbeater, liderando a Teosofia; Max
Handel ativando o Rosacrucianismo, Papus e Eliphas Levi tateando
através dos meandros da magia prática e buscando
os mistérios ocultos do "Véu de Ísis"!
Finalmente, Allan Kardec codifica o Espiritismo, espécie
de ocultismo popularizado e protegido sob genial filosofia de
inspiração espiritual; convoca os homens a rebuscarem
nos fundamentos da filosofia oriental as origens secretas da
Lei do Carma e da Reencarnação, e, modernamente,
Krisnamurti revive o "pensar reto" de Buda, mas sem
o crivo do condicionamento místico e religioso!
Pergunta: - Se vos fosse dado eleger esse Conselho Governativo
da Terra, quais os elementos que, simbolicamente, escolheríeis
para isso?
Ramatís: - Sob a nossa visão espiritual, embora
reconheçamos existirem milhares de homens dignos para
tal encargo, escolheríamos doze membros, espécie
de "tipos-padrões", que poderiam compor esse
governo colegiado, uma consciência sadia e satisfatória
para governar a humanidade terrena. Seria um conselho constituído
pelas seguinte criaturas: Francisco de Assis, Mahatma Gandhi,
Henry Ford, Buda, Edison, Cristóvão Colombo, Pitágoras,
Miguel de Cervantes, Sócrates, Nostradamus, Leonardo
Da Vinci e Juscelino Kubitschek. Entre outros elementos que
ainda poderiam figurar nesse conselho, lembraríamos Platão,
Helen Keller, João XXIII, Beethoven, Blavatsky, Paulo
de Tarso, Allan Kardec, Júlio Verne, Pasteur, Lincoln,
Maharichi etc., espíritos cuja diversidade de ação
e capacidade mental poderiam fazer a cobertura das necessidades
de um povo bem governado.
Pergunta:
- Poderíeis explicar-nos o porquê dessa heterogeneidade
de tipos, onde figuram criaturas apolíticas, santificadas,
industriais utilitaristas, filósofos, artistas, escritores,
profetas e líderes religiosos?
Ramatís: - Estamos apontando criaturas que possuem determinada
qualidade, talento ou experiência incomum na vida, e que
possa constituir um centro de atividade ou sensibilidade nesse
Conselho Governamental, lembrando os recursos e as qualidades
de um cérebro sadio no comando do organismo físico.
Assim teríamos uma consciência dotada de todos
os recursos e qualidades específicas, para governar com
mais eficiência um povo ou nação, onde certos
elementos figuram com a função ativa e criadora,
outros significam a experiência, o bom senso ou a disposição
analisadora.
Assim, esse governo colegiado terreno, que configuramos em face
de sua existência tão comum noutros planetas superiores,
apresentaria mais capacidade para governar, visualizando todas
as necessidades da coletividade em qualquer setor de sua manifestação.
A pureza do sistema seria alicerçado na renúncia
de Francisco de Assis; a tendência belicosa neutralizada
pela "não violência" de Gandhi; o utilitarismo
criador e o bom senso industrial através de Henry Ford;
o "pensar reto" e o poder sadio mental expresso por
Buda; o talento inventivo estimulando as realizações
progressistas em favor da coletividade sob o comando de Edison;
a coragem e o pioneirismo por Cristóvão Colombo;
a disciplina e ascese espiritual do povo sob a inspiração
de Pitágoras; Cervantes, o senso crítico apurando
os excessos da materialidade de um Sancho e consagrando a candidez
e o idealismo de um Don Quixote; Sócrates o autoconhecimento
e a visão superior da vida humana na sua filosofia incomum;
Nostradamus traçando rumos proféticos para o futuro,
Leonardo Da Vinci o enciclopedismo humano a serviço dessa
consciência, e, finalmente, o arrojo criador de um Juscelino,
prevendo a vivência sadia das metrópoles do terceiro
milênio, onde a cor, o oxigênio e o bom senso das
edificações e amplitude das avenidas evitam a
poluição do ar e agiu ti nação de
bactérias mortíferas! E na reserva dessa consciência
tão salutar e governante da humanidade terráquea,
através dos tipos-padrões mencionados, ainda podem
figurar Platão, "o corpo são e a mente sã",
Helen Keller, o tipo consagrado da vitória do espírito
sobre a matéria perecível, João XXIII capaz
de superar um ambiente conservador, como a Igreja Católica,
abdicar do seu pedestal homérico de papado, para dialogar
com o homem simples e incentivar a comunicabilidade de todas
as religiões do mundo; Beethoven, o monumento musical
criando sons para o espírito de todos os homens, Helena
Blavatsky, a mais ousada pesquisa no campo do mundo oculto,
exumando à luz do dia os segredos da humanidade esotérica;
Paulo de Tarso, estoicismo, perseverança, coragem e inteligência
a serviço do Cristianismo; Allan Kardec, o bom senso
encarnado, espírito disciplinado e ordeiro, que escoimou
o orientalismo das superstições, tabus e complicações
iniciáticas, expondo ao Ocidente a mensagem espírita
às inteligências incomuns e à compreensão
popular; Júlio Verne, outro profeta que previu e esquematizou
várias descobertas e invenções humanas;
Pasteur, a persistência e o devotamento a serviço
da ciência médica; Lincoln, a integridade política
e Maharichi, um vínculo permanente entre o mundo espiritual
e o material, canal psíquico de união entre a
criatura e o Criador!
Pergunta: - Que dizeis quanto à probabilidade das mulheres
governarem o mundo? Seríamos mais pacíficos e
venturosos?
Ramatís: - O espírito não tem sexo, pois
isso é apenas a sinalética do carnal fixando responsabilidades
entre o "tipo-homem" e o que é a fase ativa,
e o "tipo-mulher", a fase passiva, propriamente, o
intelecto, a razão e o sentimento. Apenas a mulher vive
em condição mais passiva pelo fato de gerar e
criar filhos, inclusive a submissão ao lar, portanto,
menos atividade na formação política e
administrativa do mundo profano. Mas em face da emancipação
da mulher, como ocorre atualmente, participando em todas as
esferas de atividade técnica, filosófica, literária,
científica e religiosa do mundo, também enfraqueceu
a linha divisória entre o masculino e o feminino, em
face de responsabilidades e direitos semelhantes.
Evidentemente, não seria o fato de as mulheres governarem
o mundo, o que bastaria para torná-lo um paraíso,
pois na configuração feminina, às vezes
também vivem espíritos daninhos e brutos, que
desmentem a feminilidade e ternura, quais viragos e megeras
mais grosseiras e cruéis do que os próprios homens!
Algumas aviltam até a função divina de
"mãe", quando enxotam ou trucidam os filhos,
além das mais perversas, que judiam dos seus descendentes
sob os piores maus tratos! Há, também, mulheres
atrabiliárias, tipos de sargentos de saias, que depreciam
ou obscurecem o tradicional sentido de beleza, doçura
e resignação próprias da feminilidade.
A história terrícola também comprova quanto
aos tipos de mulheres másculas, que foram rainhas belicosas,
guerreiras, astutas e maquiavélicas, como Catarina de
Médici, Isabel; a Católica, ou Catarina, a Grande,
imperatriz da Rússia.
Em conseqüência, não serão tão-somente
o "tipo-mulher" quem iria solucionar o problema governamental
do mundo, e, também, estabelecer a paz definitiva na
Terra! As mulheres vaidosas, cabotinas ou irascíveis
apenas darão mais amplitude às suas virtudes negativas,
caso também lhes concedam a oportunidade de comandar
multidóes e usufruir do poder público! Aliás,
sob a nossa visão espiritual, ainda é a mensagem
do Cristo o Código Governamental mais certo do mundo,
em que as criaturas através do Amor solucionam todos
os problemas e facilitam qualquer administração
pública!
Pergunta: - A humanidade só aproveitou reduzida parte
dos ensinamentos ministrados pelos instrutores da Terra, não
é assim?
Ramatís: - Embora os homens tenham comprovado, sem qualquer
sofisma. que são mais proveitosos os ensinamentos de
alto teor espiritual, em vez dos sistemas e doutrinas políticas,
sociais ou repressivas do mundo, como no caso da "não-violência"
de Gandhi, que libertou um povo, realmente, é bem reduzido
o benefício resultante dos sacrifícios empreendidos
pelos líderes da espiritualidade! Isso lembra o que acontece
com o "radium", precioso minério que exige
a trituração de uma tonelada de pechblenda para
conseguir-se uma grama proveitosa. Quantas toneladas de sacrifícios
e ensinamentos espirituais já foram despendidos pelos
mensageiros do Senhor, para que a humanidade possa aproveitar
uma grama da Verdade Imortal?
Cada instrutor espiritual representa uma conta atada ao fio
interminável do ensinamento divino, compondo o indestrutível
colar da autêntica vivência do espírito em
liberdade. Mas os povos, ainda escravos das paixões,
pouco absorvem desse "maná" divino revigorante
da saúde espiritual, o qual desce do Céu na figura
dos excelsos intérpretes do esquema venturoso do Universo!
Dominados pelos instintos inferiores, insaciáveis na
execução de todos os prazeres grosseiros e no
culto da personalidade humana transitória, os homens
terrenos ainda requerem a prescrição constante
da medicação de urgência através
do sofrimento e da desilusão!
Daí as catástrofes, tragédias e eventos
de infelicidade, como a submersão da Atlântida,
de Sodoma, Gomorra, Pompéia, Herculano e outras de menores
proporções, que marcam os períodos derradeiros
do deboche, da revolta e irresponsabilidade humana! Deus jamais
teria perdido o controle das leis que regulam as atividades
e relações sadias entre o Espírito e a
Matéria. Por isso, os instrutores siderais deixam as
suas moradias resplandecentes e baixam periodicamente ao mundo
físico, a fim de socorrerem o cidadão terrícola
e esclarecê-lo de que a dor e o sofrimento são
apenas produtos da resistência humana, recursos utilizados
para a ventura espiritual do homem. Muitas iniciativas catastróficas
de última hora, empreendidas pelo Governo Espiritual
Oculto, têm por finalidade benfeitora salvar a tempo certas
coletividades, que submergem-se superexcitadas no vórtice
das paixões animais e completamente desatinadas, na perigosa
atrofia do comando espiritual sobre o instinto inferior. O erotismo,
a luxúria, vaidade, perversidade, violência, o
ódio e o barbarismo sob medida civilizada destroem todos
os ensejos de uma desencarnação controlada. Os
terrícolas desencarnam como se fossem lançados
de um veículo a centenas de quilômetros horários;
aportam ao Além de olhos esgazeados, enlouquecidos e
completamente enceguecidos, jamais sensíveis a qualquer
providência das equipes socorristas do Espaço.
Então a hecatombe, a tragédia ou desgraça
de última hora, ainda consegue contemporizar, suster
os impactos agressivos, luxuriosos ou odientos, ante a miséria,
a tragédia e o despertamento espiritual para a realidade
da vida do espírito! Daí o efeito benéfico
e salutar de tantas catástrofes no mundo, onde os mais
sentenciosos chamam de "castigo de Deus", e nós,
despertos para a realidade espiritual, apenas identificamos
como providências salvadoras de última hora!
Pergunta: - Porventura, a Administração Sideral
provoca propositadamente as tragédias coletivas de reparações
cármicas, como terremotos, inundações,
secas, vulcões, desabamentos ou tempestades destruidoras?
Ramatís: - A Terra é um planeta geologicamente
primário, instável e em processo de aperfeiçoamento.
Em conseqüência, terremotos, inundações,
secas, catástrofes, tempestades ou vulcões são
fenômenos inerentes à natureza planetária
terrícola ainda em consolidação. Ademais,
os homens ainda se encarregam de aumentar essa natureza catastrófica
e indesejável, da Terra, pois arrasam cidades, matas,
campos, jardins, silos, pomares e reservas alimentícias,
durante as guerras sangrentas e destruidoras. A Administração
Sideral, cujo programa demográfico terrícola e
elaborado com milênios e milênios de antecedência,
então distribui previamente nas zonas catastróficas
os espíritos ainda carentes de corretivos ou providências
retificadoras de última hora. É uma espécie
de segurança antecipada do Alto, colocando espíritos
instáveis, agressivos e irresponsáveis, em zonas
e regiões onde também é proverbial e constante
a mesma instabilidade e hostilidade do meio, espécie
de válvula pronta para suster os excessos perniciosos
para a entidade espiritual. Assim, tais espíritos encarnam-se
sobre regiões vulcânicas, faixas de terra sujeitas
a terremotos, furacões e secas periódicas, onde
se formam aldeias, agrupamentos e cidades, que depois são
refreadas na sua população cada vez mais desregradas
ou agressivas. Não é preciso a montagem de uma
carpintaria nos bastidores siderais, para que se produzam acontecimentos
nefastos e corretivos atendendo a providências de urgências.
A Técnica Sideral, no seu esquema "cármico",
onde os espíritos se conjugam às nações
e planetas de aperfeiçoamento espiritual, apenas distribui
na lei de que "os semelhantes atraem os semelhantes",
os povos na conformidade de suas necessidades retificadoras,
jamais por castigo deliberado! 55
55 -
Nota de Ramatís: - Assim como em Hiroshima foram desintegrados
pela bomba atômica as mesmas criaturas que, no passado,
a partir das histórias bíblicas, destruíam,
matavam e Incendiavam sob o comando dos guerrilheiros homicidas,
atualmente, no "Vietnã", morrem sob a metralha
ou pelo fogo incinerador outros tantos soldados, guerrilheiros
e saqueadores desde as conquistas romanas até os últimos
dias!
Pergunta: - Qual é a espécie de governo, sob a
vossa opinião, mais adequado para governar a Terra, no
momento?
Ramatís: - Na atualidade, ainda não existe ambiente
favorável para a eleição de um "governo
mundial" perfeito, uma vez que as partes a serem governadas
vivem em desarmonia sob o combustível perigoso das paixões,
vícios, interesses econômicos, agressividades racistas,
separatividades religiosas, doutrinas políticas e orgulho
pátrio! A humanidade terrena ainda está dividida
por uma verdadeira colcha de retalhos em incessante conflito
espiritual, sem integração num mesmo postulado
pacífico, ordeiro e benfeitor! Nenhum governo, por mais
inteligente e sadio, conseguiria governar tantos grupos de homens
completamente isolados pelas suas diferenças políticas,
sociais, raciais, religiosas, morais e orgulhosas. Ainda resta
muito tempo, para que os terrícolas aproximem-se impelidos
pelas vibrações do espírito consciente
de sua função na carne, a fim de comporem um conjunto
governamental, que tenha por exclusivo ideal o bem de toda a
humanidade!... O noticiário dos jornais informa, diariamente,
das revoluções e expurgos sangrentos que ocorrem
no seio do mesmo povo! 56
56 -
Nota do Médium: - Para confirmar os dizeres de Ramatís,
é bastante lembrarmos a perversidade e o ódio
que dividiu os espanhóis na revolução franquista;
as desforras e vinganças entre os povos "primos",
que são os judeus e árabes provindos do mesmo
tronco bíblico; e, finalmente, a miséria, a chacina
e o horror de Biafra, onde tribos do mesmo sangue se massacram
estupidamente.
Seria
inadmissível eleger-se um governo perfeitamente equilibrado
e harmonioso, para atender um conjunto tão esfarrapado
e dividido pelas lutas fratricidas, interesses políticos
e pilhagem, como ainda é a humanidade terrena! Os terrícolas,
na sua tolice tão milenária, buscam e rebuscam
líderes políticos, expertos financistas, conselheiros
econômicos, socialistas tarimbados e sisudos democratas,
a fim de conduzirem o mundo à felicidade humana, enquanto
esquecem a maior cerebração e genial instrutor
como foi o Cristo, e olvidam o mais avançado Código
de vivência humana, que é o Evangelho!